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   > A teoria do desenvolvimento em Piagget



Ana Carolina Araújo Nascimento
      ARTIGOS

A teoria do desenvolvimento em Piagget

A TEORIA DO DESENVOLVIMENTO EM PIAGET
 
Ana Carolina Araújo Nascimento
Luciana da Silva Mendes
 
RESUMO
Este trabalho versa sobre a teoria do desenvolvimento de Jean Piaget, biólogo suíço que observou a unidade estrutural do desenvolvimento cognitivo do ser humano através dos períodos: período sensório motor, pré-operacional, operações concretas e operações formais e dos conceitos fundamentais: esquema, assimilação, acomodação, equilibração e operação. 
Palavras Chave: Assimilação, acomodação, esquema, equilibração, estágio de desenvolvimento.
 
RESUMÉN
Este trabajo versa sobre la teoría del desarrollo de Jean Piaget, biólogo suizo que observó la unidad estructural del desarrollo cognitivo a través de los períodos: período sensorio motor, pre-operacional, operaciones concretas y operaciones formales y de los conceptos fundamentales: esquema, asimilación, acomodación, equilibración y operación.
Palabras clave: asimilación, acomodación, esquema, equilibración, etapas de desarrollo.
 
 
 
 
 
 
  1. INTRODUÇÃO
 
É indiscutível que a teoria do desenvolvimento é um mote intrigante e que desperta interesse nos estudiosos da Psicologia por se tratar de um tema que orienta diversas práticas educacionais. Os psicólogos do desenvolvimento - Piaget, Vygotsky, Erikson, Freud, Sullivan, Skinner e outros - enfrentaram desafios para sustentar suas teorias e muitas são as contribuições teóricas que ajudaram a fomentar uma discussão sobre esse assunto.
De acordo com tais pensadores, diversas são as possibilidades do desenvolvimento humano - biológicas, sociais, afetivas ou cognitivas – entretanto o que será discutido  nesse trabalho é o fator biológico estudado por Jean Piaget, que observou o desenvolvimento da inteligência nos seres humanos e contribuiu em larga escala para o que hoje é conhecido como epistemologia genética – entendida como o estudo dos mecanismos do aumento dos conhecimentos (VITÓRIA,1995).
O que é pretendido nesse trabalho é apresentar uma altercação sobre tal abordagem feita por Piaget desde o ponto de vista educacional, pois se sabe que a sua contribuição para a psicologia da educação alavancou os estudos que hoje são alicerce para a teoria cognitiva. “A teoria cognitiva de Jean Piaget exerce hoje relevante papel em todas as áreas da psicologia e principalmente nos campos aplicados da educação e da psicoterapia” (ROSA, 1983).
Desta maneira, a eleição desse tema se dá por se tratar de uma temática de destaque especial no âmbito educacional e pela importância que tal estudo tem para a compreensão do processo do desenvolvimento e da evolução humana.
 
 
 
