Busca: 

Apelido:

Senha:


Esqueci minha senha
 
  Área do autor

Publique seu texto
  Gêneros dos textos  
  Artigos (653)  
  Contos (939)  
  Crônicas (730)  
  Ensaios (169)  
  Entrevistas (35)  
  Infantil (204)  
  Pensamentos (642)  
  Poesias (2504)  
  Resenhas (129)  

 
 
Estátuas-03-163
Airo Zamoner
R$ 0,00
(A Vista)



Objetos-02-126
Airo Zamoner
R$ 104,00
(A Vista)






   > HOMEM E CACHORRO SE CONFUNDEM NO AMOR



LEOMAR BARALDI
      CONTOS

HOMEM E CACHORRO SE CONFUNDEM NO AMOR

 
 
 
 
 
João passeando com o seu cachorro. Sempre saía passear com o seu cachorro às tardes. Seu cachorro se chama Michael.

Melissa também saía passear com a sua cadela Birtney.

Sempre as mesmas tardes monótonas. João passeava com Michael. Sem nenhuma perspectiva. Até que num tarde, parece que o destino colocava uma luz em seus caminhos.

João e Michael iam passeando, Melissa e Birtney, num banco ao largo. De início João passou despercebidamente. Na segunda volta Melissa e Birtney continuavam lá no mesmo lugar.

João sentiu a necessidade de aproximação.
-Oi.
Melissa ficou olhando para João e finalmente respondeu um oi também.
-Que calor.
-Nem me fale. –respondeu Melissa.
-Deve ser o efeito estufa, desmatamento, degradação ambiental, matança de focas, gás liberado de couro de animais em putrefação pelos campos, emissão de poluentes de escapamento e chaminés.
-Deve ser.
-Que cachorro bonito o seu. –começou ele.
-Não está vendo que é uma cadela.
-E o nome dela?
-Birtney.
-Puxa vida, este é o Michael. Ele estava mesmo querendo conhecer cadelas novas.
-Sabe que a Birtney anseia por conhecer cachorros novos. Alguém para dividir suas pulgas.
-Você tem pulgas... Quer dizer a Birtney tem pulgas?
-Não.
-O destino deve estar conspirando a favor deles. Você sabe que hoje é Sexta-Feira 13?
-Nem me dei conta.
-Você sabe, sempre falo para o Michael nunca se envolver com cadelas que mal as vêem e já começam a balançar o rabo.
-É o que eu sempre falo para a Birtney. Não se envolva com o primeiro cachorro que aparecer. Todo cachorro é cachorro, caso contrário não seria cachorro.
-Nossa. Esse pensamento é seu?
-É. Por que?
-Foi inteligente.
-Acha?
-E você?
-O que?
-Nunca teve vontade de conhecer algo novo?
-Um cachorro quer dizer? –respondeu ela.
-Bem... acho que sim... Isso, um cachorro.
-Eu queria entender uma coisa. Todo amigo cachorro tem um cachorro amigo ou todo cachorro tem um amigo cachorro?
-Michael uma vez teve um poodle toy de amigo. Achei melhor deixar essa amizade pra lá ou ia influenciar a vida dele de alguma maneira. O poodle toy não saía de baladas, bebia, não perdia uma cadela que cruzava a sua frente. Um horror.
-Esse poodle então faria uma boa companhia a um cachorro que conheci.
-Ah, é?! Que cachorro?
-Meu marido... Aliás, meu ex-marido.
-Aposto que o flagrou com um cadela vadia?!
-Como sabe, João?
-Sei lá, intuição.
-Estou por aqui de cachorros.
-Michael jamais teria uma chance?
-Como!? Não entendi.
-Michael e Birtney. Sei lá... Mal se conheceram e estão se lambendo.
-Eu não queria que Birtney fosse enganada como eu fui.
-Michael é diferente.
-Humm.
-Posso te garantir. Controle de pulgas em dia. Banho, tosa, controle de zoonoses. Foi fiel á ultima cadela que teve. Aliás a cadela teve um fim trágico. A cadela havia comido uma esfirra estragada. Até hoje não encontrou uma cadela que superasse Marylin. Ah, cheira o pêlo dele, está cheirando a xampu.
-Vamos, Birtney, está ficando tarde.
-Não vai deixar pelo menos o telefone dela!? Caso Michael comece a uivar pelas noites, incomodar os vizinhos... Terei de arranjar uma maneira de acalma-lo.
-Michael uiva pela noite?
-Quando fica apaixonado.
-Desculpe, mas Birtney não se interessou. Até mais. Quem sabe a gente não se encontra por aí.
Observando as duas desaparecendo por entre as árvores da praça, João resmungou para Michael:
-Amigão, nossa vida praticamente se confunde em alguns pontos. Por que está olhando para mim? Ah... Desculpe, te usei naquele momento. Aliás, te usei o tempo todo. Uivar à noite?! Sei, fui mal. Pensei que ia dar certo. Vamos Michael, começar do zero.


CADASTRE-SE GRATUITAMENTE
Você poderá votar e deixar sua opinião sobre este texto. Para isso, basta informar seu apelido e sua senha na parte superior esquerda da página. Se você ainda não estiver cadastrado, cadastre-se gratuitamente clicando aqui