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   > A esposa do Boto 2



Valdemar Gonçalves da Silva
      CONTOS

A esposa do Boto 2

               A esposa do Boto 2
 
 
Na casa de Maruri e seu filho juntamente com seus pais a felicidade tinha se instalado e a facilidade para as coisas comuns da vida tinha se tornado uma rotina tão boa que todos viviam em paz e harmonia.
Os pais dela entendiam e aceitavam o destino que a natureza tinha reservado para a sua única filha e eram felizes cuidando do neto que era filho do Boto, mas isso não tinha importância aquele era um neto muito especial Turiaci era um menino inteligente e que já nos seus três anos de vida demonstrava uma vivacidade fora do comum, para orgulho de todos.
Os amigos e parentes quando vinham fazer uma visita, o que agora era mais assídua depois do fato ocorrido com Maruri, mas tinham por ela um respeito até religioso por saberem que ela continuava a se encontrar com o que ela chamava de meu amado.
Muitos é claro eram mais curiosos e queriam desvendar certos mistérios, mas ela adquiriu ou desenvolveu uma inteligência aguçada e superior e se saia otimamente bem das investidas das amigas curiosas, mas certas conversas acabavam em risadas ou ficavam sem respostas.
-Maruri voce está cada dia mais bonita e mais formosa e parece que até mais jovem isso é por causa desse amor. Perguntou uma prima que já carregava nos dezoito anos três filhos chorões pela vida.
-Raimunda o amor seja qual for deve trazer felicidade e beleza para o nosso corpo mesmo que já tenha sofrido pelo parto.
-Eu só me acabei parindo estes três filhos, mas tem uma diferença voce foi ter seu filho dentro do igarapé e diz não ter sentido dor alguma isso é verdade?
Ela não gostava de falar de coisas que relacionasse diretamente com seu amado e por iço respondeu.
-Não importa como se traga um filho no mundo ou se doeu ou não o que vale e deve ser respeitado é com que amor essa criança foi gerada e quanto amor dedicamos a ela.
E assim são as pessoas que por alguma razão foram presenteadas com coisas extraordinárias pela mãe natureza e Maruri era uma dessas criaturas que mereciam isso ou já nasceram predestinadas a viverem momentos fantásticos nesta vida.
Os seus pais sabiam que ao ouvir nas noites escuras o assobio do boto deveriam se recolher e nunca espiar para fora, mas numa dessas noites a sua mãe estava fora de casa e ao ouvir o chamamento não teve como retornar e então viu a filha sair despida do tapiri e quando entrou na agua se transformou em um lindo boto femea.
Ela ficou vendo eles nadarem e saltarem enquanto seus assobios ou guinchos eram ouvidos por ela, ela estava paralisada de tanta admiração e demorou para se recuperar e voltar para dentro.
-Que ouve mulher que demorou tanto, não ouviu o assobio do Boto?
Ela se aproximou da rede dele e sorrindo de felicidade contou baixinho o que tinha presenciado e chorou.
Ele acarinhou seu rosto e falou.
-Mulher voce pode ter se confundido a noite está escura e isso é quase impossível.
Ela jurou de pé junto e ele acreditou e depois de muitos anos eles passaram a noite juntos numa só rede.
Quando o dia estava para amanhecer Maruri voltou para casa e feliz adormeceu por umas horas.
Ela estava radiante e cantarolava enquanto arrumava o seu tapiri que na verdade só tinha um quarto e uma pequena sala as refeições ela fazia com os pais, depois de pronto ela foi conversar com a mãe.
-Mainha a cada dia eu me sinto mais feliz e mais amada e nesses três anos meus sonhos foram se realizando a cada dia e os meus desejos parecem que se tornam reais e ontem ele me disse para avisar vocês que ficaremos alguns dias longes daqui.
A mãe que de nada mais duvidava, mas como mãe queria saber aonde iriam e como seria isso.
Maruri pegou na mão dela e se sentaram no último degrau da escada e olhando para uma boa extensão do rio ela apontou para la e disse.
-Mainha o meu amado vai me levar para conhecer outros rios e outros lugares.   
-Como poderá vocês irem?
Maruri sorrindo de felicidade por poder contar tudo para a mãe começou a contar e nisso foram interrompidas pelo pai que acaba de chegar com um lindo veado vermelho no jamanchim.
-Oi família vejam o que eu trouxe. E Turiaci saiu correndo indo ao encontro dele se atirando em seus braços.
-Vovô o senhor é um grande caçador. E abraçou forte o pescoço dele.
-Voce é a minha riqueza meu neto.
Maruri se aproximou com a mãe e brincou.
