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   > HOMEM E CACHORRO SE CONFUNDEM NO AMOR



LEOMAR BARALDI
      CONTOS

HOMEM E CACHORRO SE CONFUNDEM NO AMOR

 
 
 
 
 
João passeando com o seu cachorro. Sempre saía passear com o seu cachorro às tardes. Seu cachorro se chama Michael.

Melissa também saía passear com a sua cadela Birtney.

Sempre as mesmas tardes monótonas. João passeava com Michael. Sem nenhuma perspectiva. Até que num tarde, parece que o destino colocava uma luz em seus caminhos.

João e Michael iam passeando, Melissa e Birtney, num banco ao largo. De início João passou despercebidamente. Na segunda volta Melissa e Birtney continuavam lá no mesmo lugar.

João sentiu a necessidade de aproximação.
-Oi.
Melissa ficou olhando para João e finalmente respondeu um oi também.
-Que calor.
-Nem me fale. –respondeu Melissa.
-Deve ser o efeito estufa, desmatamento, degradação ambiental, matança de focas, gás liberado de couro de animais em putrefação pelos campos, emissão de poluentes de escapamento e chaminés.
-Deve ser.
-Que cachorro bonito o seu. –começou ele.
-Não está vendo que é uma cadela.
-E o nome dela?
-Birtney.
-Puxa vida, este é o Michael. Ele estava mesmo querendo conhecer cadelas novas.
-Sabe que a Birtney anseia por conhecer cachorros novos. Alguém para dividir suas pulgas.
-Você tem pulgas... Quer dizer a Birtney tem pulgas?
-Não.
-O destino deve estar conspirando a favor deles. Você sabe que hoje é Sexta-Feira 13?
-Nem me dei conta.
-Você sabe, sempre falo para o Michael nunca se envolver com cadelas que mal as vêem e já começam a balançar o rabo.
-É o que eu sempre falo para a Birtney. Não se envolva com o primeiro cachorro que aparecer. Todo cachorro é cachorro, caso contrário não seria cachorro.
-Nossa. Esse pensamento é seu?
-É. Por que?
-Foi inteligente.
-Acha?
-E você?
-O que?
-Nunca teve vontade de conhecer algo novo?
-Um cachorro quer dizer? –respondeu ela.
-Bem... acho que sim... Isso, um cachorro.
-Eu queria entender uma coisa. Todo amigo cachorro tem um cachorro amigo ou todo cachorro tem um amigo cachorro?
-Michael uma vez teve um poodle toy de amigo. Achei melhor deixar essa amizade pra lá ou ia influenciar a vida dele de alguma maneira. O poodle toy não saía de baladas, bebia, não perdia uma cadela que cruzava a sua frente. Um horror.
-Esse poodle então faria uma boa companhia a um cachorro que conheci.
-Ah, é?! Que cachorro?
-Meu marido... Aliás, meu ex-marido.
-Aposto que o flagrou com um cadela vadia?!
-Como sabe, João?
-Sei lá, intuição.
-Estou por aqui de cachorros.
-Michael jamais teria uma chance?
-Como!? Não entendi.
-Michael e Birtney. Sei lá... Mal se conheceram e estão se lambendo.
-Eu não queria que Birtney fosse enganada como eu fui.
-Michael é diferente.
-Humm.
-Posso te garantir. Controle de pulgas em dia. Banho, tosa, controle de zoonoses. Foi fiel á ultima cadela que teve. Aliás a cadela teve um fim trágico. A cadela havia comido uma esfirra estragada. Até hoje não encontrou uma cadela que superasse Marylin. Ah, cheira o pêlo dele, está cheirando a xampu.
-Vamos, Birtney, está ficando tarde.
-Não vai deixar pelo menos o telefone dela!? Caso Michael comece a uivar pelas noites, incomodar os vizinhos... Terei de arranjar uma maneira de acalma-lo.
-Michael uiva pela noite?
-Quando fica apaixonado.
-Desculpe, mas Birtney não se interessou. Até mais. Quem sabe a gente não se encontra por aí.
Observando as duas desaparecendo por entre as árvores da praça, João resmungou para Michael:
-Amigão, nossa vida praticamente se confunde em alguns pontos. Por que está olhando para mim? Ah... Desculpe, te usei naquele momento. Aliás, te usei o tempo todo. Uivar à noite?! Sei, fui mal. Pensei que ia dar certo. Vamos Michael, começar do zero.


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