Busca: 

Apelido:

Senha:


Esqueci minha senha
 
  Área do autor

Publique seu texto
  Gêneros dos textos  
  Artigos (651)  
  Contos (939)  
  Crônicas (730)  
  Ensaios (169)  
  Entrevistas (35)  
  Infantil (202)  
  Pensamentos (640)  
  Poesias (2496)  
  Resenhas (129)  

 
 
Será o Benedito?
Airo Zamoner
R$ 10,80
(A Vista)



O quintal
Airo Zamoner
R$ 17,40
(A Vista)






   > Metafísica do Celular



Lucas Moraes
      CRôNICAS

Metafísica do Celular

Estamos condenados a não ter tempo para nada, inexoravelmente condenados. Sempre precisamos estar em algum lugar, fazendo, terminando, indo, chegando; o que você faz em seu tempo livre? Não me interessa e na realidade não importa. Cada um sabe como deve desfrutar o tempo livre e, independente da escolha, ninguém sai impune do júri da sociedade moralista.

 
A preferência unanime das pessoas, na ultima década, é o celular. É praticamente tangível a perda nas relações humanas. É bem possível que você esteja deixando de conhecer pessoas que estão ao seu lado em troca de uma de uma distração desinteressada e efêmera; há a chance das pessoas que componham o seu pequeno mundo do cotidiano não sejam tão amistosas ou até mesmo convidativas para uma conversa. Completamente compreensível, mas será que houve uma tentativa de aproximação? Toda pessoa tem um lado interessante, todos temos pontos de tangência nas nossas vivencias, todo mundo tem algo interessante para compartilhar que você nunca viveu ou nunca viverá. Pense nisso.

 
Ainda assim o celular pode parecer mais interessante, afinal de contas a pessoa por quem estou enamorado está do outro lado ! Há certas coisas que não podem esperar para serem faladas, ainda mais com essa possibilidade na palma da mão, mas insisto que todas as outras devem ser guardadas para a intimidade da conversa presencial. Quando se tem um diálogo cara a cara vemos com clareza cada reação do interlocutor, cada gesto, cada movimento, de acordo com cada interação nossa. Nada se perde nos olhos do atento.

 
Os gregos acreditavam em Zeus que, em inúmeras características, é diferente do Deus cristão. Zeus fez uma aliança com os irmãos, travou uma guerra contra os titãs para salvar a própria vida e assim se tornar o rei do cosmos e déspota das atribuições individuais de tudo e de todos. A divisão era feita de uma maneira justa: quanto mais se ajudou na guerra maior e mais sérias eram as atribuições. Cada um tem o lugar ideal para cumprir o papel estipulado por Zeus, tarefa com qual entrará na ordem do cosmos. Algo que os gregos chamavam de aretê.

 
Como saber nosso lugar ideal? Muito difícil. Pessoas vivem vidas inteiras e não descobrem. Viver em alinhamento com o cosmos de Zeus não é sinônimo de alegria constante, mas é algo facilita a passagem na terra.


E o que isso tem a ver com o celular? Basicamente tudo.A vida é uma experiência constante: como você sabe que não gosta de algo, alguém ou alguma coisa? Testando, descobrindo, experimentando. Para saber que tipo de encontros lhe agradará na vida é necessário dar a oportunidade para algo acontecer.

 
No templo de Apolo em Delfos havia a inscrição, atribuída a inúmeros pensadores gregos, “Conhece-­te a ti mesmo”. Esta frase é sinônimo de debate até hoje por ser altamente interpretável. Prefiro um olhar mais simplório: saiba os teus gostos e desgostos, saiba com quem conversar, saiba o que lhe agrada e desagrada para assim tentar ter uma vida alinhada com o cosmos e um pouco melhor.

 
Largue o celular.


CADASTRE-SE GRATUITAMENTE
Você poderá votar e deixar sua opinião sobre este texto. Para isso, basta informar seu apelido e sua senha na parte superior esquerda da página. Se você ainda não estiver cadastrado, cadastre-se gratuitamente clicando aqui