-Agora voce tomou meu lugar no coração do meu pai.
Seu pai sorriu e colocou suas mãos calejadas e sujas no ombro dela e disse.
-Voce é mais que riqueza é tudo que temos e por voce daria a minha vida e agora eu te amo muito mais por me dar um neto tão especial como este.
Ela abraçou o pai e o filho juntos e perguntou.
-Painho vou ter que me ausentar por uns dias, posso deixar Turiaci com vocês.
-Não precisa nem perguntar uma coisa dessas, mas eu pergunto aonde pretende ir e com quem?
Ela sorriu e respondeu.
-O meu amado quer me levar numa viagem para outros rios.
Ele a olhou incrédulo e perguntou.
-Como é que vocês irão ele vai se transformar em homem.
Ela convidou-os para irem até a margem do rio e la chegando assobiou e logo ele apareceu fazendo festas e assobiando.
-Painho e mainha o que vão ver é um segredo nosso e assim deve permanecer. Ela se aproximou da agua e assim que que estas atingiram a altura do joelho como que num passe de mágica seu corpo se transformou em uma linda femea e logo os dois nadavam na flor da agua e davam saltos e guinchos acompanhados de assobios.
Nadaram mais um pouco e fizeram manobras para delírio do filho que chamava pela mãe e eles ficaram de focinhos encostados num beijo animal e ela nadou até a praia e ao tocar a areia seu corpo voltou ao normal e suas vestes tomaram formas e cobriram seu corpo.
Seus pais estavam as lagrimas e a abraçaram com o neto ali junto.
-Filha voce recebeu uma grande benção de Deus e da natureza.
-Sim painho eu sei o quanto Deus é generoso comigo.
-Mainha eu também nadar com o boto. Ele repetia isso, pois ainda não sabia que o boto era o seu pai.
Naquele resto dia passaram tratando da carne do veado uma parte moquearam e numa panela cozinhavam a ossada que seria o jantar daquele dia, todos estavam felizes e a noite ela desceu ao igarapé e por horas nadaram e namoraram bastante, de manhã ela se despediu e correndo se atirou na agua e desceram felizes pelas correntezas do igarapé.
Quando passaram pelas casas dos conhecidos ou amigos nadaram  e fizeram festas pulando e assobiando na casa de uma prima elas estavam se banhando e quando viram os botos nadando tranquilamente uma delas comentou.
-Vejam é um casal olha os peitos da femea ela deve estar de filhote.
Eles ouviram isso e pularam fazendo muitas acrobacias e se aproximaram delas e uma delas estendeu a mão e tocou no dorso de Maruri e gritou de alegria.
-Ela deixou que eu a tocasse que coisa linda.
Eles se afastaram mais para o fundo e se comunicavam da forma dos botos.
-Amor se elas desconfiassem ao menos que é a prima dela que se deixou tocar.
-Não acreditariam se contasse, mas agora vamos embora estou ansiosa para conhecer outros lugares. Nadaram por um tempo em aguas calmas e avistaram um cardume de Matrinchã cercaram e conseguiram apanhar algumas.
-Chega meu bem eu já estou saciada. Esta foi a primeira vez que ela experimenta se alimentar da forma naturalmente dos botos e por estar na forma deles não teve problemas até adorou a forma como o cercaram e caçaram.
Quando pararam entre umas galhadas já na desembocadura do igarapé eles submergiram e ele falou. – Veja meu amor a extensão deste rio e vamos descer por eles.
-Não a perigo nessas aguas barrentas.
-Sempre a perigos, mas os piores são os de sua raça eles matam por prazer.
-Credo amor assim me deixa com medo.
-Eu cuidarei para que nada aconteça é só me obedecer. Ele sorriu daquele seu jeito e se beijaram daquele jeito que podiam e gostavam.
Desceram nadando no fio da agua e dando saltos e assobios e nesse dia chegaram em um vilarejo, já era noite e resolveram descansar próximo de uma praia embaixo de uma galhada de uma arvore que tombara dentro da agua, eles dormem pouco e antes do amanhecer ele a levou para mostrar as luzes no meio da serração.
-Veja meu amor era assim que voce sonhava com este mundo fora do seu?
Ela olhava curiosa e nadou para mais perto da margem e disse.
-Eu nunca imaginei que poderia ter uma coisa linda dessas eu na verdade sonhava com o amor e a felicidade e o querer conhecer outros lugares era só pela angustia de me sentir sozinha, não havia como sonhar com o que não se conhece.
-Está feliz hoje? Ele se aproximou e ficou coladinho deixando o remanso leva-los para perto de umas grandes embarcações.
Ela sentiu seu toque e encostou sua cabeça na dele.