 TEORIA DO DESENVOLVIMENTO EM PIAGET
 
Ana Carolina Araújo Nascimento
Luciana da Silva Mendes
 
1.      O DESENVOLVIMENTO HUMANO
 
O desenvolvimento humano é um processo que se estende durante todo o período da existência do homem, pois resulta das experiências e adaptações que este sofre no ambiente com que entra em contato. Segundo Cória-Sabini (2008) os estudiosos se preocupavam em descrever e explicar o desenvolvimento humano observando as transformações que ocorrem no modo de pensar, sentir e agir ao longo da vida, isto é, a relação do aprendizado era baseada entre o tempo e a existência humana.
Tais estudos da psicologia evolutiva funcionam como aparato para a compreensão do ser humano em todos os seus aspectos desde o nascimento até a sua maturidade, porque servem como uma análise mais vertical do comportamento.
“A psicologia evolutiva, ou psicologia do desenvolvimento, estuda os aspectos cognitivos, emocionais, sociais e morais da evolução da personalidade, bem como os fatores determinantes de todos esses aspectos do comportamento do indivíduo. Podemos dizer que a psicologia do desenvolvimento se preocupa tanto com as semelhanças como com as diferenças observadas no comportamento humano, através de toda a vida do indivíduo.” (ROSA, 1983, p.11).
Para se entender a questão referente ao desenvolvimento é necessário salientar a diferença entre crescer e desenvolver. Ambos os processos fazem parte da evolução humana, entretanto se distinguem por conter em suas instâncias aspectos que os dissociam.  De acordo com Rosa (1983), o crescimento é um processo quantitativo, ou seja, trata-se do aumento físico das proporções corporais; ao passo que desenvolver significa observar os aspectos qualitativos e adaptativos, isto é, neste caso existe uma maior capacidade de coordenação de movimentos e de usos.
De acordo com Goulart (1979, p.69),
“O desenvolvimento inclui, portanto, as modificações de percepções, sentimentos, valores, habilidades, atitudes, compreensão desde a concepção até a morte com sentido de adaptação progressiva. O desenvolvimento deriva de dois processos complementares: a maturação e a aprendizagem”.
Entende-se, portanto que o crescimento é um processo que alcança seu término quando o homem chega a uma maturidade biológica, enquanto que o desenvolvimento é um processo contínuo, que acompanha o ser humano através de toda sua existência. Entretanto é necessário salientar que nem sempre estes processos ocorrem de maneira separada, pois em determinados momentos eles são inseparáveis. “Através de toda a vida como organismo biopsicológico, o homem tem que ajustar-se a mudanças causadas pelas transformações do seu próprio corpo e pelos fatores do meio em que vive” (ROSA, 1983, p.41).
 Segundo Cória-Sabini (2008) para entender os estudos quantitativos e qualitativos do desenvolvimento é necessário compreender que a psicologia estudou e observou que existem três pilares que fundamentam estes processos. O primeiro enfatiza a descrição da gênese e das mudanças das condutas psicomotoras, afetivas, cognitivas e sociais, que ocorrem ao longo da vida, o segundo item versa sobre os fatores que afetam o desenvolvimento das condutas e o terceiro aborda a identificação de estágios ou fases no desenvolvimento.
 
1.1  O DESENVOLVIMENTO HUMANO SEGUNDO PIAGET
 
Vários estudiosos como Piaget, Vygotsky e Wallon se dedicaram e aprofundaram seus estudos sobre a problemática do desenvolvimento humano. Estas teorias compõem o rol do interacionismo, que postula que a aprendizagem se dá através da integração entre o individuo e seu objeto de estudo (Roque, 2010).
Piaget postula que o conhecimento é inerente ao próprio sujeito e que este pode passar de um nível menor para um nível maior do conhecimento. Essa máxima foi batizada por epistemologia genética do conhecimento, por se tratar de estudos que levam em consideração os fatores biológicos, uma vez que Piaget era biólogo e lhe interessavam as questões referentes à biologia.
“Em linhas gerais, a teoria piagetiana é apresentada como uma versão do desenvolvimento cognitivo nos termos de um processo de construção de estruturas lógicas, explicada por mecanismos endógenos, e para a qual a intervenção social externa só pode ser “facilitadora” ou “obstaculizadora”. Em poucas palavras, uma teoria universalista e individualista do desenvolvimento, capaz de oferecer um sujeito ativo porém abstrato (“epistêmico”), e que faz da aprendizagem um derivado do próprio desenvolvimento” (CASTORINA, 2012, p.12).
A teoria de Jean Piaget vem sendo estudada há muito tempo para que seja possível entender como funcionam as questões referentes ao desenvolvimento da inteligência e o próprio desenvolvimento do ser humano enquanto construtor do seu processo simbólico e abstrato de entender e compreender o mundo a sua volta. Para Piaget a inteligência não deveria apenas ser medida pela quantidade de assertivas corretas dadas num determinado teste, e sim deveria ser medida através de um acompanhamento do pensamento da criança levando em consideração sua capacidade de adaptação.
Segundo Cória-Sabini (2008, p.32-33),
“A inteligência para Piaget é uma estrutura biológica e, como as demais tem a função de adaptar o organismo às exigências do meio... Outro aspecto relacionado à natureza biológica da inteligência é que ela tem uma organização interna característica como as demais estruturas biológicas... A inteligência é organizada, assim como o aparelho digestivo o é. O meio ambiente, análogo ao alimento ingerido, afeta o organismo e é afetado por ele.”
A partir do desenvolvimento da inteligência, o ser humano, segundo os estudos de Piaget, agrupa as informações que recebe do meio e as organiza em esquemas mentais, que são entendidos como unidade estrutural do desenvolvimento cognitivo. Essas organizações, que são denominadas esquemas, vão se tornando mais complexas de acordo com o crescimento do indivíduo e são considerados ponto de partida para a maturação do conhecimento.
Para Rosa apud Flavell (1963),
 “um esquema é qualquer conjunto de ação coordenada com objetivo bem definido, qualquer sequência repetível e inter-relacionada de atos que tem uma significação central... O esquema é móvel no sentido de que pode funcionar em várias situações e com relação a diferentes objetos. Esquemas, portanto, são estruturas cognitivas de adaptação que permitem a coordenação de ações para fim específico em diferentes maneiras e em diferentes condições.”
Segundo a teoria piagetiana o processo de aprendizagem engloba conceitos que são fundamentais para que o indivíduo consiga tomar posse do conhecimento com que entrou em contato. Para tanto, Piaget lança mão de dois conceitos importantes que são: assimilação e acomodação.
De acordo com Cória-Sabini (2008, p.32) o processo de assimilação ocorre quando o individuo consegue incorporar aos esquemas mentais já existentes novas experiências, ou seja, reconhece alguma coisa como diferente. Este processo permite que haja a interpretação através da retirada de informações novas e traz ao individuo a capacidade de modificar a estrutura mental antiga em detrimento da nova.
Já o processo de acomodação, ainda segundo Cória-Sabini (2008, p.32) é o processo pelo qual o individuo modifica suas estruturas mentais antigas para dar conta do novo, ou seja, é o momento em que ocorre a modificação de um esquema prévio como resultado de novas experiências. Entretanto vale ressaltar que estes processos são complementares e fazem-se presentes durante toda a vida do individuo, num balé dialético entre o equilíbrio e o desequilíbrio.
“No processo de desenvolvimento mental deve dar-se a resolução da tensão entre assimilação e acomodação, ou seja, o conflito entre o uso de velhas respostas a novas situações e a aquisição de novas respostas que dão ao organismo condições de adaptar-se  a novos problemas. A esse processo Piaget chama de equilibração’ (ROSA, 1983, p. 140).
Este processo de equilibração garante a estabilidade das estruturas cognitivas, possibilitando ao indivíduo a interação dele com o ambiente e a passagem de um nível de conduta para outro, funcionando como elemento autorregulador, garantindo a qualidade do raciocínio nos diferentes estágios.
De acordo com Terra (2013),
“A equilibração é um fenômeno que tem em sua essência, um caráter universal, já que é de igual ocorrência para todos os indivíduos da espécie humana, mas que pode sofrer variações em função de conteúdos culturais do meio em que o individuo está inserido.”
A este processo de equilibração Piaget outorgou determinada relevância, pois possibilita que haja uma integração entre os processos de assimilar e acomodar, deixando claro que ambos conduzem ao fortalecimento das estruturas cognitivas. Para avançar em seus estudos Piaget organizou o processo de maturação do desenvolvimento em quatro estágios que serão tratados a seguir.
 
