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   > A autora Shri Damodara é entrevistada por Ademir Pascale



Evalda de Andrade Silva Costa
      ENTREVISTAS

A autora Shri Damodara é entrevistada por Ademir Pascale

Ademir Pascale: Como foi o início de Shri Damodara para o meio literário?
Shri Damodara: Primeiramente, gostaria de parabenizar este site pelo fato de estarem reunidos aqui autores de diferentes habilidades. Estou muito feliz em poder participar. Pois acredito ser o ofício de escritor um ato de compartilhar o conhecimento que ele tem e aprecia. E, assim o fazendo, esse conhecimento volta para ele em maiores proporções. Posto que aprende o que de fato veicula. Bem, comecei a caminhar pela Literatura quando ainda era menina. Naqueles dias, inventava falas e diálogos em voz alta enquanto fazia algo. Porém, a publicação de “Grãos de Areia”, pela Sankirtana Books, foi o início formal.                
Ademir Pascale: Poderia falar sobre a sua experiência sobre a sabedoria milenar da Índia antiga?
Shri Damodara: O meu contato com a sabedoria da Índia antiga se intensificou quando conheci meu mestre, em 2005, o Dr. Howard J. Hesnick, PhD em Sânscrito e Estudos indianos pela Universidade de Harvard. Foi ele que me entusiasmou a investigar mais detidamente a Literatura-registro dessa sabedoria milenar. Essa Literatura é tão bela quanto vasta! De forma que minhas preciosas referências são o Bhagavad Gita e o Bhagavata Purana. Além do mais, desde 2005, moro na Comunidade Nova Gokula, em Pindamonhangaba, que é a maior comunidade vaishnava (conhecida, popularmente, como Hare Krishna) da América Latina. Essa comunidade ensina, há mais de três décadas, a tradição vaishnava, cujo objetivo é reviver a consciência perdida no homem: a lembrança de que a alma é eternamente ligada a Deus, porque é parte integrante dEle.          
Ademir Pascale: Você lançou recentemente o romance "Liberato" (formato e-book). Poderia falar como surgiu a ideia em escrevê-lo e como está sendo a receptividade dos leitores?  
Shri Damodara: Na verdade, faz pouco tempo que “Liberato” está na loja virtual. De forma que ainda não tive aquele retorno pelo qual honestamente esperamos. Porque, de fato, um livro não é um monólogo! Assim, devemos ser pacientes e continuar trabalhando. Já “Grãos de Areia”, lançado agora em maio (livro impresso em) já me trouxe curiosas devolutivas. Elogios. Críticas. Numa dessas devolutivas, alguém me disse que gostaria de ver a personagem principal tendo outro rumo. Porque os personagens que se amam não acabam juntos. Mas a metáfora propulsora do livro (a força das ondas do mar unindo e separando os minúsculos grãos de areia da praia...) foi que promoveu essa separação, talvez frustrando o leitor. Mas num certo sentido, essa frustração não é prejudicial, posto que verdadeira: pois entendendo que o tempo é uma variante inexorável, olhamos as uniões e separações mais naturalmente. Noutra ocasião, uma leitora me disse que estava tão envolvida com os assuntos de sua profissão (ela é médica), que quando leu o romance ficou incrivelmente satisfeita e enriquecida. Tomara que “Liberato” também crie asas.     
Ademir Pascale: Poderia destacar um trecho da sua obra especialmente para os nossos leitores?
Shri Damodara: Claro. Esse é o terceiro capítulo de “Liberato”. Esse capítulo toca na questão do desamparo, tema de “As Estrelas estão brilhando”...   
Um teto opressor.
Aparecida era uma daquelas mulheres guerreiras que em sorrisos tristes entregava-se aos trabalhos de faxina e tanque para sustentar a ela e ao filho. Como ela dizia, nascera para trabalhar. Suas mãos ágeis pensavam no que faziam: dada a atenção com que limpava os chãos, com que passava as roupas, com que fazia o acabamento de cera nos pisos das senhoras de Valente. E se isso não a humilhava era porque, de fato, burilava seu serviço. Mas se ainda carregava sorrisos tristes era porque a vida muitas vezes não dá brechas para conversa, não explicando os tantos caminhos tortos que a uma alma apresenta.
