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   > Um ser de abraço



Elisabeth Silva de Almeida Amorim
      CRôNICAS

Um ser de abraço

Não queria escrever, mas essa crônica é rebelde, as palavras pulam em minha frente, desafiando-me. Ela  não sabe como é difícil ganhar um ser de abraço, mas vou jogando as palavras ao vento, um dia, talvez, elas não sairão do seu pensamento. E quando isso acontecer… Viva! Cativei um(a)  leitor(a)!

Sentada na poltrona 32, logo atrás, ouço soluços e gemidos. Calma, leitor! Não é nada disso que está pensando, deixe de assanhamento… Era choro de dor, angústia. E eu fiquei na dúvida, o que faço? Ofereço água, ombro ou lágrimas? Sou emotiva. Enquanto respirava fundo para tomar a decisão. Passo a ouvi-la ao celular, falava nervosamente alto.  A jovem passa a lamentar sobre a grande perda. Percebo que o interlocutor não teve paciência, pois ela pede desculpas pelo incômodo e desliga.

Dois minutos, nova ligação entre lágrimas e lamentos,  ela procura  “Carlos”, e novamente, ao começar falar do seu sofrimento, nova dispensa. Mesmo ela falando que só estava querendo desabafar com um amigo, pois tinha muitos créditos no celular…

Mil coisas passavam em minha mente. Os pais? Namorado? Esposo? Será que foi acidente? Quem aquela jovem perdeu para se encontrar naquele estado? Claramente vi  alguém em busca de um abraço.

Na quinta tentativa frustrada, ouço desculpar por interromper o ouvinte no trabalho ( o anterior estava na faculdade) mas ela precisava dizer aquilo: -” Não tenho sorte no amor, não quero mais saber de homem! Estou no fundo do poço!”

Sorri, não pela perda, mas pelo dramalhão.  Centenas de amigos virtuais e na hora de um abraço, nenhum real disponível. Onde os amigos se esconderam? Ninguém queria ouvir os problemas alheios. Como é difícil cativar…

Não tive mais condições de aproximar da jovem. Voltei para a introspecção. Quantas vezes pensamos que seremos abraçados e recebemos indiferença? Desci do ônibus e a cena me acompanhou, transformando-se em filme.

Quando chegamos ao fundo de um poço, temos as opções: Chorar, gritar, esperar o socorro, talvez um “príncipe/princesa” ou sorrir da falta de atenção… e aprender a não caminhar de “cara para cima.” Cicatrizes e sal não combinam, por isso as lágrimas secam  mais rápido para poupar as feridas. E aquela jovem iria sorrir… E mais rápido se tivesse com um papel e uma caneta …

A dor poderia ser desmontada em literatura, se um dia irão abraçá-la não sei, o importante é que o fardo ficaria mais leve quando jogado num papel… Pensei em brincar:  “ Caí no poço/ Quem tira? /Eu…/ Eu quem?/ Eu quem? Eu quem?/ Eu mesma, graças a Deus!”  A saída do poço depende de cada um, há  quem   permaneça lá fundo para ter um motivo para reclamar da vida e invejar dos outros que saíram.

E se ela me questionasse se valia a pena acreditar no ser humano, diria sem titubear: No mundo há pessoas de pedras e outras tantas de abraços. Deixe as pedras para trás… São os seres de abraços que nos cativam e são para essas pessoas que escrevo.

                               Para você que é um ser de abraço… outro!

                                                           Elisabeth Amorim/2014

 



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