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   > Por uma igreja mais companheira



GILDEI SANTANA SANTOS
      ARTIGOS

Por uma igreja mais companheira

  Por uma igreja mais companheira – Romanos XVI
 
O capitulo XVI de Romanos já foi intitulado como a “Galeria dos crentes da igreja primitiva” possivelmente uma referencia ao capitulo XI de Hebreus onde é apresentada a galeria dos Heróis da fé. Os personagens em Romanos não tiveram tanta notoriedade como os citados em Hebreus, mais isso não diminui a importância desses crentes para o desenvolvimento da nossa fé. Como podemos ver no capitulo XVI alguns personagens foram elencados juntamente com as suas respectivas qualidades as quais sem duvida devem ser cultivadas pela igreja contemporânea. Dentre essas qualidades aqui destacaremos a que se encontra no versículo sete: “Saudai Andrônico e Júnias, meus parentes e companheiros de prisão...” É importante que saibamos a origem da palavra companheiro e seus possíveis significados, pois, será entorno dela que desenvolveremos a nossa temática. Segundo o dicionário informal, companheiro vem “Do latim  "cum panis"; aquele com quem dividimos o pão, que confiamos o suficiente para sentar em nossa mesa e dividir nossas ideias, vitórias, derrotas ou um simples pedaço de pão”. Assim é possível afirmarmos que a igreja deve ser uma comunidade que na sua vivencia comunitária ha o cultivo de relações que evidencie laços de companheirismo, visto que, essa foi uma marca notável das primeiras comunidades cristãs. Além do mais esta relação está atrelada a nossa identidade com Cristo, como veremos no decorrer deste texto. Mas antes de prosseguirmos, gostaria de ressaltar que não vou me ater ao texto de Romanos, e sim de maneira muito superficial ao contexto da igreja primitiva.
1-Ser companheiro é compartilhar o pão
            O mundo está cada vez mais caracterizado por relações egoístas, marcado fortemente pela competição predatória onde muitas vezes o “eu” é cultivado em detrimento “tu”. Em contra partida vemos a igreja como um terreno fértil para o cultivo do “nós”. A sua missão trás como um dos seus ensinos a partilha do pão. “O pão nosso de cada dia, dai-nos hoje.” É Deus que nos dá o pão e ao passo que compartilhamos do pão, nos identificamos com ele e com a sua missão na pessoa de Jesus. Para o apostolo Paulo essa missão foi desafiadora, aponto dele fazer um dos convites mais instigante da historia, inspirando-se na vida e obra de Jesus conclamou seus contemporâneos a não se conformarem com aquele mundo, mas transformá-lo. Poderíamos chamar também de um convite ao discipulado, pois dizia ele “Não vivo eu, mas Cristo vive em mim”.
Dessa forma o convite de Jesus não pode restringe-se apenas a transformação do eu, ele deve ir mais longe. Certa vez Jesus disse aos seus discípulos que eles eram o sal da terra e a luz do mundo. Para Jesus a presença de seus discípulos instruídos pelo seu ensino daria sabor ao mundo e clareariam os horizontes das pessoas. Deste modo, somos igreja de Cristo no mundo e para o mundo e por isso diante dos problemas do mesmo, não podemos escolher o caminho da passividade contemplativa, e sim, o do engajamento envolvendo-o com o mundo no desejo ardente por transformá-lo.
E sem duvida em uma sociedade individualista como a atual, um dos caminhos para a sua transformação é o da partilha, como nos ensina a oração do pai nosso. O pão nosso de cada dia dai-nos hoje. De igual modo deve ser o desejo por mudança. Aqueles que anseiam por esse ideal devem, a cada dia trilhar este caminho, uma vez que nele não há o cultivo do  “eu”, mas do “nós”. O pão nosso de cada dia... Compartilhai hoje. 
É interessante como esses dois elementos, pão e oração se faz presente no texto bíblico. No livro de atos, por exemplo, nos diz que a igreja crescia no partir do pão e nas orações, em outro momento podemos ver a narrativa dos discípulos desnorteados no caminho de Emaús (Lc.24:13-35). Eles caminhavam com cristo porem não tiveramo discernimentopara reconhecê-lo, no entanto foi no partir do pão e na oração que seus olhos se abriram. Dois resultados surpreendentes acompanham essas duas narrativas. A primeira: A igreja caiu na graça do povo. A segunda: reconheceram que era cristo que estivera com eles.  Será que a igreja contemporânea no exercício da sua missão tem negligenciado a oferta desses elementos: pão e oração. E por isso, consequentemente não temos caído na graça do povo e muitas vezes não sendo reconhecidos como comunidade do Cristo?“Se somos discipulos de Cristo, estamos convocados a participar de sua missão: compartilhar com os demais tanto o pão que sacia a fome espiritual como o pão que sacia a fome fisica. A missão de Deus da qual se deriva a nossa, quando ela é autentica, é sempre uma missão integral.”(Rene Padilha, MISSÃO INTEGRAL)
