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   > Individualismo: problema real ou mental?



Jefferson Cunha
      CRôNICAS

Individualismo: problema real ou mental?

Como viver em um a sociedade embasada em mentiras, falsidades e disputa de interesses? Às vezes penso ser esquizofrênico, percebo minuciosamente as intensões das pessoas no simples bom dia, por isso, penso estar ficando louco. Porém, com o passar do tempo observo que minhas indagações estavam certas, o que me decepciona ainda mais.  Qual seria a sensação de viver sobre mentiras? Ser aparência, abandonando a essência real da alma? Não sei as respostas para essas perguntas, e talvez nunca saiba.  

A sociedade parece ter perdido os valores da amizade, da compaixão e do companheirismo.  Uma pessoa simplesmente usa a outra como um copo descartável, que após terminar o conteúdo do mesmo o descarta em uma lixeira qualquer. Já sei quais são os sentimentos que nos circundam ao sermos tratados como um objeto substituível. Angústias que envenenam a mente, o desejo de sumir, ir para qualquer lugar sozinho...

Apesar de sofrer com a ideia de que as pessoas me desprezam camufladamente, não consigo ser ruim, ajudo quando as mesmas estão com dificuldades. Talvez esse seja o problema, sendo dedicado de mais aos outros desvalorize o meu valor integral. Porém, como mudar o meu jeito de ser? Contemplo tanto a ideia do ser original, que não “maquia” seu modo de ser para satisfazer a maioria, que mudar apenas para me sentir parte dessa sociedade seria demagogo comigo mesmo.

A pior parte deste estágio de abandono psicológico é quando se sente o afastamento dos amigos. Com isso, a diferenciação de um amigo ou “ser aproveitador” fica complicada, pois as duvidas começam a surgir, era realmente um amigo ou simplesmente mais um buscando interesses? Se era um amigo porque se distanciou? Fiz algo que o magoou? Perguntas, perguntas e perguntas. Nem mesmo Sócrates, Freud ou Platão seriam capazes de resolver essas incógnitas. Talvez Nietzsche sentisse as mesmas sensações que sinto e poderia tentar construir uma tese sobre elas. Não estou me comparando ao grande filosofo, apenas traçando um paralelo do meu estágio de desordem mental com a doença que o acometeu.

Estou escrevendo por descargo de ideias, tenho muitos conteúdos para estudar, resumir e ler, mas os pensamentos não me permitem uma concentração para realizar essas atividades. Talvez você que está lendo pense que sou um preguiçoso, que inventei de escrever para ludibriar meus afazeres. Mas não é essa a percepção que deves ter de mim, como prova disso veja que comecei a escrever sobre meus problemas com as pessoas que convivo e agora estou dialogando sobre tarefas de um vestibulando... Essa é a mente de um louco? Talvez. Meu avô sempre dizia que de médico e louco todos tem um pouco.

Entretanto, voltando ao assunto dos amigos que nos abandonam, seriam esses amigos? Por que tanta preocupação se na hora de conversar, sair junto...  sou sempre a ultima opção? Ou pior, você perceber que além de ultima escolha, o amigo fica junto contigo por obrigação. Essas perguntas me faço um mol de vez (desculpe a linguagem quase engraçada de um quase CDF, sim quase), então respondo no meu intimo que não consigo ser ruim.

Nascer em uma cidadezinha do interior, tirando as fofocas, pois a maioria das senhoras sabe da vida de todos os habitantes, tem seus predicados.  Nossa usei a palavra predicado, estou ficando velho ou lendo muitos textos com linguagem arcaica. Bom, retornando à cidadezinha, nasci numa lugar com pouco mais de 14 mil habitantes, os costumes de lá eram diferentes. Os preceitos seguidos pela população eram de amizade real, você nasce e já cresce junto com as pessoas, as conhecendo de fato, sabendo suas atitudes. Morar em uma cidade maior é diferente, você vai ao supermercado os atendentes te olham e tratam como um ser de outro planeta. Daí ressurge as indagações, estou ficando louco ou realmente as pessoas são assim?

Sei que estou repetindo muitas palavras, mas quem me dera ser escritor. Já imaginei ser igual ao Machado de Assis um dia, mas nunca atingirei tal escalão literário, (quem sabe o grau de esquizofrenia), mesmo sabendo que ele iniciou suas obras plagiando outras até adquirir seu estilo próprio. Também sonhei em seguir o ramo da poesia, construir rimas parnasianas como Olavo Bilac ou poesias líricas como Carlos Drummond. No entanto, minha mente está mais para Clarice Lispector, essa sim era louca varrida, não tenho ideia de onde surgiu esse termo. Mas retomando o assunto Clarice, de tão esquizofrênica dizem que comeu uma barata para demonstrar sua superioridade sobre o inseto.  Além disso, se você é leitor dela, desculpe meu humilde ponto de vista, seus livros são uma ressaca, não pelo conteúdo, ela é genial, mas quem escreve indo e voltando no tempo como um louco, deixando o leitor mais perdido que cego em tiroteio?

Quero me desculpar mais uma vez pelas frases prontas e ditos populares que uso no texto. Mas justifico, cresci junto de meu avô, um agricultor que sempre teve a simplicidade como legado, o velhinho fazia uso de muitos desses provérbios e acabei adquirindo os mesmos. Ademais, por que devo abandonar minhas origens? Logo eu que cultuo o ser humano que não modifica sua alma in natura. Há gestos mais ridículos que omitir seu modo original de ser? Percebe-se de longe quando as pessoas estão usando um vocabulário que não são do seu domínio.

Assim sendo - parece que estou escrevendo uma dissertação com essa conjunção - permaneço com meus males de mente, espirito, ou seja, lá a doença que me acomete. Pelo visto continuarei com minhas duvidas. Poderia procurar um psicanalista, psicólogo ou psiquiatra, mas acho que nenhum me explicará o que nem eu sei o que quero saber.  Poderia mudar de ideia, ao invés de medicina ir cursar psicologia, mas depois de formado tentaria ajudar os pacientes ou os tornaria mais transtornados? Melhor continuar na amargura dos meus dias, quem sabe um dia a sociedade mude e minha mente volte ao normal.



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