-Sou feliz a muito tempo desde que me foi pedir para ser sua esposa.
O redemoinho que formou pelo acionamento das hélices do barco quase que os pega desprevenidos, saíram rápido e nadaram para o centro do rio e continuaram descendo e foram encontrando grandes embarcações lotadas de mercadorias e passageiros e continuaram até um novo anoitecer e avistaram uma grande cidade e vieram pulando e nadando até bem próximo e ele falou.
-Quando era pequeno passei por aqui com meus pais e ele foi atingido por um arpão de um homem e tive que continuar minha viagem sozinho, minha mãe se recusava em ir embora.
Ela percebeu que ele estava triste e perguntou.
-E voce viu ela novamente?
-Não esta é a primeira vez que volto e gostaria de encontrá-la para que conhecesse voce.
 Passaram dois dias procurando, mas não encontraram e ele resolveu que deveriam continuar a viajem e assim eles viajaram até o rio mar, o grande rio Amazonas e foi mostrar aonde as aguas se misturam e nadam felizes juntos com outros botos da região e ele apresentou a ela a grande Manaus.
-É daqui que saímos para formar outra família em lugares mais ermos e povoar os pequenos igarapés, veja meu amor se um dia seria capaz de sonhar com tanta beleza.
-Jamais imaginei que existia cidades com tanta gente é muito lindo.
Eles caçavam e brincavam entre os outros e resolveram voltar para casa e brincando foram subindo e encontraram a mãe dele que fizera par com um boto macuchi ou preto se despediram e partiram e muitas pessoas comentaram a passagem desse casal de boto.
Quando chegaram depois de um mês de viajem ela pediu.
-Amor saia um pouco para ver nosso filho.
Ele saiu e caminharam de mãos dadas para o tapiri, entraram e foram até a rede que ele dormia ao lado da avó.
Ele falou em sussurro.
-Ele está lindo e será um grande homem no futuro.
Saíram e sentaram na areia e ela pediu para que ele a amasse ali naquele momento.
Ele sorriu e a abraçou e se beijaram.
-Meu amor este é meu desejo maior, mas se ficarmos junto voce terá outro filho.
-É isso que mais quero meu amado eu sinto que já está na hora de trazer um irmão para nosso filho.
Depois que se amaram ficaram deitados na areia olhando para aquele belíssimo universo de estrelas.
-Meu querido me passou uma coisa pela minha mente, quando estamos na agua e fazemos amor eu posso ficar gravida.
-Voce ainda não está madura para ter um filho naquele ambiente, mas um dia isso poderá acontecer.
-Eu terei que estar mais velha, é isso?
-Meu amor voce nunca envelhecera sua juventude será o meu trunfo, mas ficara mais madura e entendera sobre tudo dos nossos mundos, ai sim, voce estará pronta, mas enquanto isso terá que cuidar de nossos filhos daqui do seu mundo.
Ele se levantou e ajudou ela se levantar e depois de se beijarem ele caminhou até a agua e tomou sua forma original e fez umas peripécias e acrobacias e mergulhou ela acenou e caminhou para o tapiri na certeza que era a mulher mais feliz deste mundo.
 
 FIM               A esposa do Boto 2
 
 
Na casa de Maruri e seu filho juntamente com seus pais a felicidade tinha se instalado e a facilidade para as coisas comuns da vida tinha se tornado uma rotina tão boa que todos viviam em paz e harmonia.
Os pais dela entendiam e aceitavam o destino que a natureza tinha reservado para a sua única filha e eram felizes cuidando do neto que era filho do Boto, mas isso não tinha importância aquele era um neto muito especial Turiaci era um menino inteligente e que já nos seus três anos de vida demonstrava uma vivacidade fora do comum, para orgulho de todos.
Os amigos e parentes quando vinham fazer uma visita, o que agora era mais assídua depois do fato ocorrido com Maruri, mas tinham por ela um respeito até religioso por saberem que ela continuava a se encontrar com o que ela chamava de meu amado.
Muitos é claro eram mais curiosos e queriam desvendar certos mistérios, mas ela adquiriu ou desenvolveu uma inteligência aguçada e superior e se saia otimamente bem das investidas das amigas curiosas, mas certas conversas acabavam em risadas ou ficavam sem respostas.
-Maruri voce está cada dia mais bonita e mais formosa e parece que até mais jovem isso é por causa desse amor. Perguntou uma prima que já carregava nos dezoito anos três filhos chorões pela vida.
-Raimunda o amor seja qual for deve trazer felicidade e beleza para o nosso corpo mesmo que já tenha sofrido pelo parto.
