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   > OS NÔMADES E O SOBERANO



Luiz C. Lessa Alves
      CRôNICAS

OS NÔMADES E O SOBERANO

OS NÔMADES E O SOBERANO
 
Dois beduínos se perderam no deserto e cedo ficaram sem água e sem comida. Enquanto José lamentava por sua família, o solitário João preocupava-se, apenas, com Soberano; um camelo que sempre esteve ao seu lado.
Numa das paradas exigida pelo cansaço, João acordou de repente e saiu correndo em direção ao animal. Chorando, abraçou-o e o beijou. Maldosamente, José alertou ao amigo que o animal era macho! Imediatamente, João se apressou em se explicar. Contou que sonhara com Soberano chegando a eles, trazendo-lhes água e comida com abundância e depois morria.
Apesar da situação lastimável de ambos, José ainda teve ânimo para a galhofa:
- Então homem! Pega o pano e o pote, põe em baixo, porque tá na hora dele cagar e mijar!
Há dias eles vinham aparando as fezes e a urina do animal e espremendo com um pano para beberem o sumo fecal. Nojento! Mas, de certa forma, era isso quem vinha mantendo-os hidratados: vivos, consequentemente!
Nas horas que se seguiram, os dois não pararam um só instante de comentar e analisar o sonho.
Ao amanhecer do dia seguinte, José pede para João acordar. Este, sem abrir os olhos, disse-lhe:
- Amigo, não tenho mais forças! Vá e cuida bem de Soberano por mim: vou ficar e morrer por aqui mesmo.  
- Sorrindo, José grita para o amigo:
- Levanta homem! Soberano nos trouxe água e carne à vontade!
- Verdade?! E cadê ele?
- Bem... Soberano fez isso e se suicidou depois - respondeu José.   
 
A história acima se identifica com o eleitor brasileiro. Este, há anos, segue comendo as fezes e bebendo a urina de“alguns camelos Soberanos”. A nação teve, no último dia 5 de outubro, chance de matá-los, tirar a água das suas corcovas e petiscar das suas carnes; não o fez, vai, portanto, por mais quatro anos, sobreviver dos seus sumos fecais.
                                                           18/10/14  

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