Busca: 

Apelido:

Senha:


Esqueci minha senha
 
  Área do autor

Publique seu texto
  Gêneros dos textos  
  Artigos (651)  
  Contos (939)  
  Crônicas (730)  
  Ensaios (169)  
  Entrevistas (35)  
  Infantil (202)  
  Pensamentos (640)  
  Poesias (2496)  
  Resenhas (129)  

 
 
Estátuas-02-161
Airo Zamoner
R$ 104,00
(A Vista)



A Princesinha Adelaide...
Jayara Ribeiro Rocha
R$ 21,80
(A Vista)






   > COMO REALIZAR UMA BOA AVALIAÇÃO COMPREENDEDO-A COMO UM PROBLEMA DE ENSINO E APRENDIZAGEM?



simone Lima Aragão de Souza
      ENSAIOS

COMO REALIZAR UMA BOA AVALIAÇÃO COMPREENDEDO-A COMO UM PROBLEMA DE ENSINO E APRENDIZAGEM?

                                                      Profª Mestra. Simone Lima Aragão de Souza.
 
A avaliação da aprendizagem tem sido alvo de discussões constantes, entretanto não se observa mudanças qualitativas nos resultados apresentados pelos alunos. Mudar a avaliação não significa apenas mudar de exame para avaliação sem, contudo compreender o que mudar nesta avaliação para que esta apresente os resultados almejados. Identificar os pontos onde precisam ser mudados na avaliação praticada, considerando o contexto da comunidade em foco é necessário paras que se possam estabelecer os objetivos e metas fundamentais ao sucesso da aprendizagem dos alunos. A avaliação, vista dessa forma não pode ser utilizada como arma, mas como estratégia que deverá identificar o quê e o porquê o aluno não está aprendendo para que se possa refletir sobre esse diagnóstico e tomar decisões favoráveis à aprendizagem deste aluno. Por isso conhecer o processo de aprendizagem do aluno é fundamental para que os processos de avaliação também possam ser compatibilizados em favor do sucesso da aprendizagem do aluno. Questionar as práticas avaliativas vigentes se faz necessário para permitir um novo sentido de avaliação com vistas a torná-la sintonizada com a demanda atual de construção de uma educação de qualidade para todos.
 
 A avaliaçãoé umelemento do ensino / aprendizagem. Sempre se avalia para algo, sempre se avalia em função dealgo. Na verdade, a avaliação da aprendizagem do aluno pode servir a uma grande variedade de propósitos, e são esses fins que devem ser analisados em primeira instância, ao abordar o assunto em relação ao problema do fracasso escolar. Em outras palavras, as perguntas usuais sobre o que avaliar, quando e como avaliar são filiais de uma outra questão preliminar: por que avaliar? (COLL, p. 2, 2003).
 
Então, se o problema da avaliação deve ser considerado dentro do processo ensino aprendizagem é necessário também encontrar alternativas para que haja a superação das dificuldades apresentadas pelos alunos durante o processo. Para tanto é imprescindível o conhecimento pelo professor sobre estes processos.
 
Adequar a avaliação com vistas á transformação social, se impõe antes de tudo numa conscientização dos educadores, de forma geral, de que a mudança na sua prática pedagógica é fator imprescindível.  Isso não ocorre tão rapidamente visto que os ranços das práticas avaliativas voltadas apenas para selecionar, aprovar ou reprovar, ainda estão muito internalizados e, mesmo debatendo-se muito sobre estas práticas já há algum tempo, essa mudança exige muita reflexão-ação e reflexão na ação. O olhar sobre os processos de ensino aprendizagem e avaliação do aluno deve ser outro olhar, diferente do que se tem feito até então. Para Hoffmann, (2005, p.15), em relação à educação os processos avaliativos são inerentes e indissociáveis, desde que concebidos na forma de “problematização, questionamentos e reflexão sobre a ação”. Assim, a avaliação deveria ser um processo de acompanhamento da trajetória dos alunos, um constante transformar de reflexão em ação, e um transformar também das pessoas envolvidas (Hoffmann, 2005, p.17).
 
 Se a prática de avaliar continua sendo para aprovar ou reprovar, se é seletiva na medida em que excluem os que não sabem, é antidemocrática e, portanto não coaduna om o conceito de avaliação. Se forem pontuais considerando apenas o que os alunos sabem na hora da prova. Segundo Luckesi, (2005, p.15.)
 
A partir do século XX, passamos a denominar a prática escolar de  acompanhamento da aprendizagem do educando de “avaliação da aprendizagem escolar”, mas na verdade continuamos a praticar “  exames escolares”.
 
Dessa forma se avaliação ainda não está sendo totalmente praticada com o objetivo de diagnosticar para subsidiar uma tomada de decisão favorável a melhoria da qualidade do desempenho do aluno, esta avaliação ainda permanece um exame.
 