-Eu só me acabei parindo estes três filhos, mas tem uma diferença voce foi ter seu filho dentro do igarapé e diz não ter sentido dor alguma isso é verdade?
Ela não gostava de falar de coisas que relacionasse diretamente com seu amado e por iço respondeu.
-Não importa como se traga um filho no mundo ou se doeu ou não o que vale e deve ser respeitado é com que amor essa criança foi gerada e quanto amor dedicamos a ela.
E assim são as pessoas que por alguma razão foram presenteadas com coisas extraordinárias pela mãe natureza e Maruri era uma dessas criaturas que mereciam isso ou já nasceram predestinadas a viverem momentos fantásticos nesta vida.
Os seus pais sabiam que ao ouvir nas noites escuras o assobio do boto deveriam se recolher e nunca espiar para fora, mas numa dessas noites a sua mãe estava fora de casa e ao ouvir o chamamento não teve como retornar e então viu a filha sair despida do tapiri e quando entrou na agua se transformou em um lindo boto femea.
Ela ficou vendo eles nadarem e saltarem enquanto seus assobios ou guinchos eram ouvidos por ela, ela estava paralisada de tanta admiração e demorou para se recuperar e voltar para dentro.
-Que ouve mulher que demorou tanto, não ouviu o assobio do Boto?
Ela se aproximou da rede dele e sorrindo de felicidade contou baixinho o que tinha presenciado e chorou.
Ele acarinhou seu rosto e falou.
-Mulher voce pode ter se confundido a noite está escura e isso é quase impossível.
Ela jurou de pé junto e ele acreditou e depois de muitos anos eles passaram a noite juntos numa só rede.
Quando o dia estava para amanhecer Maruri voltou para casa e feliz adormeceu por umas horas.
Ela estava radiante e cantarolava enquanto arrumava o seu tapiri que na verdade só tinha um quarto e uma pequena sala as refeições ela fazia com os pais, depois de pronto ela foi conversar com a mãe.
-Mainha a cada dia eu me sinto mais feliz e mais amada e nesses três anos meus sonhos foram se realizando a cada dia e os meus desejos parecem que se tornam reais e ontem ele me disse para avisar vocês que ficaremos alguns dias longes daqui.
A mãe que de nada mais duvidava, mas como mãe queria saber aonde iriam e como seria isso.
Maruri pegou na mão dela e se sentaram no último degrau da escada e olhando para uma boa extensão do rio ela apontou para la e disse.
-Mainha o meu amado vai me levar para conhecer outros rios e outros lugares.   
-Como poderá vocês irem?
Maruri sorrindo de felicidade por poder contar tudo para a mãe começou a contar e nisso foram interrompidas pelo pai que acaba de chegar com um lindo veado vermelho no jamanchim.
-Oi família vejam o que eu trouxe. E Turiaci saiu correndo indo ao encontro dele se atirando em seus braços.
-Vovô o senhor é um grande caçador. E abraçou forte o pescoço dele.
-Voce é a minha riqueza meu neto.
Maruri se aproximou com a mãe e brincou.
-Agora voce tomou meu lugar no coração do meu pai.
Seu pai sorriu e colocou suas mãos calejadas e sujas no ombro dela e disse.
-Voce é mais que riqueza é tudo que temos e por voce daria a minha vida e agora eu te amo muito mais por me dar um neto tão especial como este.
Ela abraçou o pai e o filho juntos e perguntou.
-Painho vou ter que me ausentar por uns dias, posso deixar Turiaci com vocês.
-Não precisa nem perguntar uma coisa dessas, mas eu pergunto aonde pretende ir e com quem?
Ela sorriu e respondeu.
-O meu amado quer me levar numa viagem para outros rios.
Ele a olhou incrédulo e perguntou.
-Como é que vocês irão ele vai se transformar em homem.
Ela convidou-os para irem até a margem do rio e la chegando assobiou e logo ele apareceu fazendo festas e assobiando.
-Painho e mainha o que vão ver é um segredo nosso e assim deve permanecer. Ela se aproximou da agua e assim que que estas atingiram a altura do joelho como que num passe de mágica seu corpo se transformou em uma linda femea e logo os dois nadavam na flor da agua e davam saltos e guinchos acompanhados de assobios.
Nadaram mais um pouco e fizeram manobras para delírio do filho que chamava pela mãe e eles ficaram de focinhos encostados num beijo animal e ela nadou até a praia e ao tocar a areia seu corpo voltou ao normal e suas vestes tomaram formas e cobriram seu corpo.
Seus pais estavam as lagrimas e a abraçaram com o neto ali junto.
-Filha voce recebeu uma grande benção de Deus e da natureza.
