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   > TEORIA DOS UNIVERSOS PARALELOS



Maicon Santiago
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TEORIA DOS UNIVERSOS PARALELOS

  
  TEORIA DOS UNIVERSOS PARALELOS     
 
 
    Por Maicon Santiago

 
 
 
                                                                                         UM PRINCÍPIO AUTOTRÓPICO
                                                             PARA A COMPREENSÃO DA EVOLUÇÃO CÍCLICA DE TUDO
 
 
Comecemos nossa reflexão científica observando o comportamento humano. Somos os grandes responsáveis pelo curso da história não só da humanidade, mas de cada átomo que circunscreve seus anseios!
 
Qualquer mudança ou diferença na maneira como um grupo de operários ou ativistas decidem proceder socialmente para requerer ou ressaltar seus direitos, quase sempre acarreta discussões exaustivas na mídia e/ou nos diversos segmentos partidários e religiosos de uma sociedade. Por muitos motivos, decisões de governo em diferentes níveis nem sempre são bem aceitas por determinados grupos e movimentos preocupados com algum aspecto do bem comum. E em qualquer âmbito, tudo quanto se chama conven-cional nem sempre pode traduzir perfeitamente as necessidades sociais, educacionais e políticas de um estado ou nação. Estes pontos exprimem apenas alguns exemplos básicos de problemas que um povo pode enfrentar, sobretudo quando certas mudanças são realmente necessárias. Então pense no caso de um novo modelo de realidade, em que o estranho é o real e em que, o óbvio, na grande maioria das vezes é uma mentira! Em que quase tudo o que nos foi dito desde a infância é pura ilusão. Todas as opiniões sucumbem a esta nova forma de realidade. As ideias e as culturas tecnológicas não funcionam e as observações são insuficientes ou enganosas. Que dados teríamos? Seriam eles mais fidedignos em termos científicos? Se for o caso, qual seria a distancia entre tudo o que sempre pareceu ser como é e o que realmente é?
 
Independente das decisões governamentais e políticas ou de formas ideológicas de um grupo, há um mistério maior que permeia todo o espaço em que todas essas coisas existem (ou pensamos que existem!). A vastidão da existência nunca foi mais estranha do que atualmente se acredita que seja. Nossas convicções nunca foram tão enganosas como no atual momento, e os padrões sociais e governamentais nunca foram tão bem entendidos como sendo regras muito distantes das verdadeiras leis que permitem que tais coisas existam e se processem. Pode parecer estranho, mas estou me referindo a um novo universo. De um mundo de possibilidades que se detém em uma aparência no mínimo camuflada, que cria o que pensamos conhecer quando olhamos para o mar ou para e o céu azul durante o dia, ou ainda quando voltamos nossos olhos para cima a contemplar as estrelas no céu noturno. Esta versão da realidade é algo bem diferente daquilo que aprendemos durante nossos anos escolares, ou de tudo o que por força de tradição nos tentaram fazer acreditar ao longo de nossas trajetórias educacionais. 
 
Estarei apresentando aqui um universo diferente. Neste universo, tudo o que parece ser realidade não pode ser como pensamos. Tudo aquilo que observamos é produto de uma expectativa ilusória do mundo. E tudo o que sabemos que é não existe em sua essência real, mas somente em nossos cérebros. Como alguns já suspeitavam, este modelo de universo está apoiado nas previsões da Física de Partículas, verificadas de acordo com os postulados da mecânica quântica e das previsões atuais. Mas esta teoria não se aferra a recursos que se restringem às interpretações da mecânica quântica, de modo que, devido a envolver a mente humana no mesmo contexto da evolução espontânea do universo, não trata de apresentar uma entidade conceitual ou matematicamente erigida sob bases empíricas independentes das pesquisas de laboratório. A inclusão das ciências que se ocupam do estudo do cérebro humano representa uma atitude laboral nessa estrutura teórica, tal que se encontra condicionada a uma revisão analítica da física moderna e relacionada com parâmetros neurocientíficos e certos dados fidedignos deste campo em relação àquele. Estes parâmetros constituem dadas “condições mentais” que se aplicam de acordo com o tipo psicológico do observador. Em outras palavras, o que este modelo diz é que não se pode encontrar um único universo em um ambiente experimentado por observadores de diferentes pontos de vista. Significa que a Física do século XXI começa entrar numa fase mais complicada de seu avanço, porque agora a descrição da realidade deverá estender critérios mais cuidadosos ao campo dos valores ligados ao desenvolvimento pessoal, como a educação, a cultura, a conduta individual, as crenças e as tendências sociais e da personalidade. Esta última, regente dos demais aspectos aqui listados, está ligada a fatores essencialmente genéticos. Ao contrário do que se pensava, do ponto de vista psicológico, estes valores devem influenciar muito no modo como o individuo enxerga a realidade, dita objetiva ou simplesmente “o real observável”, para então interpretá-la de alguma forma plausível.
 
A determinação mental da representação do mundo no cérebro humano varia desde conceitos específicos e estruturas matemáticas quais sejam elas, até as mais excêntricas expressões emocionais. Para todas as pessoas, a ideia de universo existe dentro de seu padrão mental de entendimento, apresentando limites diferentes de uma para outra. Por exemplo, se a expressão emocional for muito intensa, haverá certas restrições quanto a um entendimento racional mais completo e perfeito acerca da natureza. Significará que tal individuo tem sido muito influenciado por seu cérebro mais primitivo, em que uma área cerebral mais antiga chamada paleocortex exerce uma função vital típica de sobrevivência nos seres vivos. Tal padrão está verificado dentro de toda a classificação dos seres vivos, desde os répteis ancestrais, passando pelos antigos primatas. Nesses casos, o individuo se comporta de maneira mais instintiva e menos racional. Por outro lado, há pessoas que formulam questionamentos que vão dos mais simples aos mais sofisticados, de acordo com certas observações científicas. Estas pessoas podem ser pouco ou minimamente influenciadas por impulsos emocionais durante uma análise lógica, e isso lhes permite melhor desempenho intelectual em suas especulações.
 
Mas existem outros exemplos psicológicos de comportamentos individuais em relação ao questionamento cientifico. Algumas pessoas podem ter uma racionalidade favorável, mas muitas vezes cegamente limitada a protocolos, de modo que isso venha a interferir negativamente na construção de novos conceitos. Outras possuem grande técnica prática, mas lhes falta razão. Outras são um tanto supersticiosas. Algumas observam bem, mas não questionam o suficiente. Outras fazem boas catalogações, mas não associam bem as ideias. E outras dominam bem as matemáticas, mas às vezes se encerram no exagero numérico de descrições que acabam levando a caminhos errados (este fato está evidente na historia da ciência, inclusive no legado de grandes físicos).
 
 

O córtex cerebral apresenta ativações mais intensas em umas pessoas e menos em outras, bem como modificações de atividades de regiões específicas durante a realização de uma determinada tarefa. Existem processos inconscientes relacionados com a aprendizagem e a cultura da pessoa, tais que correspondem à história da utilização das redes neurais, que produzem expectativas que diferem de um indivíduo para outro diante das diferentes situações. Em certos testes, as redes neuronais que mostraram maior atividade correlacionada em estado de repouso foram aquelas localizadas no lobo parietofrontal do cérebro.
 
 
Considerando as imagens acima, existe uma característica complicada na qual a maioria dos neurobiólogos não gostam muito de falar. As áreas corticais ativadas do cérebro não são para nós um mistério. Porém, as ações fenomenológicas por trás de cada atividade neural detectada constituem um fator causal desconhecido, pelo que se presencia a decorrente inquietude dos físicos teóricos em paralelo com o comodismo dos cientistas do cérebro. Mas como deixar de lado uma característica tão obscura para a ciência como se o problema da origem subjacente da atividade cerebral estivesse resolvido? Isso seria um ato completamente antagônico à atitude de incessante busca pela verdade, pela qual a ciência reza total responsabilidade. Se o problema estivesse exclusivamente nas mãos das análises em espaço laboratorial, os experimentos mostrariam os dados e os cálculos bioquímicos e biofísicos cedo ou tarde levariam a uma resposta. Mas isso não acontece. Não é possível entender a origem de cada ativação cerebral sem questionar os aspectos mais microscópicos da matéria. Ou seja, não se pode falar dos fenômenos cerebrais de maneira fiel e completa sem mencionar o comportamento dos átomos e das partículas subatômicas. Do mesmo modo podemos perguntar sobre os processos implícitos de cada disparo de um determinado neurotransmissor que estimula o neurônio seguinte, sobre como as células nervosas convertem os estímulos aferentes em códigos neurais, ou ainda a origem do comando involuntário que os axônios recebem para ramificarem-se para outros pontos das redes neurais. As respostas atuais para essas perguntas, como bem sabemos, se limitam ao âmbito macroscópico, não deixando margem para quaisquer outras indagações. Como no cérebro não é possível apontar o lugar da consciência em nenhuma área cortical específica, os mecanismos inconscientes também não podem ter sua presença diretamente inferida. Sempre se chegará ao ponto limitante em que não haverá nada a ser analisado ou observado, nada além de uma histologia mais microscópica possível onde tais eventos devem ocorrer. A origem dos eventos em si nunca será encontrada. Tal problema está implicado na necessidade real de uma atitude mais pronta da ciência em investigar fronteiras mais distantes para explicar os fenômenos cerebrais. O fato é que, além dos dados analisados e reproduzidos nos laboratórios de Neurociência, é necessária a busca de uma teoria que faça uma ponte convincente entre os mecanismos inconscientes (ou involuntários) e o comportamento subjacente da realidade, este que traduz as mesmas leis da mecânica quântica em todo o universo.
 
