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   > Você esqueceu de me responder



Elberdan Barbosa Lopes
      CRôNICAS

Você esqueceu de me responder

   A pele sente o frio de uma quinta-feira mal resolvida. Os movimentos sanguíneos se adéquam a situação, mas isso eu deixo para depois. Eu conto o que há de mais evidente.
  Quando pensei na possibilidade que poderia vir, nem se passou pela minha mente que um dia seria real. Agora, rastejando sobre uma estrada de lembranças, cada cena é revivida enquanto há uma certa dispersão, deslocando-me para aquelas inesquecíveis memórias registradas e nunca apagadas, contendo as causas e acertos, entrelaçados na sensação daquele seu abraço que me transportava para uma outra dimensão, jamais explorada por um outro indivíduo, além mim.
   Lembro tão vivamente daquela sua frase: “Diga que somos eternos, e faremos nosso próprio infinito, dentro de todos os acontecimentos que registraremos no acontecer dos tempos”, fomos conectados nos pequenos atos que sensibiliza nossas ações, e não importa quantas vidas passarem, haverá sempre um lanço ideológico e surreal, ligando-nos até o final de todas as existências.
    Houve uma estrada mostrando o certo e o errado, e escolhemos viver sobre o perigo, e acho que você se perdeu... O mundo nos trouxe tantas alternativas, vivemos intensamente sem saber, desafiando os limites incontáveis, apreciando a leveza e a dor. E de mãos dadas, confiando nos nossos passos, vivemos a melhor era de todos os tempos sem desperdiçar.
    Acho que ninguém entendeu.
    Acho que ninguém nunca entenderia.
    Só se entende aquilo que se vive, ou subentende.
    As décadas se passaram, na mesma intensidade que fomos conhecendo na prática a tal ‘distância’.  Mas eu não tive culpa desse resultado, talvez foram as interferências externas, nossa evolução, ou foi apenas uma ‘coisa da vida’. Eu me culpei tanto, ah, como me culpei... Para poupar de te culpar. Minha possessividade não permite vê teus defeitos, e não quero mesmo enxergar, é necessário tê-lo com a mais incrível das perfeições, e não admito que nenhum pensamento qualquer possa te destruir da minha mente, isso seria o mesmo que apagar metade de mim.
   Por todos esses anos vivi exclusivamente em função da minha fraca e clichê esperança de voltar o tempo e poder mudar tudo. Por mais que tentei camuflar meus sentimentos buscando você em outras pessoas, jamais consegui achar, e era uma busca insana e constante, sempre finalizada pela decepção óbvia. Depois me dei conta o quanto involuntariamente me tornei exatamente como você, os mesmos gostos, jeito, formalidade... Foi a forma que encontrei de eternizar você dentro de mim.
   O que seria aproveitar o 'agora'? Se souber, clamo que me ensine. Realmente, não sei se aprecio mais o antes do que o depois. Porém, enquanto foi 'o agora', juro que eu usufruía cada ação emitida por você, fiz questão em prestar atenção nos seus detalhes,  cheiro e sabor. Sabe, o pior é que nunca vou ter de volta toda aquela situação domada, me restou apenas resquícios das suas incógnitas.
   Nunca mudei pelo o outro, mas mudei com o outro, e o outro não é mais ‘um outro’. Vai além, talvez mais do que eu confiava. E pensando por outro ângulo, o 'outro' não existe mais, o tempo o modificou. Sem querer perdemos ou acrescentamos características. Posso concluir então que não te conheço mais, e isso é tão triste.
  Poderíamos juntos ter evoluído, formar nossas dimensões
  Vendo você de longe, senti minha alma grudada no seus atos e, logo fiquei ali mesmo, observando cada passo (eu já sabia todos) do próximo até o último, eu sorria. Um dia nós sorriamos, porque havia felicidade. Meus sorrisos agora são consequências do relembrar, são sorrisos sequentes de silêncio. Um silêncio pesado e ofegante, num lugar sem esconderijo, me puxando para o antônimo do amor.
   Após tantos anos, ainda estou no mesmo lugar, onde você me deixou sem respostas para os próximos segundos... Esperei muito, minha espera será longa. Ainda espero.
   A saudade ficou, guardei em uma caixinha, na qual andei por aí, tentando esconde-la ou até mesmo perde de uma vez, mas não consegui tirar das minhas mãos. Foi fraqueza, eu sei.
   Possibilidades existem. Alternativas insistem, e acho que desistir seja o mais adequado.
   De qualquer forma, sumir.
   Seja feliz.



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