Busca: 

Apelido:

Senha:


Esqueci minha senha
 
  Área do autor

Publique seu texto
  Gêneros dos textos  
  Artigos (651)  
  Contos (939)  
  Crônicas (730)  
  Ensaios (169)  
  Entrevistas (35)  
  Infantil (204)  
  Pensamentos (640)  
  Poesias (2501)  
  Resenhas (129)  

 
 
Genealogia de...
Ana Maria Silva Lopez
R$ 47,30
(A Vista)



Veículos-01-009
Airo Zamoner
R$ 104,00
(A Vista)






   > Considerações sobre “O enigma do olhar”



Roberto de Queiroz
      RESENHAS

Considerações sobre “O enigma do olhar”

Carmen Lucia Bezerra Bandeira*

A leitura dos textos selecionados por Roberto de Queiroz, para compor este livro, causou-me algumas impressões que passo a compartilhar com os demais leitores.
 
Inicio com o interesse do autor pelo debate que vem sendo travado ultimamente no universo da educação, sobre a importância do texto literário no processo da formação do leitor. Em relação a isso, importa destacar que Roberto é professor de Língua Portuguesa e trabalha na rede municipal de ensino de Ipojuca.  Assim, ele não só acompanha este debate à distância, mas está, como se diz popularmente, com a mão na massa.
 
Além disso, afirmando a condição de professor, envolvido em projetos de promoção e difusão da leitura nas escolas municipais, Roberto permite a emergência da sua face de escritor, numa atitude de enfrentamento à angústia diante da “nudez de escrever”.
 
Entre os diversos temas que ele aborda em seus artigos, interessa-me particularmente a polêmica - muito salutar, do meu ponto de vista - sobre a não dicotomia entre leitura e escritura.
 
Como eu vejo a questão, a leitura (do texto literário, principalmente quando se trata do leitor aprendiz) alimenta o desenvolvimento da escrita, mas os dois procedimentos são diferentes.
 
Entendo que este é o ponto emblemático do desafio atual da superação do analfabetismo ou alfabetismo funcional: por que tantas pessoas não conseguem adquirir a autonomia da escrita, deixando perplexos os professores e pesquisadores diante da ação ineficaz das escolas quanto aos métodos de ensinar a ler, que na verdade deveriam ser métodos de ensinar a escrever/reler?
 
A fluência do texto e o desenvolvimento do estilo são aprendizagens que implicam em exercício autoral (dependem de uma atitude pessoal e da vontade), que, por sua vez, são instigadas pela relação constante e ampla com os gêneros literários diversos.
 
É impossível escrever bem se não se lê com frequência. E não falo de qualquer leitura. Reafirmo que quando a questão em debate é a formação do leitor - processo que começa antes e extrapola a fase da alfabetização, virando uma prática de vida – é imprescindível o mergulho profundo no universo dos textos literários, pois este é o melhor caminho para o exercício da reflexão, principalmente sobre a condição humana, uma vez que a literatura, enquanto patrimônio universal, é na verdade um grande legado da alma humana.
 
Este é o melhor caminho para se apropriar do vocabulário (fixar na mente a grafia das palavras) e das estruturas narrativas da língua, o que é fundamental para se aprender a escrever.
 
Este é o melhor caminho para aguçar a visão de mundo, aprender a analisar, ter opiniões próprias, fazendo as conexões entre as subjetividades e as grandes questões da existência; transitando entre a psicologia, a filosofia, a sociologia, a antropologia, a história e as demais áreas do conhecimento.
 
Concluo com a leitura dos textos de Roberto que a paixão pela literatura é o que move a sua prática, seja como professor, seja como escritor, seja como cidadão, permitindo fazer essas conexões entre a literatura e as outras áreas do conhecimento e posicionar-se na diversidade das perspectivas, com a própria leitura/escritura de mundo.
 
Concluo que um professor de língua é acima de tudo alguém que gosta de ler e aprendeu a pensar/perguntar.  Que consegue mediar a relação dos estudantes com a literatura, despertando o interesse pelas grandes questões da existência, fazendo com que se posicionem, desenvolvendo as próprias ideias e escrevendo os próprios textos.
 
E é isso que faz o professor Roberto de Queiroz com O Enigma do Olhar.

Carmen Lucia Bezerra Bandeira é escritora, mestre em Educação pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e membro do Centro de Estudos em Educação e Linguagem (CEEL), da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).



CADASTRE-SE GRATUITAMENTE
Você poderá votar e deixar sua opinião sobre este texto. Para isso, basta informar seu apelido e sua senha na parte superior esquerda da página. Se você ainda não estiver cadastrado, cadastre-se gratuitamente clicando aqui