A realidade como estrutura matemática é vista por alguns como uma expressão irreal, enquanto outros a encaram como a verdadeira descrição da natureza. Cada um destes pontos de vista apresenta limites diferentes em sua posição, variando quanto à aplicação, significado e tipos de representação. As sensações humanas também variam muito de uma pessoa para outra, quando um determinado aspecto da natureza é dado a conhecer ou ao tentar descrevê-lo. Muitos rejeitam uma determinada forma cientifica de lidar com a realidade porque estão emocional e ideologicamente condicionados a aceitar outros modelos, que podem ser culturais, religiosos, místicos, racionalistas, filosóficos ou mesmo científicos de linha mais conservadora. Este último também varia muito quanto ao tipo de interpretação e descrição. Alguns místicos se apoiam em teorias astrológicas, enquanto outros preferem a leitura vidente do destino de uma pessoa. Ao longo da historia da ciência, esta situação tornou nosso universo em uma fonte de significados emergentes de caráter perspectivista.
 
O Modelo QTS
 
Em minha tese de doutorado, em 2010, postulei um modelo cuja proposta inclui uma solução para os problemas do perspectivismo nas interpretações científicas. Um tipo de solução que envolve outros modelos de universo e outras teorias, sobretudo dentro da mecânica quântica. A partir de uma análise estrutural dos postulados da física quântica, avaliei que além dos mais característicos problemas enfrentados pela ciência moderna, como aqueles relacionados com as medições, estão os frágeis mecanismos cerebrais da percepção mental do comportamento das partículas atômicas. Em mecânica quântica, a ciência do átomo, quando um comportamento da natureza revela fenômenos difíceis de compreender racionalmente, os padrões psíquicos relacionados com a busca pela razão necessária simulam panoramas gerais que enunciam leis de caráter mais psicofísico do que fisicamente analisável. Assim, a fenomenologia microscópica dos sistemas estudados passa do âmbito operacional para um tipo de confinamento psicológico de expectativa técnica e intelectual, tal que se mostra pouco observável ou debilmente descritível. No cérebro, constroem-se delimitações tênues de padrões sobrepostos de possibilidades que produzem expectações interpretativas no observador, em virtude do novo circuito autocrítico subjetivo que se projeta sobre suas próprias capacidades de compreensão.
 
Esta implicação recorrente condiciona a inteligência do observador a um mecanismo sintético de análise e resolução, conduzindo o mesmo a uma espécie de conclusivismo ideológico dos fatos. Qualquer modelo de universo ao qual se possa fazer referência deveria encontrar-se satisfatoriamente dentro de um único modelo de descrição da realidade, ainda que sua constituição real estivesse fundada em determinantes advindas de diferentes fontes, as quais podem ser constitucionalmente opostas entre si. Um conjunto de fontes se une a outros conjuntos para gerar um padrão cíclico global mais provável do que quaisquer deles individualmente poderia ser, anulando assim o poder de uma resolução quântica sobre a outra. Todas as resoluções possíveis de realidades no cérebro estão reveladas numa única imagem definitiva do mundo. Em termos experimentais, a este tipo potencial de probabilidades chamamos ´sistema quântico`, tal que está formado por subsistemas em um ensemble especifico. Todos os estados possíveis coexistem no mesmo sistema, podendo sair quaisquer deles como resultado, ao qual se denomina com o termo ket. E um dado estado que o medidor lança em um autovetor recebe a denominação autoket, sistema quântico constituído de todos os autokets possíveis. No momento da medição deste sistema, apenas um entre todos estes eventos poderá ser visto e analisado. O universo então passa a ser um campo de estados criados e recriados pelos observadores em tempos e espaços diferentes entre si, de maneira que não se podem impedir as implicações das diferentes perspectivas de mundo em determinados momentos e em diferentes cérebros. Trata-se do Modelo QTS do universo, ao qual mais correntemente me refiro com o termo Interpretação Autotrópica.
 
O modelo QTS (Quantum Tropism Spontaineous) se refere à espontaneidade evolutiva do universo segundo a caoticidade das leis da mecânica quântica. Como já mencionei antes, esta evolução espontânea do universo nunca representa uma visão comum a todos os observadores, porque não se limita a uma única versão de realidade. Encerra, por assim dizer, diferentes vias e condições possíveis de autoconstrução, criando caminhos distintos de realidades alternas. Sendo assim, as implicações deste modelo na interpretação dos universos paralelos são simplesmente inevitáveis. Existem pelo menos três reflexos conceituais do modelo QTS nos postulados científicos vigentes. Estes postulados emergem fundamentalmente de fontes modelos como:
 
1. Interpretação de Muitos Mundos (IMM);
2. Modelo Lambda-CDM do universo;
3. Ação Quântica não local e Superposição.
 
Em seguida estarei falando um pouco sobre cada uma das implicações e das consequentes previsões para a formulação de uma teoria unificada da física.
 
 
1. Implicações na Interpretação de Muitos Mundos (IMM)
 
Embora o termo “muitos mundos” tenha sido cunhado por Bryce DeWitt, a idéia originou-se em 1973 na tese de Ph.D. do físico americano Hugh Everett, da Universidade de Princeton, Estados Unidos. Na época, a interpretação de Copenhague era vigente, com uma aceitação tal que ganhou lugar especial na publicação de John von Neumann, do tratado Mathematische Grundlagen der Quantenmechanik em 1932. Este documento estava de acordo com a teoria que admitia o colapso da função de onda através de dois conceitos: 1. O sistema quântico pode ser alterado pela observação; 2. O sistema evolui no tempo obedecendo à equação de Schrödinger. Porém, o colapso da função de onda passou a ser tido apenas como uma interpretação situacional, que tinha o objetivo de dar sentido à aparência fundamental da realidade física durante a medição. Uma interpretação mais profunda seria necessária para ajustar o comportamento quântico aos dados verificáveis em tal contexto. Everett sugeriu que considerando um sistema quântico com o aparelhamento de medição não se pode obter um estado bem definido, já que a presença de qualquer subsistema pressupõe a existência de certas interações fundamentais, às quais chamou de estados relativos. Entretanto, em um sistema composto se espera a interação destes estados entre os subsistemas. Não há colapso da onda nesta interpretação, já que a aparência da realidade como uma impressão decorrente dos processos de medição não pode ditar as regras do comportamento subjacente da mesma. A hipótese dos muitos mundos continua sendo compilada. Desde Everett, vários outros postulados foram propostos para complementar cada vez mais a hipótese dos muitos mundos. A proposta do princípio autotrópico decorre da análise das tendências dos postulados da Física que, no conjunto, apontam para uma mesma teoria. Um universo configurado por eventos implícitos de tropismos microscópicos comuns a todos os universos possíveis envolve, além do multiverso, uma estrutura cíclica de ramificações características para o campo mental, de modo que o cérebro recria a influencia de uma realidade aberta.
 
Uma realidade aberta consiste em um sistema quântico produzido por diferentes ramos bifurcados de inúmeras possibilidades de evolução no tempo. Cada ramo abre muitas outras possibilidades além do ramo em si. Sendo assim, é na observação que o universo é criado, tanto na filosofia como na ciência. Por isso, nesse modelo emprega-se usualmente o termo “bifurcação de ramos”. Os mundos ramificam-se na divisão, causando as impressões mentais que o observador experimenta sobre o universo. As divisões afetam a consciência e, segundo o tipo de universo mais provável, o cérebro detecta a variação correlata de mundos, produzindo uma sensação pertinente a um tipo de memória evo-cada. As divisões de mundos traduzem comportamentos quânticos presentes em todo o universo. As memórias e os pensamentos são produtos da bifurcação de ramos de estados das mesmas divisões que perturbam as ondas neurais em curso.       
 