 No exercício da missão, pão e oração, abrirá o caminho para a relação, mas sem sombra de duvida é a oração que a estreita, pois nela há confiança não apenas em Deus mais também no outro. Como podemos ver na narrativa da ressureição Lazaro (João 11:1-46). Jesus foi procurado pelas irmãs deste homem para que ele viesse a interceder por ele, pois estava doente e veio a falecer. A bíblia nos diz que Jesus chorou e orou ao pai em favor do amigo. Naquele momento de profunda tristeza ele compartilha com Deus e com seus amigos a sua dor, Jesus já havia compartilhado muitas alegrias e vitorias com seus discípulos por meio da oração, como por exemplo, a multiplicação dos pães. Porem agora Ele estava compartilhando a dor da perda. Naquela ação podemos ver o quanto confiava neles; Ao externar sua angustia e chorar, não teve medo de ser visto como um fraco. Isso nos mostra o quanto a oração é fundamental na construção da relação, nela nos abrimos para Deus e também para o outro, mostrando que estamos juntos seja nas vitorias e nas derrotas. Portanto, assim como o partir do pão, a oração é uma manifestação de companheirismo. Ela é o nosso pão espiritual.
2- Igreja: comunidade companheira a serviço de um Deus companheiro.
Ser companheiro é sentar-se a mesa, logo não poderá haver companheirismo na distancia, ela será um impedimento na construção desta relação, sendo assim, é preciso aproximar-se. Esta definição nos remete ao contexto neotestamentario e a vivencia comunitária das primeiras igrejas, Lucas nos relata que: “Todos os dias, elas continuavam a reunir-se no pátio do templo. Partiam o pão em casa e juntos participavam das refeições, com alegria e sinceridade de coração.” ( At 2:46). Quando estavam juntos dividiam suas idéias, vitorias e ate mesmo as derrotas, pois todos os que creram estavam unidos e tinham tudo em comum. Isso nos mostra que, a igreja primitiva era uma comunidade comparte. Mas e Deus, podemos afirmar que ele também é companheiro? Podemos sim, e a maior prova disto foi o seu desejo de construir com os seres humanos laços de companheirismo. No evangelho de João, Jesus disse que ele era o pão da vida que desceu do céu, ou seja, ele aproximou-se.
Ao aproximar provou seu anseio em ser companheiro dos seres humanos, seu desejo foi tão nobre aponto dele sair da sua morada celeste e descer ao mundo. A sua ação nos ensina sobre o amor, o amor que não pensa em seus próprios interesses, sua ação mais uma vez se dá na contra mão do mundo, visto que, muitos buscam aproximar-se do outro no intuito de beneficiar-se com aquilo que este, possa lhe proporcionar. Já outros se aproximam no intuito de tornar-se grande. Deus tomou o caminho oposto, Ele esvaziou-se de sua grandeza, se comparou com o pão, um simples alimento, ao escolher ser pequeno ele nos da, duas lições, Primeiro: O pão é acessível tanto a mesa do rico como do pobre, Jesus ensina sobre a missão: Nela não pode haver acepção de pessoas. Segundo: Ao escolher ser pequeno, Jesus ensina sobre sua visão: Na sua ótica ser grande é tornar-se pequeno, portanto, servir a Deus é estar envolvido com a visão. Logo é mais do que palavras afirmativas do tipo: “Eu o sirvo”. Servir a Ele são ações direcionadas sobre sua perspectiva.  É aproximar-se, é doar-se ao outro sem visar interesses próprios.  
            Deus aproximou-se pelo caminho da simplicidade e ao mesmo tempo convidou homens e mulheres a trilharem esse mesmo caminho. Quando esteve aqui na terra, ensinou-os sobre os segredos das aves, que não semeia nem segam, porem o Pai as sustenta, e ensinou sobre a beleza dos lírios do campo os quais nem mesmo Salomão com toda sua gloria havia se vestido como eles. Enfim, Jesus ensinou-os sobre segredos do reino, desculpe-me a redundância, mas a verdade é que o reino de Deus sempre colidirá com o “reino do eu.” Contudo, escolher o reino é também escolher andar na contra mão do mundo.
A igreja enquanto comunidade do cristo companheiro, é aquela que se aproxima, que está disposta a sair do seu conforto e cumprir o ide de Jesus sem olhar a quem. Ser companheira é ir ao encontro dos desvalidos, das pessoas que sofrem, das que tem fome é ir em busca de todas as vitimas da sociedade do cultivo do  “eu”.
Lamentavelmente o que se tem visto em muitas comunidades de fé é a oração do pão meu de cada dia. E por isso consequentemente distanciam-se da missão de mudar o mundo perdendo sua identificação com Cristo. A comunidade onde se cultiva o “eu”, não pode ser comunidade companheira e nem tão pouco estar a serviço de um Deus companheiro. 
Considerações finais
A igreja precisa estar a serviço do mundo sendo companheira do mesmo, assim como era as primeiras comunidades cristãs sua ação deve ultrapassar a esfera da contemplação, tornando-se práxis. Na oração do pai nosso encontramos o cerne do ensino de Jesus: O estabelecimento do reino de Deus na terra e ao mesmo tempo amortização do reino do “eu”. Esta oração traz alternativas significantes para a construção de um mundo melhor, mais justo, mais solidário, pois, é a vontade soberana de Deus que é almejada. De igual modo deve ser a missão da igreja contemporânea. Agindo assim, sua missão será transformadora, será luz na escuridão e tempero para o mundo, pois agirá como Jesus vendo o descaso e as situações desumanas em que as pessoas se encontravam aproximava-se delas. Parece que a igreja em Roma entendeu muito bem o caráter da missão de Cristo. Pois, ela foi luz e deu sabor a vida de Paulo, foi verdadeiramente uma comunidade companheira.
 
 
Por: Gildeí Santana

 


             PADILHA, René, C. O que é Missão Integral?.p.127.


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