Busca: 

Apelido:

Senha:


Esqueci minha senha
 
  Área do autor

Publique seu texto
  Gêneros dos textos  
  Artigos (651)  
  Contos (939)  
  Crônicas (730)  
  Ensaios (169)  
  Entrevistas (35)  
  Infantil (204)  
  Pensamentos (640)  
  Poesias (2501)  
  Resenhas (129)  

 
 
A Garota do Posto
Francisco Moreira de...
R$ 25,90
(A Vista)



O RETORNO DE SORAIA
José Sodré de...
R$ 52,30
(A Vista)






   > FALHA NA COMUNICAÇÃO



Silvana Lemes de Souza
      CRôNICAS

FALHA NA COMUNICAÇÃO

A Língua Portuguesa é muito interessante mesmo, podemos até compará-la com a matemática no quesito propósito. Se a matemática tem a finalidade de nos levar a encontrar o resultado exato de uma operação, a Língua Portuguesa tem por finalidade transmitir uma informação de forma fidedigna.
Se na matemática você errar um número, uma vírgula a sua operação estará errada, ou seja, um simples número que você anota errado, o resultado final também estará comprometido. No português errar uma vírgula, uma pontuação ou uma palavra você compromete todo o sentido do texto, alterando a mensagem que se quis passar.
Numa ocasião um professor de português usou como exemplo o seguinte fato: Um certo general foi para guerra e antes da batalha consultou uma pitonisa para saber se venceria a batalha. Sendo assim ele perguntou:
__Eu vou vencer ou perder a batalha?
A pitonisa prontamente respondeu-lhe:
__ “Venceras não morrerás.”
O general foi todo confiante para a batalha, porém a cada ataque e contra ataque ele só perdia seus bravos soldados. No final da batalha ele retorna sozinho, pois perdera todos os seus soldados.
Indignado com o resultado ele voltou à pitonisa para reclamar sobre a suposta propaganda enganosa. Chegando ao oráculo ele perguntou:
__ Você disse que eu ganharia a batalha, como pode se enganar tanto assim? Eu perdi a batalha!
Ela prontamente respondeu:
__ Eu não disse que você ganharia a batalha!
__ Disse sim, não estou ficando louco.
A pitonisa fitou-o e respondeu:
__ Eu não disse não! Você é que colocou a vírgula no lugar errado e usou um sinal equivocado.
__ Como assim! Exclamou o pobre general.
__ Eu disse: “Venceras não. Morrerás! E não Vencerás! não morrerás.”
E assim o general além de perder a batalha no passado e ficar desmoralizado, hoje seu espírito deve remover-se nas catacumbas, pois seu apelido de lambão passou para semi analfabeto aos olhos de muitos.
Tive uma experiência similar com relação à falha de comunicação e pior é que essa quase causou morte, espia só o causo.
Estava em casa quando um garoto apareceu segurando um dos meus filhos que chorava de dor; olhei para ambos e percebi que meu filho havia quebrado o punho, então perguntei:
__ O que aconteceu?
O garoto respondeu-me:
__ A gente estava brincando de policia e ladrão com a xipoca (arma de brinquedo feita com pedaço de cano de PVC e bexiga) e eu fui atirar no Arthur e ele tropeçou na laje e caiu.
Como o braço já estava com uma tala improvisada, chamei o caçula de 5 anos e disse:
__ A mãe vai levar o Arthur ao médico, quando os seus irmãos chegarem da escola avisa que o Maguila estava brincando com o Arthur e seu irmão acabou se machucando.
O problema da questão foi exclusivamente de ordem interpretativa, por duas razões, primeira: o caçula tinha 5 anos; segundo, ele estava presente no local do crime e isso faz dele uma testemunha ocular e auditiva. Além de estar presente na cena, ouviu toda a explicação do garoto que acompanhava meu filho.
Quando os irmãos chegaram e perguntaram por mim, o caçula contou essa história:
__ A mãe foi levou o Arthur no hospital porque o Maguila deu um tiro na cabeça dele quando eles estavam brincando.
__ Como isso aconteceu?
__ Eles estavam brincando de policia e ladrão e o Maguila acertou ele na cabeça.
Rapidamente os filhos chamaram outros amigos, se dirigiram ao Pronto Socorro com a intenção de linchar o pobre garoto.
Vocês vão perguntar o porquê do caçula ter dado essa informação aparentemente equivocada, mas eu explico o menino não mentiu, ele só não disse que a arma usada era de brinquedo, a bala era de feijão e que o irmão só havia quebrado o punho.
Vamos recuperar a informação acima. “Eles brincavam de policia e ladrão e o Maguila atirou na testa do Arthur.” Como um bom repórter sensacionalista o caçula relatou sua versão dos fatos causando suspense e comoção entre os amigos.
O desfecho do ocorrido foi assim: Os meninos invadiram o hospital, pegaram o Maguila pelo colarinho, e disseram:
__ Como você teve coragem de atirar na cabeça do seu amigo? Você vai morrer seu...!
Mais que depressa eu disse:
__ Calma, a arma era uma xipoca e a bala de feijão!
A tragédia anunciada virou piada a acabou em pizzas, o Maguila foi convidado é claro. Hoje o quase repórter é quase estudante de engenharia, o quase policial morto é quase estudante de psicologia, o quase ladrão linchado virou profissional da área e a quase maluca mãe não endoidou de vez, mas está quase chegando lá.



CADASTRE-SE GRATUITAMENTE
Você poderá votar e deixar sua opinião sobre este texto. Para isso, basta informar seu apelido e sua senha na parte superior esquerda da página. Se você ainda não estiver cadastrado, cadastre-se gratuitamente clicando aqui