Por esse motivo a divisão de mundos é uma divisão de estados que, no cérebro, causa respostas espontâneas e utilizáveis. Quaisquer das ideias ou palavras estão flutuando no cérebro a todo tempo, mas a pessoa não sabe. Quando ela vê algo ou ouve uma palavra que representa certa ideia, imediatamente a probabilidade de evocar o mundo daquela visão ou daquele conceito ganha maior expressão mental, até que o conteúdo correspondente finalmente se abre na consciência. Isso geralmente ocorre muito rápido, logo que o significado de um dos mundos possíveis é exposto no cérebro, produzindo a evocação de uma memória correspondente. Nesse sentido, as memórias são todos os possíveis mundos “marcados para serem relidos”. Se a pessoa nunca viveu uma experiência, a memória relacionada não aparecerá com perfeição, porque sua probabilidade no cérebro é muito pequena. O que o cérebro pode fazer é simular uma experiência, mesmo sem vivenciá-la, através de associações entre dados aproximados, como ocorre a todo tempo com os mecanismos cognitivos. Esta simulação é o produto da construção de um mundo desconhecido, dada pela reutilização de outros ramos possíveis. Assim, estamos sempre promovendo conteúdos mentais através da sobreposição de muitos outros.
 
Os detalhes de memória que ficam mais evidentes são os ramos mais prováveis de serem simulados nas bifurcações. Os menos evidentes resultam de caminhos pouco prováveis de acontecer no cérebro de forma natural. As memórias de fatos passados são eventos similares ao passado que acontecem em paralelo a todo instante no presente. Significa que o cérebro está sempre recebendo informações de diferentes dimensões extras para reconstituir um fato do passado. Desse modo, as evocações nada mais são do que estados de ação bifurcada de ramos similares entre o que se julga “antes” (passado) e o que se entende como “depois” (futuro). Nada está parado dentro de nossos cérebros. As memórias se renovam a cada instante, mostrando-se mais ou menos diferentes a cada evocação. As informações evocadas são padrões de aproximação com os conteúdos aprendidos e vivenciados, como uma repetição das mesmas vias probabilísticas que se tornaram menos resistentes durante a aprendizagem. Níveis subatômicos de trajetórias cíclicas expõem características informacionais que repetem o curso fundamental dos dados arquivados, como algo similar a caminhos abertos que foram deixados pelo fluxo de entrada anterior. Refazendo o trajeto destes caminhos, o referido conteúdo de outrora pode ser simulado com precisão considerável. Nesse momento inicia-se o processo da evocação de memória. Os mundos mentais abertos por ramificações bifurcadas de caminhos para o cérebro podem ser classificados em pouco prováveis, mais prováveis ou muito prováveis. Vejamos alguns aspectos de cada um deles:
 
1. Mundos pouco prováveis: Estes mundos ocorrem durante os sonhos, durante o tempo de espera por uma realização pessoal, ou na expectativa produzida por motivos religiosos e místicos como as profecias, as previsões de futuro e a astrologia – no cérebro, a evocação de uma memória é dada pela simulação de todos os mundos possíveis por sobreposição de muitos ramos (imaginação). Se não há experiência de um acontecimento, não há memória real do fato. O cérebro poderá apenas simular uma realidade mental das possibilidades. Ou seja, enquanto não houver execução de uma experiência compatível, não haverá possibilidade significativa para um mundo real a ser solicitado.
 
2. Mundos mais prováveis: São mundos mentais que ocorrem de acordo com a intensidade das vivências da pessoa. Quando se imagina algum acontecimento ou uma realização futura, partes de diferentes fontes de memórias se reúnem para formar um padrão. Ou seja, vários mundos mentais se reúnem e se complementam produzindo uma cena aproximada do mundo real esperado. Estes mundos no cérebro são gerados pelas diferentes expectativas pessoais. Estes são mais prováveis de serem evocados em memórias, porque existem precedentes de experiências mais ou menos parecidas com o resultado que se espera. Mas os ramos que se integram para formular imagens mentais são pouco nítidos porque não são de todo conhecidos.      
 
3. Mundos muito prováveis: Os mundos mentais que mais ocorrem no cérebro são os mais vivenciados pela pessoa. São informações que se ramificam com maior freqüência, já que existem muitos caminhos deixados em aberto para receber as diferentes bifurcações das múltiplas histórias das partículas no cérebro. É por isso que se passa a maior parte do tempo pensando no passado. São mundos mais prováveis de se ramificarem para o cérebro e tornarem mais frequentes as evocações destas memórias. No futuro, bifurcações de grande número de mundos mentais para o cérebro podem ser facilmente solicitadas por memórias mais prováveis de serem evocadas.   
 

Um conjunto de idéias – circuito de pensamentos – constitui um raciocínio. O conteúdo do raciocínio é pouco provável de ocorrência enquanto expectativa mental.
 
 
 
Uma experiência pode ser simulada pelo processo do pensamento pela associação com memórias que carregam conteúdos parecidos com o fato esperado. O conteúdo do raciocínio é mais provável de ocorrência, pois agora pode ser simulado no cérebro além de imaginado.
 
 

Após a geração voluntária de uma atitude física equivalente ao conteúdo pensado, o raciocínio torna-se um fato decorrente e muito provável na cadeia prática dos atos pessoais futuros. Tal conteúdo será um entre os mundos mais prováveis no cérebro para a próxima evocação de memória.
 
No mundo dos átomos e das partículas subatômicas (quarks, prótons, nêutrons, elétrons e fótons, além de antipartículas como antineutrinos, pósitrons e antiquarks), a evolução do universo se desdobra de uma maneira peculiar, que desafia a própria intuição e até mesmo a razão. O que percebemos através dos sentidos são apenas criações cerebrais que configuram a ideia do mundo que nos rodeia. Da mesma maneira que os átomos estão formados por partículas menores (prótons, nêutrons e elétrons), suas histórias também evoluem em partes, de modo que cada átomo tem seu correspondente em uma versão paralela possível. Isto é, um elétron pode estar no átomo A e no átomo B ao mesmo tempo, desde que sua dinâmica evolutiva espontânea o faça existir em diferentes versões em cada posição e velocidade possível. A cada estado do elétron, uma versão possível se desdobra no tempo. E cada átomo tem partes em um lugar e parte entrando em outra condição, em uma via alternativa de evolução no tempo e no espaço. Isso faz que cada próton ou nêutron também esteja sendo criado a todo instante em diferentes estados e, sendo o átomo feito destas partículas, ele próprio estará em mais de uma versão no universo. Para expressar essa condição da mecânica quântica, esta teoria se apropria do conceito de transição espontânea cíclica de estados. Trata-se de pequeníssimas quantidades de energia que passam de um ponto a outro formando partículas em um lugar e deformando-as em outros. Esta forma de transição de energia pura determina que uma partícula esteja em mais de um lugar ao mesmo tempo, já que o tempo entre um estado de transição e outro é muito curto. E retrocedendo no tempo, inserindo-se maior numero de estados paralelos prováveis, revela-se cada vez menor o período de transição entre eles. Considerando uma análise retrógrada do aparecimento do objeto observado, teremos como resultado não um, mas muitos estados paralelos, com todos os períodos prováveis aparecendo na equação. Se cada período pode ser cada vez menor, chegará um momento no cálculo em que o tempo se tornará insignificante quando muito além do tempo de Planck; e assim, atingiremos um ponto em que estes estados se tornarão inevitavelmente simultâneos. Dentro deste padrão dinâmico de evolução simultânea de estados, o único mecanismo que vem a cabeça é o paralelismo de mundos.
 
No passado, a cogitada possibilidade da existência de muitos eventos ocorrendo ao mesmo tempo abriu precedentes para a atual hipótese dosuniversos paralelos (Parallel Universes) ou interpretação de muitos mundos (Many Worlds Interpretation). Mas na época em que essa interpretação foi proposta não se cogitara sobre o que ocorreria se os muitos mundos estivessem acontecendo também em nossos cérebros. O cérebro humano não está desenhado para perceber os fenômenos da escala quântica. Um dos exemplos desta limitação é o conceito do colapso da função de onda, como já comentei anterior-mente. Durante algum tempo se acreditou que a onda colapsava na observação, já que no momento da análise se via uma partícula como resultado da abordagem da mesma onda. Mas se toda ocasião dada ao comportamento da realidade depende da interpretação cerebral da mesma, o próprio colapso da onda teve que ser considerado uma espécie de atribuição alegórica, dada em razão dos limites da percepção sensorial diante dos estranhos fenômenos da mecânica quântica. O colapso da onda é, portanto, uma impressão cerebral ilusória da realidade, não um evento real. Como muitas são as probabilidades da partícula, todos os caminhos de evolução possíveis coexistem paralelamente. O que vemos no momento da observação é apenas o resultado mais provável de ser observado. Desse modo, o estado quântico de uma partícula é produto de uma entre as maiores probabilidades no universo do observador.   
 