-Sim painho eu sei o quanto Deus é generoso comigo.
-Mainha eu também nadar com o boto. Ele repetia isso, pois ainda não sabia que o boto era o seu pai.
Naquele resto dia passaram tratando da carne do veado uma parte moquearam e numa panela cozinhavam a ossada que seria o jantar daquele dia, todos estavam felizes e a noite ela desceu ao igarapé e por horas nadaram e namoraram bastante, de manhã ela se despediu e correndo se atirou na agua e desceram felizes pelas correntezas do igarapé.
Quando passaram pelas casas dos conhecidos ou amigos nadaram  e fizeram festas pulando e assobiando na casa de uma prima elas estavam se banhando e quando viram os botos nadando tranquilamente uma delas comentou.
-Vejam é um casal olha os peitos da femea ela deve estar de filhote.
Eles ouviram isso e pularam fazendo muitas acrobacias e se aproximaram delas e uma delas estendeu a mão e tocou no dorso de Maruri e gritou de alegria.
-Ela deixou que eu a tocasse que coisa linda.
Eles se afastaram mais para o fundo e se comunicavam da forma dos botos.
-Amor se elas desconfiassem ao menos que é a prima dela que se deixou tocar.
-Não acreditariam se contasse, mas agora vamos embora estou ansiosa para conhecer outros lugares. Nadaram por um tempo em aguas calmas e avistaram um cardume de Matrinchã cercaram e conseguiram apanhar algumas.
-Chega meu bem eu já estou saciada. Esta foi a primeira vez que ela experimenta se alimentar da forma naturalmente dos botos e por estar na forma deles não teve problemas até adorou a forma como o cercaram e caçaram.
Quando pararam entre umas galhadas já na desembocadura do igarapé eles submergiram e ele falou. – Veja meu amor a extensão deste rio e vamos descer por eles.
-Não a perigo nessas aguas barrentas.
-Sempre a perigos, mas os piores são os de sua raça eles matam por prazer.
-Credo amor assim me deixa com medo.
-Eu cuidarei para que nada aconteça é só me obedecer. Ele sorriu daquele seu jeito e se beijaram daquele jeito que podiam e gostavam.
Desceram nadando no fio da agua e dando saltos e assobios e nesse dia chegaram em um vilarejo, já era noite e resolveram descansar próximo de uma praia embaixo de uma galhada de uma arvore que tombara dentro da agua, eles dormem pouco e antes do amanhecer ele a levou para mostrar as luzes no meio da serração.
-Veja meu amor era assim que voce sonhava com este mundo fora do seu?
Ela olhava curiosa e nadou para mais perto da margem e disse.
-Eu nunca imaginei que poderia ter uma coisa linda dessas eu na verdade sonhava com o amor e a felicidade e o querer conhecer outros lugares era só pela angustia de me sentir sozinha, não havia como sonhar com o que não se conhece.
-Está feliz hoje? Ele se aproximou e ficou coladinho deixando o remanso leva-los para perto de umas grandes embarcações.
Ela sentiu seu toque e encostou sua cabeça na dele.
-Sou feliz a muito tempo desde que me foi pedir para ser sua esposa.
O redemoinho que formou pelo acionamento das hélices do barco quase que os pega desprevenidos, saíram rápido e nadaram para o centro do rio e continuaram descendo e foram encontrando grandes embarcações lotadas de mercadorias e passageiros e continuaram até um novo anoitecer e avistaram uma grande cidade e vieram pulando e nadando até bem próximo e ele falou.
-Quando era pequeno passei por aqui com meus pais e ele foi atingido por um arpão de um homem e tive que continuar minha viagem sozinho, minha mãe se recusava em ir embora.
Ela percebeu que ele estava triste e perguntou.
-E voce viu ela novamente?
-Não esta é a primeira vez que volto e gostaria de encontrá-la para que conhecesse voce.
 Passaram dois dias procurando, mas não encontraram e ele resolveu que deveriam continuar a viajem e assim eles viajaram até o rio mar, o grande rio Amazonas e foi mostrar aonde as aguas se misturam e nadam felizes juntos com outros botos da região e ele apresentou a ela a grande Manaus.
-É daqui que saímos para formar outra família em lugares mais ermos e povoar os pequenos igarapés, veja meu amor se um dia seria capaz de sonhar com tanta beleza.
-Jamais imaginei que existia cidades com tanta gente é muito lindo.
Eles caçavam e brincavam entre os outros e resolveram voltar para casa e brincando foram subindo e encontraram a mãe dele que fizera par com um boto macuchi ou preto se despediram e partiram e muitas pessoas comentaram a passagem desse casal de boto.