Portanto, enquanto a escola mantiver a visão da avaliação como controle; de uma escola que tem credibilidade por ser rígida; que utiliza as provas como elemento ameaçador, classificatório e seletivo, com base em hierarquias de excelência; cumprimento rigoroso de programas em detrimento de uma escola que utiliza a avaliação diagnóstica, voltada para a formação humana, que rompe com a visão de equidade no processo, e então uma escola mais democrática, esta sociedade está sendo saudosista e não está compreendendo o real sentido da avaliação que deve estar voltada para a erradicação do fracasso na aprendizagem. Não se pode esquecer que para trabalhar com avaliação é necessário ter compreensão da realidade complexa que incide sobre a má qualidade do ensino e que está relacionada  diretamente no papel do professor na sala de aula, da escola em todas as suas instâncias; do sistema educativo e todos os seus determinantes, sejam eles físicos, culturais, administrativos e econômicos que condicionam a educação pública do país. Renunciar a cultura do exame se apresenta como condição decisiva para uma avaliação democrática e em função da aprendizagem do estudante.
 
Nesse contexto as discussões sobre o processo de ensino-aprendizagem têm aumentado e os estudos têm contribuído para demonstrar que, as inter-relações no interior da sala de aula, voltadas para objetivos comuns são elementos que favorecem a aprendizagem em relação a conteúdos, comportamentos e atitudes. Com a interação grupal, comum nos trabalhos cooperativos os aspectos, afetivo, social e cognitivo interrelacionam-se de forma a fortalecer a autoestima do aluno.
 
Através das relações interpessoais o sujeito sente a importância de ser coerente e lógico ao colocar seus pontos de vistas e analisar os pontos de vista dos outros, isto é a construção da autonomia. Nesse sentido as relações dos partícipes da educação não devem ser distantes, mas próximas, abertas e intensas de forma a permitirem as trocas, permanentes e necessárias para a efetivação do processo ensino-aprendizagem.
 
Nesse processo didático a avaliação demanda uma nova prática, de vilã, vista até então, passa a ser um elemento do processo de ensino aprendizagem de grande importância. Pode-se dizer que ela está no centro do processo didático pedagógico. Se as aprendizagens significativas devem ser mais valorizadas nessa nova prática educativa, a avaliação como mecanismo burocrático, que define o aluno em termos de fracasso ou sucesso não tem sentido. Nesse caso a avaliação deve ser encarada ressaltando questões essenciais: o quê, como, quando, para que e a quem avaliar.
Essa é uma reflexão que nos remete a pensar sobre os objetivos e aspectos a serem avaliados; sobre a necessidade de ampliação dos instrumentos e procedimentos a serem utilizados na aferição da aprendizagem; sobre o relevo da avaliação contínua para que o diagnóstico realizado, através dos dados coletados possa revelar de fato a situação real do aluno, da mesma forma, revelar o próprio trabalho do professor e indicar a adequação das interferências a serem feitas, no processo de aprendizagem dos alunos e na sua prática também.
 
Sobre os instrumentos de avaliação mais condizente com essa discussão dois autores, a saber, Jèssica Ramirez e Eduardo Santander U. apresentam algumas proposições que, de domínio do professor pode melhorar consideravelmente o desempenho dos alunos.
 
Sendo o avaliador aquele que vai emitir um juízo de valor referente ao avaliado é interessante propor situações de avaliação onde outros atores possam participar deste processo através da:
 
Auto-avaliação que mesmo sendo uma prática pouco usual permite que o próprio aluno possa tomar consciência do seu processo de aprendizagem, fazer uma autocrítica do seu desempenho e desenvolver autonomia para fazer a regulação de sua aprendizagem.
 
Heteroavaliação que é a mais praticada e está relacionada ao professor  avaliando o seu aluno. Entretanto esta avaliação não precisa necessariamente ser negativa desde que o professor tenha como propósito avaliar as competências adquiridas pelo aluno e considerar que o resultado obtido deverá servir para planejar novas ações que favoreçam aprendizagem dos educandos.
 
Coavaliação proposta democrática que estimula os alunos a se avaliarem entre si ou em conjunto com o professor, o aluno é coparticipe deste processo, “principalmente os referentes àaprendizagem detrabalhar em conjunto einseridosem gruposquenem sempreserá de acordocomas preferências pessoais decadamembro, entretanto se aprendeaavaliareseravaliado” Jèssica Ramirez D. e Eduardo Santander U ( p.3, 2003).
 
Alguns instrumentos se referem à comunicação direta entre avaliador e avaliado, neste caso serão observados procedimentos e atitudes devendo assim, serem utilizados outros instrumentos ou procedimentos tais como cheklist, escala de avaliação, diário de bordo, pasta de evidência, projeto, mapa conceitual, apresentação ou dissertação, caracterização e dramatizações, testes oral e escrito com perguntas abertas. Essa diversidade de estratégias proporciona uma melhor coleta de dados acerca da aprendizagem.
 
A avaliação é indispensável para que o aluno tome consciência das suas possibilidades e limites, ele de posse dessa consciência fará metacognição e consequentemente formará seu auto-conceito que contribuirá também para a construção do seu conceito de mundo. Se esta avaliação é importante para o aluno e o professor, também o é para a família que deverá ser informada e orientada acerca dessas mudanças e dos seus processos.
 