Mesmo o princípio da incerteza de Heisenberg indica que a partícula pode estar em dois lugares ao mesmo tempo. O sentido amplo da interpretação de Copenhague não havia sido investigado dentro desse contexto desde o início. Então, ao invés de considerarmos a incerteza por si só, procedemos com a inserção de um princípio autotrópico de evolução. Isso imediatamente muda tudo. Logo vemos que o universo não é regido por incertezas em sentido estrito, mas por processos aleatórios de tropismos evolutivos entre muitos estados quânticos. O emprego dos termos “auto” e “tropismo” (oriundos da língua grega: autos + tropein) se deve a esse estado de auto-configuração implícita do universo. A indeterminação quântica sistematiza um conceito matemático no qual dois operadores que não comutam não podem ter suas grandezas medidas com precisão mútua. Entre A e B, ou se saberá A com certeza plena ou se saberá B com total certeza. Nunca se saberá com precisão simultânea os resultados de A e B. Por isso a proposta de um tropismo cíclico de transição entre muitos estados da partícula corresponde mais aos pressupostos da interpretação de muitos mundos. Realidades feitas de transições espontâneas entre muitas dimensões são mais compatíveis com as incertezas das medições. Então, além de não haver colapso da onda, os operadores não comutam em um mesmo universo. Em dois universos, os operadores A e B podem apresentar comutação interdependente. Ou seja, enquanto em um universo a posição da partícula está sendo regis-trada com certeza plena, em outro a velocidade está sendo obtida também com total certeza. Suponhamos que o experimento deverá ser feito por um observador A e um observador B, cada um em seu universo. Se imaginarmos que um terceiro observador está olhando as medições feitas por esses experimentadores de universos separados, obteremos que a posição da partícula medida pelo observador A em um universo depende da velocidade medida pelo observador B em outro universo, e vice-versa. Nesse caso, entramos em conflito com a restrição conceitual imposta pela estrutura matemática da interpretação de Copenhague. Portanto, os operadores A e B só não comutam em um único universo de referência, assim como o colapso da onda é apenas aparente.
 
Ao inserir mais de um universo no experimento mental, a origem do comportamento da partícula é rastreada, apontando sua indeterminação como uma mistura de duas histórias paralelas do mesmo objeto. A incerteza da posição pode ser uma certeza em outro universo, assim como pode ser com a incerteza da velocidade da partícula, que em outro universo poderia estar sendo conhecida com total certeza. Isso abre um precedente para uma derivação conceitual de um processo operacional de comutação multiversal. Maior número de resultados pode ser obtido com total precisão quanto maior for o numero de universos incluídos no experimento. E, considerando a interdependência, a configuração a ser reconhecida é dita auto-isomórfica, para nos referirmos matematicamente ao comportamento transitório de um átomo ou um elétron entre duas ou mais dimensões diferentes.
 

 
Diferentes versões de uma partícula atômica e seus constituintes subatômicos. As possibilidades de diferentes histórias produzem efeitos específicos na observação. Efeitos como imprecisão na detecção de posição e velocidade ou de superposição de fótons já foram reproduzidos inúmeras vezes em laboratórios de Física de Partículas.
 
 
Na proposta do tropismo implícito de mínimas transições, entre uma probabilidade 1 e uma probabilidade 2, uma interação comum estaria se desencadeando em forma de microeventos. Cada microevento se deve ao mesmo fluxo evolutivo de transição entre dimensões extras – para tal efeito, em termos matemáticos é mais fácil chamar a estes fluxos de configuração linear entre dois pontos considerados. Seriam os criadores de estados que, de transições em transições fazem as partículas aparecerem em universos diferentes. Em Teoria-M (Membranas), obtemos 6 ou 7 dimensões recurvadas que se mostram como dimensões adicionais sobre as 4 dimensões classicamente admitidas (tridimensionalidade + tempo). Falamos em um universo de 11 dimensões que dependem de uma partícula peculiar a ser buscada por aceleração de partículas, a saber, o gráviton. Acreditamos que essa partícula representa um elo entre todas as dimensões possíveis e encontrá-la seria a chave para as respostas que buscamos. Energias mínimas de transição através de colisões entre partículas e antipartículas poderiam ser obtidas.
 
 
 
 
2. Implicações no Modelo Lambda-CDM
 
O modelo Lambda-CDM (Lambda Cold Dark Matter) é uma forma de descrição cosmológica generalizada do universo. Baseia-se nos estudos realizados a partir da radiação de fundo de microondas (Cosmic Microwave Background) e nas observações do universo a escalas astronômicas. Este modelo de universo fornece melhores explicações sobre sua expansão e números sobre a matéria e a energia escuras. A energia escura nesse modelo é associada a um padrão da vastidão chamado constante cosmológica. Nesse caso, descrevendo a fração de densidade de energia num universo plano para a constante cosmológica, teremos um valor percentual de L(lambda) = 70% da densidade de energia total do universo. Segundo LCDM, a matéria escura corresponde a 25% da densidade do universo e as partículas atômicas compreendem 4% de energia do universo conhecido. E para se ter uma idéia do pouco que conhecemos, basta entender que quando nos referimos a nebulosas, gás e poeira, estrelas, planetas e asteróides ou cometas, estamos falando de estruturas originadas de apenas 4% da matéria e energia do universo. E a quantidade de estrelas e de elementos pesados (planetas, meteoros e luas, entre outros) juntos não chegam nem a 1% da matéria total. Significa que conhecemos, portanto, com maior margem de precisão, no máximo 5% do universo observável.        
 
Entre os anos de 2003 e 2010, a sonda enviada para o espaço chamada anisotrópica de microondas Wilkinson – Wilkinson Microwave Anisotropy Probe (WMAP) –, realizou medições cada vez mais precisas que contribuíram muito para a confirmação e o melhoramento do modelo LCDM. Não sabemos do que a energia escura é feita. Nesse modelo ela é chamada de energia fria, e compreende a maior parcela de tudo o que se pode ver na vastidão do espaço. O princípio auto-trópico de evolução pode ser visualizado com base nos resultados deste modelo, uma vez que a energia escura pode estar relacionada com padrões de caminhos alternativos de partículas construindo universos que não podemos enxergar. O que há por trás da energia escura? Vamos fazer a seguinte avaliação: Se na regressão matemática do tempo de evolução de uma partícula podemos chegar a limites extremos na microscopia, qual seria a origem e o destino destes minúsculos pedaços de realidade? Quando chegamos a níveis de análise em que apenas energia pura em mínimas transições oscila, não parece ter lógica afirmar que tudo acontece em um único ambiente ou universo. Poderíamos perguntar então: Qual é a causa da energia que imprime velocidade a uma partícula? São perguntas que abrem seus derivados interrogativos quando a abordagem da mecânica quântica atinge pontos críticos de ultramicroscopia na análise matemática. Então, o inicio das energias que medimos ou das velo-cidades que estimamos deve estar no limite de uma espécie de “passagem” entre uma dimensão e outra. A esta passagem típica prefiro chamar de transição espontânea. As energias que trafegam entre muitas histórias de evolução possíveis é fruto destas transições mínimas entre estados alternativos diferentes de um mesmo espaço físico, o qual, por assim dizer, está sendo compartilhado entre muitos mundos. Quando regredimos na escala da evolução de energia e massa de um átomo ou elétron, chegamos a um ponto em que a teoria da relatividade não faz sentido. Pontos em que os valores de energia e massa são tão pequenos que não é interessante rastrear a equivalência relativística entre os mesmos. Ao invés disso, o que temos são apenas transições de energias de um ponto a outro, cuja emergência contínua não pode ser apreciada.    
 
 

 
Modelo Lambda-CDM – Este gráfico representa os percentuais associados aos valores de ele-mentos pesados, neutrinos, estrelas, hidrogênio, hélio, matéria e energia escuras. Seus valores foram atualizados pela NASA, que logo lançou o gráfico.
 