1.2  ESTÁGIOS DO DESENVOLVIMENTO
 
Estudos feitos por Jean Piaget comprovaram que a construção da inteligência acontece em etapas sequenciadas e em diferentes níveis de estruturação lógica, entretanto estas etapas sofrem variações de início e término em função das características das estruturas biológicas de cada indivíduo (Terra, 2013). Piaget organizou estas etapas observando as novas qualidades do pensamento e enfatizou que são sequenciadas não havendo a possibilidade de transposições entre elas.
 
1.2.1        PERÍODO SENSÓRIO-MOTOR (0 A 2 ANOS)
 
Piaget denominou esta fase como estágio da inteligência sensório-motora, porque nesta etapa existe uma ausência da linguagem e a criança utiliza a inteligência prática; representa o mundo em função dos seus julgamentos e sensações. “Neste período a criança desenvolve a capacidade de olhar para as coisas que se encontram ao seu redor” (ROSA, 1983, p.140).  Podemos dizer que esse é o período do processo geral de adaptação da criança ao meio físico.
 
 
1.2.2        PERÍODO PRÉ-OPERATÓRIO (2 A 7 ANOS)
 
Esta fase é caracterizada pela aquisição da linguagem, que acarreta na modificação dos aspectos intelectuais, sociais e afetivos da criança. “A linguagem é uma característica importante dos seres humanos. Pela linguagem transmitimos às outras pessoas nossos sentimentos, pensamentos e emoções” (CÓRIA-SABINI, 2008, p.54). Nesta fase a criança desenvolve o animismo, a irreversibilidade, o egocentrismo e o pensar, mas não pensa a respeito do seu pensamento.
 
