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   > A menina do nariz iluminado



Elisabeth Silva de Almeida Amorim
      INFANTIL

A menina do nariz iluminado

Aquela menina sabia que dentro de poucos minutos a luz se apagava. E sob  a iluminação fraca de um candeeiro ela se debruçava sobre os livros. Na penumbra do quarto  viajava nos textos lidos. O seu predileto era de uma porquinha que se chamava Pirula.  Como ela conseguia ler no escuro? Mesmo na escuridão ela encontrava a luz.
Ninguém sabia da luzinha na ponta do nariz que aquela criança carregava. Não conseguia ficar com a cabeça baixa por muito tempo. A luz pedia para erguê-la o mais alto possível, para iluminar pessoas ao entorno.  Ela tentava falar daquela luz invisível aos olhos humanos, mas ao perceber que não seria entendida, guardou segredo.
Um dia magoaram a menina e ela chorou.  A sua luz ficou fraquinha e puft! Apagou! No quarto escuro ela ficou tentando fazê-la voltar. Nada. Olhava no espelho e seu nariz não tinha nenhum sinal de luz. Ela ficou mais triste.  Começou e refletir sobre o que ela havia feito de bom ou ruim  para tê-la perdida...
_Como poderei ler no escuro?  Como andar de nariz para cima? Como ser feliz se o meu  brilho se apagou?  Pensava a  triste menina. De repente uma luz gigante acendeu em sua mente e disse:
 _ É Natal, faça o seu pedido! Peça luz para todas as pessoas! Deseje luz que você também será iluminada!
E a menina sorriu. Correu até a meia onde havia deixado o pedido de uma boneca, retirando-o escreveu:
_Papai Noel, por favor, quero luz para todos nós! 
Ela estava crescendo e a pontinha do nariz ficara pequena para carregar a sua luz, por isso o brilho foi para a mente. Com a mente iluminada aquela menina iria  ajudar outras pessoas descobrirem a própria luz. Com um bloquinho nas mãos ela passou a escrever cada passo para ser feliz. E o primeiro era nunca desejar mal ao próximo, pois o seu desejo profundo, realiza-se em você.
 Ficava triste porque muitos ainda não conseguiram fugir do quarto escuro... talvez tentando encontrar a luz perdida... Ela escrevia que a luz de cada um não se perde, muda de lugar justamente para acordar um talento adormecido... mas poucas pessoas  liam o que ela escrevia. Nem na escola onde ela estudava seus textos tinham valor.
Quando chegava o Natal seu sonho se renovava.  E era época de novos pedidos:
_ Papai do Céu, precisamos de luz! Queremos mais luz em nosso caminho!
Papai do Céu se comoveu com aquele pedido tão profundo daquela criança e convocou o Papai Noel para mais aquela missão...
E Papai Noel  veio do mundo dos sonhos, cheio de brilhos e cores para nos lembrar que a  a luz externa natalina não passa de pisca-pisca. Já a duradoura está dentro de cada um, no coração de quem pratica o bem. Às vezes ela corre para mente, mãos, olhos... Xi, quando andamos de cabeça baixa por conta dos obstáculos, a luz escorrega e vai parar na pontinha do nariz. E se chorar... ela vira uma estrelinha cadente.
                                  
                                   Elisabeth Amorim/2014


Autora de BELITA e de ZIK E MOKA pela Editora PROTEXTO


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