A energia escura não parece ser um lugar onde nada exista. Os dados do modelo LCDM mostram uma quantidade muito pequena de energia e matéria conhecidas em relação à grande proporção de energia escura. Essa energia fria parece conter todos os pontos possíveis para onde as transições espontâneas de energias mínimas possam se dissipar (isto é, para os 70% invisíveis do universo) e agir no universo visível participando da configuração de estrelas e planetas (menos de 5% visíveis do universo). A possibilidade de um autotropismo multidimensional de energia e matéria é compatível com a maior quantidade de energia escura e a menor proporção de matéria visível no universo. Além disso, a debilidade da força da gravidade em relação às demais forças no universo pode estar relacionada com as possibilidades das transições alternativas. Nesse sentido, uma somatória das quantidades gravitacionais de dimensões alternativas pode resultar que a força da gravidade seja a maior das forças, mas que se mostra débil em nosso universo por estar sendo dividida entre todas as demais dimensões.   
 
Ao que parece, a energia escura esconde muitos outros universos para os quais a energia da matéria do universo observável está sendo minada a todo tempo. Como a energia não pode ser destruída, não há desaparecimento de energias mínimas com o tempo, mas sua transição contínua entre muitos universos paralelos. As energias em escala quântica são eventos implícitos transitórios, sendo transferidas de uma dimensão para outra do multiverso. Esta condição afeta inclusive as decisões que tomamos, já que o circuito de fluxo desencadeado numa direção, imediatamente interfere na história transitória da partícula para o universo colateral. Isso muda todo o ciclo do desencadeamento histórico dos universos nos quais as probabilidades destas transições são maiores. De algum modo, todos os mundos possíveis serão afetados pelas nossas ações, fazendo existir alguns universos em que todas as probabilidades existem juntas. Muito do que aconteceu na história da humanidade nunca se passou em algum universo. Conquistas, guerras, reinados e colonizações de terras jamais ocorreram nestes universos.
 
Ademais do maior percentual de energia escura mostrado no modelo, existe também o comportamento expansivo do universo. A energia escura é inferida pelo efeito que ela tem sobre a expansão do universo, pelo que o modelo LCDM inclui o também parâme-tro de Hubble [H0 = 73.2 Mpc–1]. Além desse, usamos os parâmetros da densidade bariônica [Wb = 0.04], da densidade total da matéria (bárions/matéria escura) [Wm = 0.26], da amplitude de flutuação [As = 0.8], do caminho óptico para a reionização [T = 0.08] e do índice espectral escalar [ns = 0.9], ao lado da aplicação dos derivados. As análises das flutuações de densidade são feitas através dos dados obtidos sobre a amplitude das flutuações primordiais originadas na inflação cósmica, juntamente com a informação do índice espectral, que está relacionado com as modificações escalares. A expansão do universo pode esconder algo ainda mais surpreendente. Toda essa grande quantidade de energia escura em um espaço que se expande pode significar que existem outros universos se expandindo em dimensões diferentes. Para sabê-lo será necessário submeter as previsões da teoria dos universos paralelos a constantes experimentos, que deverão ser levados a cabo em aceleradores de partículas, com o objetivo de detectar essas energias de transição. Aenergia escura vem aumentando à medida que o universo se expande. A relação invertida entre energia escura e quantidade de matéria pode estar indicando que nosso universo está dividindo energia com outros universos. Seria a única resposta diante do princípio da Física que diz que a energia não pode ser destruída. Desde que o universo sofreu uma aceleração da expansão há 5 bilhões de anos atrás, o volume de energia escura aumentou de maneira substancial.
 
As implicações do princípio auto-trópico são inerentes a todas as possibilidades existentes nos diversos ciclos minúsculos de energia pura, tais que no conjunto constituem as partículas. Estando as ações humanas envolvidas nos mesmos eventos probabilísticos de transições interdimensionais, o estudo dos processos subjacentes do funcionamento do cérebro humano deverá ser feito dentro do mesmo contexto. As probabilidades de uma memória ser exposta na consciência dependem de como os mundos se bifurcam na mente para dar lugar a uma cena do passado. As memórias nesse sentido são mundos marcados para serem relidos no futuro. E se são probabilísticos, quanto menos usados esses mundos, paralelos entre si, menores são as chances de serem evocados como memórias. Os estudos neurais de laboratório mostram que as memórias tendem à extinção, quando os dados permanecem por muito tempo sem uso. Mas basta um sinal externo mínimo que aponte para aquela experiência inativa para que a memória correspondente apareça. Ou seja, os mundos paralelos relacionados a certas tendências de desencadeamento tornam-se cada vez mais prováveis quanto mais ações sejam executadas naquela direção. Por isso as pessoas se lembram mais frequentemente de fatos decorrentes no último ano de sua experiência. Assim como o cérebro, todo o universo está feito dos mesmos eventos probabilísticos que o torna cada vez mais caótico com o tempo. Tal tropismo implícito de evolução espontânea está por trás de todo sistema físico, dos quais os eventos resultantes estão governados pela segunda lei da termodinâmica.       
 
 
3. Ação Quântica não local e Superposição  
 
Os termos mais utilizados para se referir a uma “ação a distancia” são não localidade dos estados quânticos e estados quânticos entrelaçados. Tais termos fazem referencia a uma estranha relação entre partículas separadas por certa distancia, isto é, um estado cujos componentes envolvidos estão emaranhados. Quando falamos de ações não locais estamos fazendo referência à teoria de campos, em que as ações que resultam das chamadas lagrangianas não-locais fazem parte das teorias que têm a intenção de ultrapassar o modelo padrão da Física de Partículas. Tais teorias tomaram grande parte do corpo teórico da mecânica quântica, a começar pelo paradoxo EPR. Este diz que o resultado de uma medição feita em um local pode produzir um efeito instantâneo em uma medição realizada em outro lugar, independente da distancia que separa os dois objetos. Esta tese paradoxal se chamou paradoxo Einstein-Podolsky-Rosen (EPR). O entrelaçamento a distancias de milhões de anos luz passou a ser cogitado como real importância pela teoria quântica, apesar de contrariar o princípio da teoria da relatividade especial de Einstein, que diz que nenhuma informação pode ser transmitida a uma velocidade superior à velocidade da luz.
 
Após algum tempo sem uma explicação convincente, a possibilidade do teletransporte quântico começou a ser mais questionado, devido a não localidade das partículas elementares. Hoje em dia, o teletransporte quântico de informação se tornou uma realidade, comprovado mediante reproduções experimentais. Partículas de luz (fótons) podem ser transportadas de um ponto A para um ponto B em preparações laboratoriais. Uma grande proposta de aplicação desse fenômeno na tecnologia reside na construção de um supercomputador quântico, no qual a quantidade total de informações processadas em um algoritmo será muito maior. Mas qual é a causa do fenômeno do entrelaçamento? Porque isso acontece? A teoria autotrópica considera pelo menos duas explicações para a possível causa do entrelaçamento quântico:
 
1. Interpretação da imaginação complementar na observação;
2. Interpretação das histórias alternativas do experimento quântico.
 
A seguir apresentarei as duas explicações de forma resumida e simplificada. Entre muitas concordâncias teóricas destas duas interpretações com os postulados da mecânica quântica, estarei expondo as possíveis origens da instantaneidade do entrelaçamento. Ao fazer referência a fenômenos quânticos, falamos em superposição, coerência e entrelaçamento. Mas ao tentar rastrear a possível causa desconhecida destes eventos, falamos em “tropismo implícito espontâneo”. É de acordo com esse princípio que estarei falando agora a respeito das duas interpretações:
 
1. Imaginação complementar na observação
 
O problema da medição é causado por um dilema mental na escolha dos estados observados. Isso aconteceria pelo fato de todos os estados coexistirem no cérebro, independente de qual será o resultado obtido. Assim, o cérebro estaria produzindo um estado alternativo mais provável para a outra partícula. Sendo a imagem do mundo formada por partículas e luz, o estado quântico de um bloco elementar de construção pode estar sendo apenas imaginado por mecanismos cerebrais de complemento inconsciente da realidade implícita, uma vez que não a conhecemos. Entre dois estados, o mais provável aparecerá como resultado da observação do outro. Um universo cujos tropismos de transição são cíclicos, uma história mais próxima deverá ser construída para a outra parte encontrada a uma distancia considerável. Por isso o efeito se mostra de maneira instantânea, já que as ditas transições implícitas espontâneas de energia se tornam simultâneas na compressão do tempo. Todas as possibilidades existem juntas, mas no cérebro apenas o estado mais provável se abre na consciência. Tal estado representa apenas um entre uma infinidade de degraus cíclicos da criação da realidade no cérebro.       
 