A avaliação deve ser um processo de construção compartilhada que faça parte da gestão da escola, do sistema escolar, da escola como instituição e da sala de aula.
A avaliação deve ser utilizada como momento de aprender e necessita muito de abertura conceitual para entender resultados não esperados e acontecimentos imprevisíveis; abertura investigadora para levantar as evidências tanto em relação ao processo como ao produto; abertura metodológica para acrescentar procedimentos informais frente á inflexíveis estratégias formais; abertura ética-política para escolher caminhos onde os envolvidos no processo precisam participar.
 
Pensar num novo paradigma de avaliação é pensar também em desestabilizar as práticas vigentes que emperram todo o processo de mudança
Para isso a avaliação escolar não pode ser tratada como um elemento alheio ao processo ensino-aprendizagem, mas, como elemento constitutivo, integrante desse processo.
 
O aprofundamento, no estudo sobre a avaliação e seus processos deve ser prioridade para o professor. A avaliação vigente tem promovido alunos sem a aprendizagem adequada para as séries subsequentes, isso mostra que há um mal entendido na interpretação da lei quando esta diz que não deve haver reprovação, não diz que não deve haver aprendizagem. Essa falta de conhecimento sobre o processo ensino-aprendizagem e avaliação termina por mascarar os índices de repetência na escola.
 
É necessário ao professor compreender como se dá o processo de conhecimento do aluno nos diferentes estágios da vida e aí Piaget, nos dá uma grande contribuição quanto diz que o conhecimento nunca está pronto e acabado, este se constrói nas interações do indivíduo com o meio físico e social, nas suas relações e por força de suas ações.
 
Dessa forma se desconsiderarmos as particularidades dos educandos e tratá-los de forma padronizada, naturalmente que vamos ter problemas com a aprendizagem dos mesmos. Cada pessoa é única, com suas vivências, experiências, origens, atitude e todas têm aprendizagens referentes à sua realidade e isso se constitui em diferenças individuais que não podem ser desconsideradas pelo professor se este pretende participar da mudança.
 
Então o que se propõe é uma avaliação mediadora, formativa, pautada nas pedagogias diferenciadas. Entretanto, é imprescindível ao professor o rigor científico citado anteriormente. O domínio sobre conhecimento de currículo, processo ensino-aprendizagem; conhecimento sobre seu aluno, sobre o que eles sabem; o domínio das técnicas de elaboração de instrumentos e procedimentos de avaliação e acima de tudo saber fazer as regulações necessárias durante o processo de aprendizagem do aluno quando a situação se apresentar.
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
 
COLL, César. (2003)La evaluación en el proceso de enseñanza/aprendizaje, p.2. Recuperado em 14 de maio de 2011 de www.cep cr.es/~juanma/.../Evaluacion/.../Evaproceso%20E-A.doc.
 
HOFFMANN, Jussara Maria Lerch. (1998). Pontos e contrapontos: do pensar ao agir em avaliação (4a ed.). Porto Alegre: Mediação.
 
 
HOFFMANN, Jussara Maria Lerch. (1999). Avaliação da Aprendizagem escolar:    
Estudos e proposições (9a ed.). São Paulo: Cortez.
 
HOFFMANN, Jussara Maria Lerch. (2000). Avaliação Mediadora: uma prática em
 construção da pré-escola à universidade (17a ed.). Porto Alegre: Mediadora.
 
HOFFMANN, Jussara Maria Lerch. (2008). Avaliação: Mito e Desafio: Uma
perspectiva construtivista (35a ed.). Porto Alegre: Mediação.
 
LUCKESI, C. Cipriano. (2005). Avaliação da aprendizagem na escola: reelaborando conceitos e recriando a prática (2a ed.). Salvador: Malabares.
 
MELCHIOR, Maria Celina. (1999). Avaliação Pedagógica: função e necessidade (2a
ed.). Porto Alegre: Mercado Aberto.
 
MELCHIOR, Maria Celina. (2001). Avaliação para qualificar a prática docente:
espaço para a ação supervisora. Porto Alegre: Premier.
 
MELCHIOR, Maria Celina. (2008). Da avaliação dos saberes a construção de competências (2a ed.). Porto Alegre: Premier.
 
PERRENOUD, Philippe. (1999). Avaliação: da excelência à regulação da
aprendizagens entre duas lógicas. Porto Alegre: Artes Médicas Sul.
 
RAMIREZ Jèssica D. e Eduardo SANTANDER U . (2003).Instrumentos de avaliação.  Santiago. Recuperado em 14 de maio de 2011 de
 



Significa para além da cognição, isto é, a faculdade de conhecer o próprio ato de conhecer, ou, por outras palavras, consciencializar, analisar e avaliar como se conhece.

                               



CADASTRE-SE GRATUITAMENTE
Você poderá votar e deixar sua opinião sobre este texto. Para isso, basta informar seu apelido e sua senha na parte superior esquerda da página. Se você ainda não estiver cadastrado, cadastre-se gratuitamente clicando aqui