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   > A traição



Geovani Silva
      CONTOS

A traição

 
Todos na rua já sabiam. Menos ele.
Até as crianças faziam comentários ofensivos, maldosos e ele nada.
Chegou em casa puto da vida. Não é possível que ela fizesse uma coisa dessas com ele. Cara! Sempre trabalhando, sempre cuidando bem das coisas em casa. Não falta nada. Todas as contas pagas, até as roupas caras que ela queria ele comprou.
 Abriu a geladeira e pegou uma cerveja. Nervoso deixou a lata cair no chão. Estourou. Pegou outra e mais outra. E não estava acreditando naquilo que ouvira. Será mesmo verdade? Como pode?
Até a Irene falou. Mas a mulher dele sempre falava que ela tinha inveja.
Sentou-se no sofá e trocava sem parar os canais da TV como se nada o interessasse.
 
No ônibus Miranda estava nas nuvens. Parecia que nem se dava conta de onde estava. Seus pensamentos a estavam massacrando. Não sabia como seu marido ia reagir diante a um segredo que ela escondia dele já há alguns meses. Mas tinha que falar com ele e seria assim que chegasse em casa. Não aguentava mais fingir atitudes para uma pessoa que a amava muito. O medo de Miranda era que antes Pedrão lhe dissera que não aceitaria ser o último em saber das coisas entre eles. E que não estava preparado se acontecesse o que ela, agora tinha para lhe contar. Ele mesmo lhe dissera que uma coisa dessas mudaria todo o rumo de suas vidas. Mas não dava mais para esconder.  Estava ansiosa para chegar em casa e resolver logo o assunto e quem sabe ser feliz sem nenhuma preocupação.
 Todo mundo erra de vez em quando. Ela não precisava ser crucificada por uma falha. Aconteceram umas três vezes, mas a culpa não fora só dela. Miranda nunca contou a ninguém que esse desejo a acompanhou mesmo antes de se casar. Era como um vício ficar pensando, e só pensando...
 
Pedrão sem mais direção na vida se afundava cada vez mais em depressão. Tudo ele maquinava, a cada minuto que se passava ele ficava mais louco, transtornado. Olhou no relógio umas dez vezes depois que chegou do serviço. Pensava na Irene: ... Tenha um pouco de paciência com Miranda seja com o que for que ela te contar. Coitada. Ela tá sofrendo muito.
Isso o deixava mais nervoso. Porque ela não lhe falou se estava com problemas? Ele que é o marido dela! Deveria ser o primeiro a saber.
Lembrava também do moleque que gritava do outro lado: corno e chifrudo!
Deu-lhe vontade de dar uma surra naquele fedelho.
Resolveu então ligar para sua mulher. Miranda nunca saía sem lhe avisar. E agora nem sequer sabe onde ela está. Que absurdo! Ligou, ligou e não atendia o celular. Só caía na caixa de mensagens. Agora é que tinha certeza. Não atendia o celular, não avisou que ia sair e estava escondendo um monte de coisas: Estava era ferrado! Pior ainda é esse bando de vizinhos falando pelas tramelas.
- Ah, mas deve ter alguma coisa nas suas gavetas que revele algo!
Abriu todas as portas do guarda roupa e jogou tudo pelo chão. E nada. Foi ficando furioso. Procurou na casa toda e nada. Começou a quebrar para descontar a raiva. Quebrou cadeiras, mesas, objetos de porcelana e rasgou as roupas da mulher. Inclusive as que ele lhe deu de presente.  Vagabunda! Estava com outro cara vestindo essa blusa! Até o perfume era agora desconhecido.
Foi então que Miranda abriu a porta e entrou. E ficou chocada com a cena da casa. Tudo estava espalhado pelo chão. Ela se abaixava se perguntando o que tinha acontecido enquanto recolhia algumas de suas coisas favoritas. Achou que houvera um assalto e foi se preocupar com Pedrão. Ele estava só um farrapo esticado no sofá e com uma cerveja na mão. Se ela pudesse contar, no chão havia umas quinze latinhas amassadas.
- Mas o que aconteceu aqui?! Você tá bem amor?!
- Que aconteceu... sua sem vergonha! Estou sabendo de tudo. Achou que eu nunca ia descobrir, não é?!
- Mas amor. Me desculpa. Eu ia te contar assim que chegasse aqui! É que eu fiquei com medo...
- E por isso contou pra rua inteira antes de mim, não é?! Agora vai ver só.
Avançou bruscamente para cima de Miranda.
Ela girou sua bolsa em frente à barriga para se defender e todos os documentos e papéis ficaram esparramados pela escada.
- Você está bêbado!
Irado empurrou-a. Mas ela desequilibrou para baixo. Miranda saiu rolando e batendo com a cabeça.
Em prantos e ódio ele procurou entre os papéis algo que desculpasse a própria consciência. Miranda ainda gemia de dor. Ouvindo se compadeceu e desceu correndo arrependido. Chorando muito ele a beijava, limpava o sangue que não parava de sair e perguntava sem obter resposta.
- Por quê? Por que você me traiu?
Em meio aos papeis ensanguentados pelo chão ele viu o que estava em sua mão.
Em silencio sofria atônito com o resultado do exame...
            Ela tinha sonho de ser mãe.
 


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