2. Histórias alternativas do experimento quântico
 
A relação entre partículas localizadas a certas distâncias dependem da possibilidade de mudanças alternativas dos estados quânticos. Esta proposta se baseia na possibilidade de que, se uma medição está sendo realizada neste universo, outras medições podem estar sendo realizadas em outros universos. O estado quântico que não sai no nosso universo sai em outro. Assim, é mais lógico que se medirmos o estado de uma partícula, imediatamente o resultado seguinte sairá na sequência cíclica de eventos. Como os estados de uma sequência cíclica de evolução espontânea estão separados por distâncias temporais extremamente curtas, o fenômeno só pode ser percebido como instantâneo. O estado resultante como efeito da medição em outra parte seria o resultado de uma medição operada ao mesmo tempo em um universo paralelo, em que outro cientista está fazendo o mesmo experimento. Onde existe um laboratório pode haver muitos, paralelos entre si, devido ao acúmulo probabilístico de mundos. Seria, entretanto, um fato gerado por um dos estados paralelos mais próximos, que se manifestam como um efeito de uma das medições paralelas de uma mesma partícula. Este acontecimento justifica a verificada instantaneidade do entrelaçamento quântico, mesmo as partículas estando se-paradas por bilhões de anos-luz, já que outra civilização em um mundo paralelo pode estar presente a esta distância fazendo o mesmo experimento.                                           
 
Pode parecer estranho que a segunda proposta seja real. Mas se acreditamos que o mul-tiverso nível 3 é uma possibilidade, temos que estar prontos para aceitar todas as implicações decorrentes da mesma. Não temos a resposta definitiva. Uma abordagem auto-trópica do multiverso se enquadra em qualquer dos modelos propostos para explicar a instantaneidade do entrelaçamento. De mínimas quantidades de energias de transição, que se comportam como ondas de energia errante entre muitas dimensões extras, todos os estados das partículas estão sendo construídos ao mesmo tempo, cada um em seu universo mais provável. Uma proposta mais moderada seria a união dos dois modelos acima em uma única descrição, já que não assumiria que o fenômeno se deve totalmente à ´ação mental da imaginação complementar da realidade`, nem que é totalmente gerado por ´histórias experimentais alternativas`. Esta terceira proposta é mais equilibrada, já que não considera um extremo, mas apresenta duas origens para o mesmo fenômeno.
 
 
Um Breve Relato sobre o Princípio Autotrópico
 
Este modelo apresenta um universo em que tudo está feito de tropismos, em diferentes níveis. Os tropismos de construção estão presentes em todos os segmentos da realidade. As células vegetais, animais e as bactérias apresentam tropismos característicos em seu desenvolvimento e evolução. As plantas possuem tropismos de crescimento para arrumar a disposição dos cloroplastos e suas propriedades, além de caracterizá-las em dife-rentes espécies. Os animais possuem células que dependem destes tropismos de desenvolvimento e orientação molecular segundo o código genético. As bactérias são células eucariontes e procariontes que apresentam diferentes níveis de complexidade biológica, com núcleo e sem núcleo respectivamente. A presença de um núcleo torna a morfologia microscópica mais complexa, devido à presença de um material genético limitado por membrana nuclear e mais especializado para produzir copias de si mesmo. Os tropismos intrínsecos destes microorganismos fizeram com que o organismo mais especializado pudesse aparecer a partir da evolução do mais simples.
 
No corpo humano, os processos são ainda mais intrincados. A formação de cada órgão e segmento corporal está influenciada por expressões gênicas, regulações moleculares, mecanismos inibitórios e ativadores de proteínas especializadas para a elaboração das características das células, cujas premissas estão todas prescritas no DNA. Além destes padrões, as diversas moléculas de DNA que constituem os genes determinam outras características como a cor do cabelo, a cor dos olhos, o percentual de gordura corporal, o desenvolvimento muscular, a estatura adulta, a distribuição óssea e o tipo sanguíneo. Entre muitas outras características do corpo humano, todas elas estão mediadas por fatores intervenientes que sinalizam a próxima elaboração especializada de estruturas segundo as informações genéticas, contidas em seus respectivos locus cromossômicos. Padrões trópicos que regulam proteínas específicas, que preservam ou inibem a ação molecular, são eventos indispensáveis para evitar a construção exagerada de um tipo de tecido ou a falta de células para o desenvolvimento de outros. Todos estes eventos, em conjunto com outros mecanismos não mencionados aqui, traduzem tropismos especiais de evolução da vida, que começou seu ciclo no planeta há cerca de 3,5 bilhões de anos.   
 
Desde a formação de cada partícula elementar e de cada átomo depois do evento do Big Bang, quaisquer estruturas, das mais simples às mais especializadas do universo, estão confinadas ao mesmo principio trópico de crescimento e evolução. Não é possível conceber um universo e seres macromoleculares complexos e inteligentes sem a participação efetiva de diferentes níveis de padronização. Cada nível se especializa de acordo com as possibilidades precedentes, e acedem a uma escala mais elevada de evolução. De quarks a átomos. De átomos a moléculas. De moléculas a células. E de células a pessoas. Todos estes níveis refletem a subida na escala evolutiva de um tropismo universal e contínuo. Os resultados dessa evolução no universo culminam em processos astrofísicos, geológicos e biológicos. E em todos eles a evolução é espontânea e aleatória, independentemente da escala em que se encontre. O surgimento da vida no universo não é espontâneo. Diferentes teorias foram propostas para explicar a origem da vida em nosso planeta. A espontaneidade trópica deste problema não está no surgimento da vida, e sim na evolução aceitável da matéria comum em moléculas biológicas, onde se estabelecem todos os subsídios orgânicos necessários. Certas reações químicas primordiais parecem ter dado origem ao aparecimento de moléculas de aminoácidos na superfície aquosa da Terra. As possibilidades de agregação desse material para formar proteínas já não seriam tão remotas. Por exemplo, a união de apenas 70 a 100 aminoácidos formam uma proteína. Todos os diferentes tropismos se auto-sustentam a partir de um determinado estágio de evolução. As respostas para a difícil jornada da ciência por entender como os átomos se unem para construir o mundo à nossa volta, estão na exploração desse modelo de princípio evolutivo. As mesmas regras se aplicam ao minúsculo átomo, formado pela reunião de partículas elementares ainda menores, assim como a objetos astronômicos gigantescos como as estrelas, que são constituídas por uma grande quantidade de átomos. A regra da evolução espontânea do universo abre um enorme precedente para a proposta de um novo princípio na ciência. Um princípio que se fundamenta na proposta de que o universo apresenta uma configuração de tendências cíclicas e espontâneas, a começar pelo Big Bang, que também foi espontâneo. A natureza cíclica dos eventos nos dá a entender que nosso universo é oriundo de algo que já existia antes da singularidade original.
 
Um Princípio Autotrópico é necessário para a compreensão de todo o processo de evolução presente na natureza, segundo quaisquer leis da ciência que se possa explorar. De acordo com a tendência contínua das quatro forças fundamentais que agem no universo, não há lei da Física em que este princípio não esteja presente. As quatro forças, a saber, a eletromagnética, a força forte, a força fraca e a gravidade, atuando juntas e cada uma a sua maneira, preservam o universo a nossa volta. Uma estrela, por exemplo, depende de energia combustível originada na fusão nuclear. E esta fusão traduz um tipo de crescimento no universo microscópico cujo tropismo resulta da distância mínima necessária para que a força nuclear forte (Strong Force) atue e possa vencer a força da repulsão eletromagnética (Electromagnetic Force), que é de 10-13 cm. Tal distância constitui a regra espacial da física que produz a quebra da efetividade da força nuclear fraca (Week Force) entre os átomos, fazendo um novo tropismo de crescimento agir. A força fraca está relacionada com o decaimento radiativo, comumente chamado beta. Nesse fenômeno, uma partícula pode ser transformada em outra, num processo de transmutação natural. Os decaimentos podem ser beta positivo (b+) e beta negativo (b-). Por exemplo, no b+, um próton é transformado em um nêutron, enquanto no b- o contrário ocorre: o nêutron é transformado em próton. No primeiro caso, o nêutron aparece com a emissão de um pósitron (antipartícula do próton) e um neutrino. No segundo caso, o próton aparece com a emissão de um elétron e de um antineutrino (antipartícula do neutrino). Isto é, na transformação de uma partícula em outra, há a participação da matéria e da antimatéria. A força fraca age a partir da mesma distancia da força eletromagnética, ou seja, de 10-13 cm (as duas forças constituem assim uma única interação chamada eletrofraca). Existem elementos chamados isótopos radioativos, que apresentam decaimento mais rápido ou mais lento. Um núcleo radioativo é considerado instável, já que apresenta um número muito alto de prótons em relação aos nêutrons ou vice-versa. Alguns exemplos são o Potássio 40, o Urânio 238 e o Rubídio 87. Assim, o universo está em constante transformação. A força da gravidade (Gravitational Force) é a mais débil das forças. Em acúmulo pelo universo, ela se torna muito forte. Mas em comparação com as demais forças, sua ação local é a mais insignificante. A força da gravidade é de 10-38 vezes a intensidade da força forte, o que significa que a gravidade é de 38 ordens de magnitude mais fraca que a primeira. Aplicando a mesma regra, podemos dizer que a gravidade é de 10-36 vezes a intensidade da força eletromagnética e de 10-29 vezes a intensidade da força fraca. Mas a gravidade é significativa à escala astronômica, com importância fundamental na formação de estrelas, de galáxias e planetas. Também é responsável pelas órbitas dos planetas em torno do Sol, pela determinação da densidade atmosférica, do fluxo de fluídos e pela formação das marés, entre outros processos que podem culminar no aparecimento da vida no universo (tal que sugere o estudo dos tropismos biológicos).
 
