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   > A mulher do vizinho



Geovani Silva
      CONTOS

A mulher do vizinho

Bella era loira e tinha fascinantes olhos verdes. Tinha uma filha que lhe era colada em beleza. Casada e mal amada por um homem tosco que lhe agredia.
O vizinho nunca entendia porque aquele idiota do seu marido não a valorizava. Todos os dias a mesma cena: A mulher saía chorando de casa com o rosto vermelho de tanto apanhar na cara. Seus olhos estavam borrados pela maquiagem e roxos.
― É que tenho segredos e por isso ele me bate. ― dizia ao vizinho interessado.
― Seja qual for seu segredo, mulher nenhuma merece apanhar de homem.
Ela lhe acariciou a perna enquanto lhe pedia:
― Me ajuda... Só porque tenho um vício... Não aguento mais essa vida!
― Pode deixar que vou lá agora falar com
aquele imbecil!
― Não! Não agora! Pelo amor de Deus, não! Ele não está! Já saiu.
No outro dia o homem saía para o trabalho e batia em Bella. Chegava à noite e novamente batia.
O vizinho esperou-o em um caminho próximo a casa e indagou-se dele:
― Porque você bate em sua mulher? Cara! Você não é homem! Como pode fazer uma coisa dessas?
― E o que você tem haver com isso? Não é da sua conta!
― Escuta bem o que vou te falar! Da próxima vez que você encostar o dedo naquela mulher vai se ver comigo!
No outro dia cedo a mulher chorava com a boca cheia de sangue escorrendo. Estava só de camisola, quase nua batia na porta do vizinho. Ele ficou irado quando viu aquela beleza toda. Apaixonou-se mais. E perguntou se o danado ainda estava lá.
Chegou gritando o sujeito. Que saiu às pressas com um pau na mão para acertar o vizinho intrometido.
Em meio ao fogo o vizinho o acertou na cabeça e ele caiu. Parecia meio morto.
― Aí meu deus! Não se mexe. E agora?
― Vou pegar um saco grande para colocar.
― Mas o que vamos fazer com ele?!
― Me passe o saco. Me ajuda aqui.
―Vagabundo! Bate agora! Não é homem?
            A mulher deu-lhe um chute. Ele estava morto mesmo! Nem gemeu.
― Droga, não quer entrar dentro. Vou pegar uma corda e amarrar as pernas junto com os braços. Segura aqui!
Pegou uma pá e fez um buraco bem fundo lá no quintal.
― Mamãe! Por que aquele homem tá fazendo buraco no nosso quintal?
Perguntava a menina curiosa.
― Não é nada. Só tá vendo se acha água.
            ― Ah! Uma piscina? Que legal!
― É sim. Agora vai brincar, vai.
Passou o tempo, a poeira abaixou. Ninguém mais perguntou pelo homem. Sabiam que tinha ido embora para o interior a trabalho. Depois ela disse que ele a tinha deixado por outra mais bonita e jovem.
O vizinho a esta altura já estava com a loira. Planejavam tudo. E se casaram rápido. Ela era muito bonita e ele não podia perder a oportunidade. Nem se importava que Bella tinha filho. Pois havia se encantado de uma excitação extrema.
E todos os dias ele ficava pensando e sem entender porque o morto a espancava.
Virou homem trabalhador. Era de casa ao serviço e vice versa.
Foi que um dia passando muito mal resolveu ir embora mais cedo do serviço. Chegou em casa parecia não haver ninguém. A sua enteada  sempre o encontrava no portão. Mas dessa vez não viera.
Passou pela cozinha e tomou um comprimido para dor de cabeça. Ouviu um barulho lá em cima. Subiu pela escada e outro barulho. Vinha de dentro do quarto. Encostou a cabeça e o ouvido na porta. E um gemido característico o atordoou. Tirou-o de seu estado equilibrado. Teve sangue frio. Foi até a varanda e pegou uma barra de ferro que deixara ali a algum tempo. Subiu só com a força que o ódio lhe dava. Chutou a porta do quarto pegando todos os quatro de surpresa. Não dando nem tempo de perguntas ou respostas.
― Vagabunda!! Lembra quando te falei que nenhuma mulher merece apanhar de homem seja qual for a causa?! Pois é. Retiro o que disse!
  
(Atenção: isto é uma ficção. Apesar de ser uma verdade. Diga não a violência doméstica. Denuncie)


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