Quando chegaram depois de um mês de viajem ela pediu.
-Amor saia um pouco para ver nosso filho.
Ele saiu e caminharam de mãos dadas para o tapiri, entraram e foram até a rede que ele dormia ao lado da avó.
Ele falou em sussurro.
-Ele está lindo e será um grande homem no futuro.
Saíram e sentaram na areia e ela pediu para que ele a amasse ali naquele momento.
Ele sorriu e a abraçou e se beijaram.
-Meu amor este é meu desejo maior, mas se ficarmos junto voce terá outro filho.
-É isso que mais quero meu amado eu sinto que já está na hora de trazer um irmão para nosso filho.
Depois que se amaram ficaram deitados na areia olhando para aquele belíssimo universo de estrelas.
-Meu querido me passou uma coisa pela minha mente, quando estamos na agua e fazemos amor eu posso ficar gravida.
-Voce ainda não está madura para ter um filho naquele ambiente, mas um dia isso poderá acontecer.
-Eu terei que estar mais velha, é isso?
-Meu amor voce nunca envelhecera sua juventude será o meu trunfo, mas ficara mais madura e entendera sobre tudo dos nossos mundos, ai sim, voce estará pronta, mas enquanto isso terá que cuidar de nossos filhos daqui do seu mundo.
Ele se levantou e ajudou ela se levantar e depois de se beijarem ele caminhou até a agua e tomou sua forma original e fez umas peripécias e acrobacias e mergulhou ela acenou e caminhou para o tapiri na certeza que era a mulher mais feliz deste mundo.
 
 FIM               A esposa do Boto 2
 
 
Na casa de Maruri e seu filho juntamente com seus pais a felicidade tinha se instalado e a facilidade para as coisas comuns da vida tinha se tornado uma rotina tão boa que todos viviam em paz e harmonia.
Os pais dela entendiam e aceitavam o destino que a natureza tinha reservado para a sua única filha e eram felizes cuidando do neto que era filho do Boto, mas isso não tinha importância aquele era um neto muito especial Turiaci era um menino inteligente e que já nos seus três anos de vida demonstrava uma vivacidade fora do comum, para orgulho de todos.
Os amigos e parentes quando vinham fazer uma visita, o que agora era mais assídua depois do fato ocorrido com Maruri, mas tinham por ela um respeito até religioso por saberem que ela continuava a se encontrar com o que ela chamava de meu amado.
Muitos é claro eram mais curiosos e queriam desvendar certos mistérios, mas ela adquiriu ou desenvolveu uma inteligência aguçada e superior e se saia otimamente bem das investidas das amigas curiosas, mas certas conversas acabavam em risadas ou ficavam sem respostas.
-Maruri voce está cada dia mais bonita e mais formosa e parece que até mais jovem isso é por causa desse amor. Perguntou uma prima que já carregava nos dezoito anos três filhos chorões pela vida.
-Raimunda o amor seja qual for deve trazer felicidade e beleza para o nosso corpo mesmo que já tenha sofrido pelo parto.
-Eu só me acabei parindo estes três filhos, mas tem uma diferença voce foi ter seu filho dentro do igarapé e diz não ter sentido dor alguma isso é verdade?
Ela não gostava de falar de coisas que relacionasse diretamente com seu amado e por iço respondeu.
-Não importa como se traga um filho no mundo ou se doeu ou não o que vale e deve ser respeitado é com que amor essa criança foi gerada e quanto amor dedicamos a ela.
E assim são as pessoas que por alguma razão foram presenteadas com coisas extraordinárias pela mãe natureza e Maruri era uma dessas criaturas que mereciam isso ou já nasceram predestinadas a viverem momentos fantásticos nesta vida.
Os seus pais sabiam que ao ouvir nas noites escuras o assobio do boto deveriam se recolher e nunca espiar para fora, mas numa dessas noites a sua mãe estava fora de casa e ao ouvir o chamamento não teve como retornar e então viu a filha sair despida do tapiri e quando entrou na agua se transformou em um lindo boto femea.
Ela ficou vendo eles nadarem e saltarem enquanto seus assobios ou guinchos eram ouvidos por ela, ela estava paralisada de tanta admiração e demorou para se recuperar e voltar para dentro.
-Que ouve mulher que demorou tanto, não ouviu o assobio do Boto?
Ela se aproximou da rede dele e sorrindo de felicidade contou baixinho o que tinha presenciado e chorou.
Ele acarinhou seu rosto e falou.
-Mulher voce pode ter se confundido a noite está escura e isso é quase impossível.
Ela jurou de pé junto e ele acreditou e depois de muitos anos eles passaram a noite juntos numa só rede.
