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   > FORÇA E INTELIGENCIA



Silvana Lemes de Souza
      CRôNICAS

FORÇA E INTELIGENCIA

     Força e inteligência são duas palavras distintas e altivas. Recordo-me de ter lido algo sobre a ciência e a filosofia onde o autor discorre sobre as palavras afirmando que a filosofia sem a ciência é cega ou vice versa. Pensando nessa afirmação resolvi parafrasear o autor, porém discorrendo sobre a força e a inteligência. Dessa forma estando convicta e certa afirmo que a força desprovida de inteligência é cega e a inteligência desprovida de força é simplesmente morta.
    Há tempos tenho observado o comportamento dos animais racionais, irracionais, dos insetos e algo em comum entre eles me chamou a atenção, pois bem, justamente a questão da força e da inteligência que permeiam as relações e interações sociais entre essas categorias.
       Tomemos como exemplo o homem, o leão, a formiga, a abelha e o cupim; provavelmente o leitor deve estar se perguntando, afinal o que eles tem em comum? Embora possa transparecer que não tenham nada, eles tem exatamente as duas palavrinhas mágicas: força e inteligência.
    Na comunidade dos felinos, a fêmea toma a frente das decisões e sai em busca de uma presa que possa alimentar seu grupo. O mais interessante é que as leoas são verdadeiras estrategistas, elas analisam o terreno, a vegetação, a direção do vento e de forma extremamente inteligente deixam uma leoa em direção oposta ao vento para despistarem a presa conseguindo finalmente encurralar sua presa. Assim que pegam sua caça, levam para o macho se alimentar, depois as leoas mais fortes comem, na sequencia as leoas mais fracas e por fim os filhotes.
    Os leões por sua vez embora fortes, são caçadores oportunistas e só conseguem ser bons estrategistas em matanças em grupo. Pela sua força tem uma função específica no bando, que é justamente proteger o grupo.
      Nesse caso podemos afirmar que as fêmeas possuem força e inteligência e os machos a força. Isso é passado de geração em geração, eles não precisam de documentos escritos firmados em cartório para conseguirem sobreviver e conviver na sociedade animal.
     Vejamos o caso das abelhas, elas estão divididas em castas e as fêmeas dominam. A rainha é o inseto de maior porte entre as abelhas, está sempre acompanhada de suas operárias que são bem menores que a rainha; elas tem a função de alimentar a rainha e os zangões. O zangão por sua vez faz parte do último escalão nas colmeias tendo a função de copularem com a rainha. O mais interessante é a força e a inteligência da rainha, pois copula em média com 10 a 20 zangões durante o voo de núpcias e quando a colmeia esta em período de escassez de alimento os zangões são expulsos das colmeias pelas fêmeas.
       Podemos afirmar que as abelhas também formam uma sociedade de fêmeas fortes e inteligentes, pois tratam logo de expulsar os machos para não caírem em desgraça por falta de comida.
   As formigas por sua vez formam uma sociedade extremamente organizada em hierarquias; a rainha tem a função de reprodução, tendo abaixo dela as formigas sentinelas que cuidam da segurança do formigueiro. As operárias cavam túneis, buscam comidas para toda a colônia, as formigas enfermeiras cuidam das larvas.
     Vejam só a inteligência desses pequenos insetos e a força descomunal que possuem, pois geralmente carregam peso muito superior ao seu peso e tamanho, e tudo corre na mais perfeita harmonia, onde cada um sabe qual a sua função e nunca desobedecem as regras.
      Outra comunidade forte e inteligente é a dos cupins, que estão divididos entre operários, soldados e reprodutores alados. Os operários são responsáveis por todas as atividades rotineiras da colônia, como buscar alimentos para todos, construção e conservação do ninho, eliminação dos cupins doentes e dos mortos, nocivos à colônia, bem como cuidam dos ovos. Os soldados guardam os ninhos, as operárias e ainda expulsam intrusos, os reprodutores alados por sua vez imprimem em seus nomes as  suas funções.
       Não é preciso dizer o quanto são inteligentes e fortes, pois conseguem em tão pouco tempo destruir madeira, concreto, e outros materiais aparentemente resistentes. Também constroem seus cupinzeiros em tempo recorde. São indubitavelmente fortes e inteligentes para construírem tão perfeita moradia e eliminarem tudo que representa perigo ao grupo.
      Por fim vejamos o animal dito racional, o tão famoso ser humano. Enquanto os irracionais e insetos possuem força e inteligência cada qual em sua espécie e geralmente são comandados pelas fêmeas acrescento ainda o fato de serem extremamente organizados sem necessitarem de leis,  vivem em perfeita harmonia e equilíbrio com os de suas espécies e com a própria natureza.
   O bicho homem dito forte ou inteligente, reitero a afirmação em virtude do homem não conseguir reunir essas duas qualidades ao mesmo tempo; com sua força de dominação construiu prédios, monumentos, arquiteturas e outros com sua inteligência criaram leis, inúmeros códigos e incisos, criaram projetos, teorias, plantas de construções magníficas e o principal: criam regras para a escolha de quem os irá governar.
     Eles criaram escolas, hospitais, prisões, estádios, fizeram descobertas milenares, como o fogo, a roda, inventou a imprensa, descobriu cura e hoje encontra-se no auge da tecnologia da informação e comunicação tudo em cadeia global. Entretanto como já disse, não conseguiu aliar força e inteligência para conseguirem viver, conviver e sobreviver em sociedade.
   Com tantas leis, regras e normas não conseguem obedecer um milésimo delas. Com tantos cargos e profissões criados ainda conseguem manter muitos aquém da sociedade. Com tantas construções, muitos não têm moradia; com terra e água em abundancia, pessoas morrem de sede e fome. Com tantas mulheres existentes no planeta, poucas assumem cargos de grande prestígio.
      E finalmente com tantos seres ditos pensantes no Globo terrestre e que aliás datam sua existência há milhões de anos, nossa força e inteligência ainda é tão primitiva que não dominamos a capacidade de escolher quem nos governa.

Silvana Lemes de Souza



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