1.2.3        PERÍODO DAS OPERAÇÕES CONCRETAS (7 A 12 ANOS)
 
Nesta fase o egocentrismo da criança cede lugar para que aconteça o estabelecimento de  relações e a criança admite diferentes pontos de vista. “O processo de socialização exige que a criança entre no mundo dos adultos, com a aprendizagem de habilidades que lhe serão úteis no futuro” (CÓRIA-SABINI, 2008, p.81). Vale ressaltar que neste período são agregados valores grupais e sentimentos como orgulho, lealdade e solidariedade.
 
1.2.4        PERÍODO DAS OPERAÇÕES FORMAIS (DE 12 ANOS EM DIANTE)
 
Este é o ápice do desenvolvimento da inteligência, pois o individuo tem a capacidade de produzir esquemas abstratos e consegue lidar com conceitos e dados da realidade.  Segundo Almada (2013), esta é a “fase em que o adolescente constrói o pensamento abstrato, conceptual, conseguindo ter em conta as hipóteses possíveis, os diferentes pontos de vista e sendo capaz de pensar cientificamente” Sendo assim, o que se pode observar é que tais estágios representam as modificações e transformações que o ser humano passa no decorrer de sua existência, podendo ser percebidas através das faixas etárias sucessivas, muito embora seja necessário alertar que essa ordem cronológica possa variar, dependo de certos limites.
 
 
 
 
 
2.      CONCLUSÕES
A partir das leituras feitas acerca da teoria do desenvolvimento observou-se que Jean Piaget foi o precursor das teorias cognitivas que possibilitaram interpretações e compreensões acerca das modificações do desenvolvimento humano. Fica claro que a intensão de Piaget foi analisar as transformações decorrentes do processo de formação da inteligência através dos estágios de desenvolvimento, sofridos por todas as pessoas ainda que com algumas diferenças por conta dos fatores sociais, culturais e do meio ambiente.
Pode-se afirmar que as ideias de Piaget representam um salto para as teorias do desenvolvimento, pois através de suas pesquisas podem ser promovidas inúmeras reflexões que constatam que a aprendizagem é feita por níveis e cada etapa é preparatória para o desenvolvimento da outra. “Todo conhecimento pressupõe uma organização que só os esquemas mentais do sujeito podem efetuar” (CÓRIA-SABINI, 2008, p.140).
Desta maneira conclui-se que o desenvolvimento humano é um processo longo e contínuo que pressupõe mudanças, uma vez que a cognição irá se transformando em virtude da experimentação.
 
 
 
 
 
 
 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
 
ALMADA, Ana. Teorias de Piaget e Vygotsky. Disponível em . Acesso em: 02 de maio de 2013.
CASTORINA,José Antonio; FERREIRO, Emilia; LERNER, Delia; OLIVEIRA, Marta Kohl. Piaget-vygotsky – Novas Contribuições para o debate. 6ª ed.;Editora Ática,2012.
CÓRIA-SABINI, Maria Aparecida. Psicologia do Desenvolvimento. 2ª ed.Saõ José do Rio Preto: Editora Ática, 2008.
GOULART, Irís Barbosa. Fundamentos Psico-biológicos da Educação: 2º grau. Belo Horizonte: Editora Lê, 1978.
GONÇALVES, Renata. Piaget e Vygotsky – diferenças e semelhanças. Disponível em: . Acesso em: 25 de abril de 2013.
LA TAILLE, Ives. Piaget e a Psicologia do desenvolvimento. Disponível em: . Acesso: 25 de abril de 2013.
ROSA, Merval. Psicologia Evolutiva – problemática do desenvolvimento. Petrópolis: Editora Vozes, 1983.
ROQUE, Walkiria. Piaget, Vygotsky e Wallon – Tripé teórico da Educação. Disponível em: http://www. walkiriaroque.com/2010/11/20/Piaget-vygotsky-e-wallon-tripe-teorico-da-educacao-2/. Acesso em: 28 de abril de 2013.
TERRA, Márcia Regina. O desenvolvimento humano na teoria de Piaget. Disponível em: . Acesso em: 28 de abril de 2013.
Teorias do desenvolvimento humano. Disponível em: http://supervisaoclinicanaenfermage.wikidot.com/teorias-do-desenvolvimento-humano. Acesso em: 28 de abril de 2013.
Teoria do desenvolvimento.Disponível em: . Acesso em: 28 de abril de 2013.
VARGAS JÚNIOR, Levi. Síntese das concepções das teorias interacionistas de Piaget e Vygotsky. PORTAL EDUCAÇÃO – cursos online: mais de 1000 cursos online com certificado. http: // . Acesso em: 25 de abril de 2013.


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