Em síntese, no eletromagnetismo há um tropismo espontâneo implícito mediando interações entre partículas eletricamente carregadas e de campos de força magnética. Na força fraca, o mesmo tropismo age mediando um processo de transformação de uma partícula em outra, resultando no decaimento. Pela força forte, o universo é construído mediante a ação espontânea de transições cíclicas de energia entre átomos, que acabam fundindo-se em elementos mais pesados no interior das estrelas (nucleossíntese). O aumento drástico da energia cinética das partículas atômicas a altíssimas temperaturas produz um ambiente propício para a fusão nuclear. Após a explosão de uma estrela (supernova), os novos elementos formados darão origem a cometas, luas, planetas e, em certas ocasiões, seres vivos em suas superfícies. Este último processo se deve a contí-nua influência da gravidade, que atua a grandes escalas e sobre corpos de grande massa. Em virtude das implicações peculiares da força da gravidade no conceito de autotropismo, estarei falando sobre ela quando pertinente no decorrer do artigo.           
 
No universo, todas as estruturas observáveis estão em constante reciclagem, fazendo que novos materiais sejam sintetizados para a construção de outros objetos. Materiais resultantes das supernovas (que liberam partículas atômicas pesadas no espaço) entram nesta lei da reciclagem de matéria prima para a construção de outras estrelas. A todo tempo, partículas de escombros de estrelas que morrem são reciclados para a construção de outros objetos como estrelas jovens, planetas, cometas e asteróides. Na nossa galáxia, a Via Láctea, as estrelas jovens estão nas bordas dos braços espirais, enquanto mais próximo do centro estão as estrelas mais antigas. Ao centro da galáxia se encontra um buraco negro supermassivo, que às vezes atrai estrelas grandes, algumas delas gigantes vermelhas. Em ocasiões, estas estrelas que passam muito próximo ao centro se dirigem para dentro do buraco negro e nunca mais aparecem. Do material destas estrelas, parte é relançada em forma de radiação para o espaço. Parte desta radiação será acumulada em algum ponto da galáxia no futuro e entrará numa nova reciclagem de gás e poeira que, por sua vez, serão reaproveitados para a formação de outra estrela, e assim o ciclo de autoconstrução espontânea se repetirá com o uso do que foi coletado. Outras estrelas se afastam do centro da galáxia a uma velocidade de até 1600.000 km/h e interatuam gravitacionalmente com outros objetos em pontos mais distantes, de alguns milhares a alguns milhões de anos-luz de distancia, dentro de um período de bilhões de anos de viagem pelo espaço. A tendência definitiva destas estrelas é começar a mover-se no mesmo sentido das demais estrelas do grupo com o qual guardam relação gravitacional, de acordo com a localização que ocupam na Via Láctea. Os grupos estelares se movem numa direção comum a todas as estrelas devido à rotação dos braços espirais em sentido único em torno do centro galáctico. 
 
O auto-tropismo do universo é um conceito justificado pela tendência cíclica de transformação (p. ex. que faz as partículas se fundir para formar outros elementos, átomos mais pesados originados em altas temperaturas durante a nucleossíntese das explosões supernovas). Esta mesma tendência faz as estrelas se formarem, as galáxias existirem como aglomerados mais ou menos organizados de estrelas pela influência da gravidade, bem como os planetas, seus satélites e os asteróides aparecerem como resultado do resfriamento dos escombros originados das explosões de grandes estrelas. Nos planetas, a combinação de átomos na presença da água forma moléculas. Muitas moléculas inorgânicas aparecem dando origem aos materiais existentes na composição dos planetas. Por exemplo, na Terra existe uma grande concentração de moléculas formadas por elementos como o ferro, o oxigênio, o silício, o magnésio e o alumínio, entre outros. Em certos casos, as ocasiões dadas à combinação dos elementos dão origem a moléculas orgânicas, que possuem o potencial para originar a vida. Tais eventos são auto-trópicos em sua essência, isto é, são dotados de uma propriedade intrínseca de autoconstrução e funcionamento. Para a formação de cada átomo no universo existe uma receita atômica comum, a saber, a fusão nuclear. Para a formação das moléculas que entram na composição da matéria orgânica e inorgânica, a receita se chama ligação química. Os enlaces químicos estão presentes nos padrões que determinam as propriedades bioquímicas dos seres vivos. Não há formação de moléculas sem haver enlace químico. Nos primórdios da vida na Terra, os mesmos enlaces ocorriam aleatoriamente na água, dando origem às moléculas orgânicas. A regra trópica para a continuidade da existência de toda matéria orgânica é a genética. No código genético, todas as informações necessárias para fazer um novo ser vivo estão presentes, porque nele se reúnem todos os passos para repetir os dados precedentes com grande precisão. Por isso os seres vivos possuem a capacidade de deixar o molde para a construção de outro indivíduo semelhante a ele. É nessa característica essencial da auto-formação de estruturas e de seres vivos no universo que se baseia o conceito de autotropismo, um “potencial de construção própria” presente implicitamente em toda a natureza.
 
Mas não é só de construção que o universo é feito. A desintegração também é necessária. Na verdade, o universo é mais destruído com o tempo do que construído. Em certos pontos do cosmo a vida se origina, de acordo com um favorecimento inesperado do caos que às vezes pode proporcionar um ambiente mais adaptável biologicamente, uma zona habitável. A segunda lei da termodinâmica se aplica a todo o universo, pelo que o aumento da entropia total é uma ação evidente, isto é, os cálculos indicam uma grande desordem crescente no universo. A destruição de uns sistemas deve acontecer para que outros sejam construídos. Todos os processos físicos precisam de energia para a realização de seu trabalho. A energia está sempre sendo roubada do entorno dos ambientes nos quais os sistemas físicos se processam.
 
A taxa de formação de estrelas na galáxia M31 (Andrômeda) é de até 100 vezes mais alta que a velocidade de formação de estrelas em nossa galáxia. Isso acontece devido à baixa quantidade de gás remanescente que deve ser reutilizado na reciclagem efetiva de material para formar novas estrelas. Segundo observações astronômicas recentes, a quantidade de gás e poeira interestelar na Via Láctea tem diminuído muito em relação à estrutura geral da galáxia. Significa que a taxa de autodestruição atual da Galáxia se encontra maior que a taxa de autodestruição da galáxia de Andrômeda. E esta apresenta maior autoconstrução espontânea do que a Via Láctea no sentido de produzir maiores quantidades de novas gerações de estrelas. Este espectro de aumento da primeira taxa em relação à segunda levará ao domínio ultimo do caos e ao colapso do universo em sua própria estrutura na vastidão que hoje está ocupada por planetas, estrelas e galáxias. Quando por todo o universo, em cada região em comum, a taxa de autodestruição alcançar valores extremos, a ordem do espaço e do tempo será desassimilada, atingindo seu ponto máximo de congelamento final, em que as reações químicas e os sistemas físicos não são possíveis. Nesse momento as transformações termodinâmicas chegarão ao fim. O universo terá alcançado valores termológicos incompatíveis com a autoconstrução espontânea e se desintegrará em si mesmo sob frio extremo. 
 
A teoria da Física que postula esse tipo de apocalipse cósmico é o Big Rip (“O Grande Rasgo”). A teoria proposta em 2003 prevê que o universo poderá desintegrar-se totalmente caso haja um aumento drástico da velocidade de expansão do universo. Deste tipo de desassimilação nem mesmo os átomos podem ser poupados. Segundo a hipótese, toda a vastidão será desfeita e as galáxias se diluirão no oceano cósmico. Os parâmetros utilizados para prever esse estado de autodestruição definitiva são: 1. A quantidade de energia escura do universo; 2. O quociente entre a pressão e a densidade da mesma. Em termos de quantidade, a energia escura seria compatível com o evento final caso fosse muito abundante em relação aos demais componentes do universo. A desagregação da matéria poderá ser um fato inevitável. No que diz respeito ao quociente (w) entre pressão e densidade de energia, trata-se de uma variável fundamental pela aplicação das chamadas equações de estado, que ditam as regras sobre o comportamento futuro do universo. Se tivermos uma razão dada por w < -1, o estado do universo estará indicando que seu comportamento futuro seria a desintegração total. Todas as partículas atômicas seriam destruídas e, mais perto do fim da vida do universo, até mesmo as partículas mais elementares como prótons e nêutrons deixarão de ter a constituição que possuem, entrando em um colapso irreversível.           
 