Quando o dia estava para amanhecer Maruri voltou para casa e feliz adormeceu por umas horas.
Ela estava radiante e cantarolava enquanto arrumava o seu tapiri que na verdade só tinha um quarto e uma pequena sala as refeições ela fazia com os pais, depois de pronto ela foi conversar com a mãe.
-Mainha a cada dia eu me sinto mais feliz e mais amada e nesses três anos meus sonhos foram se realizando a cada dia e os meus desejos parecem que se tornam reais e ontem ele me disse para avisar vocês que ficaremos alguns dias longes daqui.
A mãe que de nada mais duvidava, mas como mãe queria saber aonde iriam e como seria isso.
Maruri pegou na mão dela e se sentaram no último degrau da escada e olhando para uma boa extensão do rio ela apontou para la e disse.
-Mainha o meu amado vai me levar para conhecer outros rios e outros lugares.   
-Como poderá vocês irem?
Maruri sorrindo de felicidade por poder contar tudo para a mãe começou a contar e nisso foram interrompidas pelo pai que acaba de chegar com um lindo veado vermelho no jamanchim.
-Oi família vejam o que eu trouxe. E Turiaci saiu correndo indo ao encontro dele se atirando em seus braços.
-Vovô o senhor é um grande caçador. E abraçou forte o pescoço dele.
-Voce é a minha riqueza meu neto.
Maruri se aproximou com a mãe e brincou.
-Agora voce tomou meu lugar no coração do meu pai.
Seu pai sorriu e colocou suas mãos calejadas e sujas no ombro dela e disse.
-Voce é mais que riqueza é tudo que temos e por voce daria a minha vida e agora eu te amo muito mais por me dar um neto tão especial como este.
Ela abraçou o pai e o filho juntos e perguntou.
-Painho vou ter que me ausentar por uns dias, posso deixar Turiaci com vocês.
-Não precisa nem perguntar uma coisa dessas, mas eu pergunto aonde pretende ir e com quem?
Ela sorriu e respondeu.
-O meu amado quer me levar numa viagem para outros rios.
Ele a olhou incrédulo e perguntou.
-Como é que vocês irão ele vai se transformar em homem.
Ela convidou-os para irem até a margem do rio e la chegando assobiou e logo ele apareceu fazendo festas e assobiando.
-Painho e mainha o que vão ver é um segredo nosso e assim deve permanecer. Ela se aproximou da agua e assim que que estas atingiram a altura do joelho como que num passe de mágica seu corpo se transformou em uma linda femea e logo os dois nadavam na flor da agua e davam saltos e guinchos acompanhados de assobios.
Nadaram mais um pouco e fizeram manobras para delírio do filho que chamava pela mãe e eles ficaram de focinhos encostados num beijo animal e ela nadou até a praia e ao tocar a areia seu corpo voltou ao normal e suas vestes tomaram formas e cobriram seu corpo.
Seus pais estavam as lagrimas e a abraçaram com o neto ali junto.
-Filha voce recebeu uma grande benção de Deus e da natureza.
-Sim painho eu sei o quanto Deus é generoso comigo.
-Mainha eu também nadar com o boto. Ele repetia isso, pois ainda não sabia que o boto era o seu pai.
Naquele resto dia passaram tratando da carne do veado uma parte moquearam e numa panela cozinhavam a ossada que seria o jantar daquele dia, todos estavam felizes e a noite ela desceu ao igarapé e por horas nadaram e namoraram bastante, de manhã ela se despediu e correndo se atirou na agua e desceram felizes pelas correntezas do igarapé.
Quando passaram pelas casas dos conhecidos ou amigos nadaram  e fizeram festas pulando e assobiando na casa de uma prima elas estavam se banhando e quando viram os botos nadando tranquilamente uma delas comentou.
-Vejam é um casal olha os peitos da femea ela deve estar de filhote.
Eles ouviram isso e pularam fazendo muitas acrobacias e se aproximaram delas e uma delas estendeu a mão e tocou no dorso de Maruri e gritou de alegria.
-Ela deixou que eu a tocasse que coisa linda.
Eles se afastaram mais para o fundo e se comunicavam da forma dos botos.
-Amor se elas desconfiassem ao menos que é a prima dela que se deixou tocar.
-Não acreditariam se contasse, mas agora vamos embora estou ansiosa para conhecer outros lugares. Nadaram por um tempo em aguas calmas e avistaram um cardume de Matrinchã cercaram e conseguiram apanhar algumas.
-Chega meu bem eu já estou saciada. Esta foi a primeira vez que ela experimenta se alimentar da forma naturalmente dos botos e por estar na forma deles não teve problemas até adorou a forma como o cercaram e caçaram.