A essa altura, Liberato já tinha uns três meses. Ela o levava junto. Bem embrulhadinho ao seu coração. E, nas casas, cumpria sua diária e ainda cuidava dele, amamentando-o, limpando-o e o aninhando. Ela ouviu muito, na maternidade, sobre a importância desse carinho de mãe. Aparecida queria fazer tudo direito. E teve, para isso, que sepultar honesta e definitivamente a própria viuvez. E seus sorrisos tristes puderam triplicar.
Quando Liberato começou a pronunciar monossílabos, dentre os quais ‘da’ que era a forma para o nome da mãe, quando ele ouvia chamarem-na,suas perninhas já estavam bem firmes para os primeiros passos. Logo depois, vieram as subidas perigosas em cadeiras e noutras alturas. Bem como coisas indo direto ao chão e estilhaçando-se. A Aparecida não pouparam reclamações. E o menino não pôde mais acompanhá-la.
A solução foi deixá-lo com Tânia. Vizinha recém-chegada na doutor Teodoro. Mas, até onde se sabia, era boa gente. Todo mundo da rua tinha suas rotinas e ocupações. O que dificultava conseguir alguém para ficar com Liberato. Mas Tânia já era aposentada. Tivera filhos. Tinha já os netos. Aparecida podia, assim, confiar que ele ia ficar em mãos seguras durante suas jornadas de trabalho.
Um engano, entretanto. Porque por trás de uma mulher que já criara os seus, estava uma megera que não poupava palavras indizíveis a uma criança. Também o deixava sem comer boa parte do dia.
Como era para ser, Liberato ficava muito fraco, magro e adoecia sem dificuldade. Algumas pessoas diziam a Aparecida que o menino passava por maus tratos. Seu coração de mãe até queria concordar. Mas, quando chamava Tânia para uma conversa, esta dava mil motivos pelos fastios de Liberato. Aparecida, assim, acabava sempre deixando seu filho ali. Era preciso trabalhar.
Só que nessa situação, Liberato viveu por quase três anos. Até descobrirem tudo, decididamente. Um dia, Tânia saiu e deixou o menino sozinho, trancado em sua casa. Disse que voltava logo do mercado. Mas não voltou. E depois de um dia quase todo preso e recebendo comida dos vizinhos pela janela, ninguém mais teve por que tapar o sol com a peneira.
Aparecida quase enlouqueceu. Bateu no próprio peito várias vezes para não fazê-lo na outra mulher.
Ademir Pascale: Como os interessados deverão proceder para adquirir o seu romance "Liberato"?
Shri Damodara: Então, é simples. Ele está em  
Ademir Pascale: Além do "Liberato", você escreveu "Matsia", um livro infantil. Poderia falar mais sobre ele?
Shri Damodara: “Matsia, o peixe que falava e fazia outras coisas” é um reconto. No oitavo Canto do Bhagavata Purana há a história em que Vishnu se transforma num peixe para explicar ao rei Satiavrata o conhecimento imperecível da alma. E interessante é que Mátsia faz isso brincando: primeiro ele pede proteção ao rei que o coloca numa jarra. Depois, ele cresce muito a ponto de não caber num lago, depois noutro lago, e, finalmente no mar. No final de tudo, Matsia é quem acaba ajudando seu amigo Satiavrata a sobreviver em meio a uma terrível inundação... Para os pequenos e pais lerem e refletirem sobre essa amizade.   
Ademir Pascale: É verdade que você ainda tem outros romances aguardando publicação?
Shri Damodara: Sim. “As estrelas estão brilhando”, participando do Concurso Cepe de Literatura; “Pássaro no escuro”, participando do Concurso Paraná de Literatura; “Karolina Machado”, a ser enviado para análise... 
Ademir Pascale: Como os interessados poderão saber mais sobre Shri Damodara?
Shri Damodara: Em .
Perguntas Rápidas:
Um livro: A hora e vez de Augusto Matraga, de Guimarães Rosa. 
Um(a) autor(a): A. C. Bhaktivedanta Swami. Ele traduziu e escreveu livros de filosofia vaishnava.       
Um ator ou atriz: Lima Duarte. 
Um filme: A última estação (sobre os últimos dias de Tolstoi). 
Um dia especial: Os dias em que nasceram meus três filhos e todo dia em que fica pronto um dos meus livros. 
Ademir Pascale: Deseja encerrar com mais algum comentário?
Shri Damodara: Nestes dias que escurecem mais e mais, o reconhecimento pode ser menos importante do que a qualidade do conhecimento que compartilhamos. Obrigada.                


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