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   > O preço que se paga



Geovani Silva
      CONTOS

O preço que se paga

 
Foi entrando novos funcionários pelo grande setor de produção da empresa. O homem que estava incumbido de apresentar o lugar mal tinha vontade própria. Murmurava uma coisa e outra frustrando seus expectadores. Tinha se levantado de sua cadeira confortável apenas para substituir algum incompetente que faltara naquele dia.
Voltava a se sentar em sua mesa diante o computador. Ali arrumava o corpo e estufava o peito. Conferia seu email. Tomava café. Respondia o email. Falava um palavrão. Entrava no arquivo e mandava imprimir. A impressora mascava. Ele xingava a secretaria e socava a mesa. A mulher olhava para baixo com medo de ser despedida. Consertava os papéis mal colocados por ele mesmo na impressora. Começava a funcionar. Ela o olhava numa atitude de espera. Ele a mandou procurar o que fazer. De repente começou a dar risadas e mais risadas até gargalhar. Chorando de tanto rir pegou seu paletó e saiu pela porta da empresa. No estacionamento observava sua secretária sorrindo feliz com suas amigas. Sua face se transformou de tristeza e seu lábio se contorceu em desaprovação enquanto dirigia seu importado. Viu duas mulheres na esquina parou o carro e as chamou.
Chegando em casa logo sua mulher já o cercava.
― Você não vai acreditar o tempo que perdi hoje!
― Hum.―soltou seu murmúrio característico.
― Tive que ir até a escola porque seu filho bateu na coleguinha e quebrou o notebook da professora! Edgar só tem sete anos! Você acredita?! Onde ele tá aprendendo essas coisas?
― É porque você não o ensina direito! Já cansei de falar! Pô!
― Ah, é?! Acha que só eu tenho que ensina-lo? Você é pai também! Cadê a sua responsabilidade?
― Eu tenho que trabalhar para sustentar seus gostos e luxos. Então cala a boca e faz a sua parte! Ah, sai pra lá, seu cachorro lambão! Ainda mato esse cachorro. Urinou de novo no meu chinelo. Mas que droga!
Subiu com raiva para o escritório.
― Não acredito. Pago caro por essa escola pra ficar ouvindo isso!
Ligou o computador e acessou um monte de porcarias como de costume. E dizia para desculpar a consciência que sua mulher era fria. Ela é que era a culpada. Também aquele monte de idiotas lá da empresa. Nem sei o que eles tem haver, mas não gosto deles mesmo assim. Pensava chateado.
Desceu e tomou banho.
― Cadê o menino?
― Está de castigo no quarto.
Andou até lá e parou para ouvir o que o menino falava.
― Toma! Toma! Toma seu bobão! Seu lambão!
Abriu a porta e levou um choque. Porque o garoto havia acabado de matar o cachorrinho. Estrangulou com o cinto do pai. Ele se sentou na cama do filho e olhava os olhos dele e começou a chorar copiosamente. Porque ele se viu no menino. O garoto deu um tapa na cara do pai e gritou:
― Levanta seu molenga! Cala a boca! Homem não chora!
 


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