Quando pararam entre umas galhadas já na desembocadura do igarapé eles submergiram e ele falou. – Veja meu amor a extensão deste rio e vamos descer por eles.
-Não a perigo nessas aguas barrentas.
-Sempre a perigos, mas os piores são os de sua raça eles matam por prazer.
-Credo amor assim me deixa com medo.
-Eu cuidarei para que nada aconteça é só me obedecer. Ele sorriu daquele seu jeito e se beijaram daquele jeito que podiam e gostavam.
Desceram nadando no fio da agua e dando saltos e assobios e nesse dia chegaram em um vilarejo, já era noite e resolveram descansar próximo de uma praia embaixo de uma galhada de uma arvore que tombara dentro da agua, eles dormem pouco e antes do amanhecer ele a levou para mostrar as luzes no meio da serração.
-Veja meu amor era assim que voce sonhava com este mundo fora do seu?
Ela olhava curiosa e nadou para mais perto da margem e disse.
-Eu nunca imaginei que poderia ter uma coisa linda dessas eu na verdade sonhava com o amor e a felicidade e o querer conhecer outros lugares era só pela angustia de me sentir sozinha, não havia como sonhar com o que não se conhece.
-Está feliz hoje? Ele se aproximou e ficou coladinho deixando o remanso leva-los para perto de umas grandes embarcações.
Ela sentiu seu toque e encostou sua cabeça na dele.
-Sou feliz a muito tempo desde que me foi pedir para ser sua esposa.
O redemoinho que formou pelo acionamento das hélices do barco quase que os pega desprevenidos, saíram rápido e nadaram para o centro do rio e continuaram descendo e foram encontrando grandes embarcações lotadas de mercadorias e passageiros e continuaram até um novo anoitecer e avistaram uma grande cidade e vieram pulando e nadando até bem próximo e ele falou.
-Quando era pequeno passei por aqui com meus pais e ele foi atingido por um arpão de um homem e tive que continuar minha viagem sozinho, minha mãe se recusava em ir embora.
Ela percebeu que ele estava triste e perguntou.
-E voce viu ela novamente?
-Não esta é a primeira vez que volto e gostaria de encontrá-la para que conhecesse voce.
 Passaram dois dias procurando, mas não encontraram e ele resolveu que deveriam continuar a viajem e assim eles viajaram até o rio mar, o grande rio Amazonas e foi mostrar aonde as aguas se misturam e nadam felizes juntos com outros botos da região e ele apresentou a ela a grande Manaus.
-É daqui que saímos para formar outra família em lugares mais ermos e povoar os pequenos igarapés, veja meu amor se um dia seria capaz de sonhar com tanta beleza.
-Jamais imaginei que existia cidades com tanta gente é muito lindo.
Eles caçavam e brincavam entre os outros e resolveram voltar para casa e brincando foram subindo e encontraram a mãe dele que fizera par com um boto macuchi ou preto se despediram e partiram e muitas pessoas comentaram a passagem desse casal de boto.
Quando chegaram depois de um mês de viajem ela pediu.
-Amor saia um pouco para ver nosso filho.
Ele saiu e caminharam de mãos dadas para o tapiri, entraram e foram até a rede que ele dormia ao lado da avó.
Ele falou em sussurro.
-Ele está lindo e será um grande homem no futuro.
Saíram e sentaram na areia e ela pediu para que ele a amasse ali naquele momento.
Ele sorriu e a abraçou e se beijaram.
-Meu amor este é meu desejo maior, mas se ficarmos junto voce terá outro filho.
-É isso que mais quero meu amado eu sinto que já está na hora de trazer um irmão para nosso filho.
Depois que se amaram ficaram deitados na areia olhando para aquele belíssimo universo de estrelas.
-Meu querido me passou uma coisa pela minha mente, quando estamos na agua e fazemos amor eu posso ficar gravida.
-Voce ainda não está madura para ter um filho naquele ambiente, mas um dia isso poderá acontecer.
-Eu terei que estar mais velha, é isso?
-Meu amor voce nunca envelhecera sua juventude será o meu trunfo, mas ficara mais madura e entendera sobre tudo dos nossos mundos, ai sim, voce estará pronta, mas enquanto isso terá que cuidar de nossos filhos daqui do seu mundo.
Ele se levantou e ajudou ela se levantar e depois de se beijarem ele caminhou até a agua e tomou sua forma original e fez umas peripécias e acrobacias e mergulhou ela acenou e caminhou para o tapiri na certeza que era a mulher mais feliz deste mundo.
 
 FIM


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