 
Do ponto de vista do autotropismo, a desintegração final do universo será a última ação trópica de evolução. Sendo a desordem mais frequente que a ordem, a autodestruição no universo será cada vez mais intensa que a autoconstrução com o tempo. A entropia será cada vez maior e os sistemas termodinâmicos colapsarão em extremo frio. Não haverá mais energia suficiente de matéria para compensar a expansão do universo e continuar existindo como sistemas em autoconstrução, culminando no desaparecimento total da configuração atual do universo. A velocidade de expansão do universo terá atingido seu nível crítico e nada subsistirá. A gravidade não se acumulará com esse tipo de expansão e perderá seu domínio sobre a matéria. As distâncias entre as estruturas do universo se tornarão tão grandes que não haverá mais energia gravitacional suficiente para continuar preservando a forma do universo. Com menores proporções de massa com o tempo pela desintegração das partículas atômicas, a força da gravidade será cada vez mais débil e atingirá um ponto em que deixará de agir.                      
 
Agora, pensemos nas seguintes questões. Qual é exatamente o motor que causa esse potencial de auto-formação no universo? Fazendo essa pergunta, outras ocorrerão como conseqüência. Porque as estruturas se formam ao invés de não haver fusão alguma e nada se formar? Qual é o segredo microscópico que age por trás das forças nucleares? E quanto à força da gravidade? Porque os objetos se atraem ao invés de cada coisa permanecer em seu lugar? Mas se essas mesmas coisas estão em algum lugar do universo, mesmo atraindo outros objetos, qual é o motivo de estarem elas aparentemente paradas e flutuando no espaço? Qual é a origem quântica da força eletromagnética na natureza? Como podemos ver são muitas as perguntas que poderíamos responder facilmente utilizando as teorias da Física já existentes, tanto clássicas como modernas, bem como pela aplicação de algumas previsões daquelas que ainda estão sendo postuladas.
 
Com alguns exemplos já expostos neste artigo, farei um breve comentário sobre as duas classificações do Princípio Autotrópico:
 
1. Princípio Autotrópico Extremo: É o princípio forte, que sugere que o universo apresenta um padrão definitivo para ser como é desde a singularidade. É o mesmo que dizer que antes do Big Bang já existia um programa cósmico junto com as 4 forças para fazer o universo ter o aspecto que possui. Nesse caso teríamos um universo de natureza análoga a um ser vivo, porque estaria todo prescrito em um ponto minúsculo e singular como se fosse um DNA, que contém informações prévias para todos os passos da vida. Significa que o caos esteve presente desde o início em uma frequência que levaria ao surgimento das leis que fariam o universo ter o aspecto atual. Assim, a aparência e a estrutura geral do cosmos já estavam determinadas na singularidade do Big Bang.                  
 
2. Princípio Autotrópico Moderado: É o princípio fraco, pelo qual o universo se desenvolveu segundo padrões não definidos na singularidade. Ou seja, não havia um programa preestabelecido para o universo apresentar o aspecto que possui. Não há natureza análoga a um ser vivo nesse caso, porque o universo não estaria prescrito em um ponto minúsculo e singular, pelo que se excluem informações prévias bem definidas. Existiam os subsídios fundamentais para sua construção (as 4 forças), os quais na presença do frequente caos entrariam na composição das leis que dariam ao universo o aspecto atual. Então, a aparência e a estrutura geral do cosmos não estavam determinadas na singularidade do Big Bang.  
 
O princípio autotrópico envolve a entropia e a baixa entropia (às vezes chamada também de negentropia, a “negação da entropia”). Isto é, inclui a desordem e a ordem. A desordem é mais freqüente no universo, dada a prevalência do caos sobre a organização dos sistemas termodinâmicos. A tendência à desordem pode culminar no surgimento de alguma ordem ao acaso em determinados lugares do universo. Isso pode fazer surgir vida em certos sistemas planetários. Quando o caos chega ao ponto de fazer o acúmulo desordenado de materiais se tornar um padrão importante para formar uma estrutura, inicia-se uma ordem com certo grau de proporcionalidade para sua evolução relativamente à quantidade de entropia do sistema. Se assumirmos um parâmetro no qual a variável a (alfa) seja um evento desordenado qualquer, com b (beta) sendo uma ordem proporcional possível, sua tendência será a contínua entropia (S). Por isso, um elemento não pode continuar para sempre na condição na qual se encontra. Ele deverá passar por transformações, seja por fusão nuclear, seja por decaimento ou por combinação química (onde formará uma molécula). Enquanto em uma condição mais original, teremos um sistema mais organizado depois da variável entrópica que lhe deu origem (a). Ao passar por uma alteração, uma ordem se estabelece (b), onde um novo processo de entropia terá início (S). Este comportamento tende ao infinito (∞), podendo ser representado pela sentença: a – b = – b + a = ∞. Onde existe desordem, uma ordem pode surgir, assim como onde a ordem se inicia, a desordem terá lugar. Segue-se que uma variável sempre levará à outra, devido à espontaneidade trópica que age promovendo uma evolução cíclica de eventos em todo o universo. A tendência trópica do universo é vista na maior frequência da desordem em relação à ordem desde seu início. A condição inicial do universo já era mais caótica e desordenada do que organizada, assim como sua evolução atual se deve à mesma tendência termodinâmica, pois aponta para o aumento global da entropia com o tempo.
 
Todos os sistemas termodinâmicos apresentam tendência à desordem, dos mais simples aos mais complexos, tenham eles pouca ou muita massa envolvida. O potencial de se construir em meio ao caos está presente em quaisquer sistemas da natureza. O sistema de processamento mais complexo do universo que conhecemos é o cérebro. E igual a qualquer outro, o cérebro também tende à desordem com o tempo. As informações nos neurônios fluem aleatoriamente, não de forma organizada. São muitos os tipos de códigos neurais que fazem o pensamento acontecer. Os processos informacionais no cérebro estão sendo comparados com o fluxo de entrada (IN) a todo tempo. Em um campo mais profundo de análise (Na), os conteúdos de entrada são integrados com memórias antigas (Old Interface). Obtendo as diferenças, se estabelece pelos graus de distância e proximidade entre os dados, o componente de saída (OUT) como padrão de resposta ao meio (configuração neural ou ideação), caracterizando uma nova percepção (New Interface). A plataforma interna de raciocínio compatível com o ambiente está pronta. A relação com o meio externo se estabelece de forma ininterrupta (Inside Brain/Outside World), codificando os dados novos e decodificando os antigos. Porém, com o tempo esse processo pode apresentar falhas ou dificuldades mais freqüentes em relação ao desempenho apresentado na juventude. Durante um certo período da vida, a pessoa possui melhor desempenho cerebral, quando a memória e a compreensão das informações externas são mais eficientes. Acontece que as informações são mais adequadamente aproveitadas no período em que são mais utilizadas. Deixando de utilizá-las com certa frequência, os dados tendem à extinção. E deixando de usá-las totalmente, os dados contidos tendem ao esquecimento. Nesse caso, uma tarefa não poderá ser feita ou um conceito não poderá ser lembrado se não houver uma nova aprendizagem.
 
Em todo o universo o tropismo de tendência configuracional implica na formação de estruturas e seu funcionamento, que tendem a desordem. O aumento da entropia termodinâmica é uma condição natural da vastidão do espaço. No cérebro, as memórias tendem à mesma desordem termodinâmica, submetendo os mecanismos psicológicos a modificações informacionais em função da passagem do tempo. Significa que quanto mais o tempo passa, maior é a entropia da informação no cérebro, já que o banco de dados se torna cada vez maior. Isso torna mais difícil a evocação de uma memória muito antiga. Para encontrar uma determinada informação, o cérebro terá que deixar maior quantidade de dados mais recentes para trás. E se as experiências podem ser formuladas através de ramos bifurcados de mundos mentais, as próprias memórias devem ser resultantes de estados paralelos de uma mesma partícula no cérebro. Então, estando um átomo em dois lugares ao mesmo tempo, poderá interferir com a função codificadora dos neurônios, construindo cenas mais precisas em relação às mais duvidosas. Tal padrão se daria em decorrência dos estados mais identificáveis do átomo ao lado da incerteza dos mesmos, uma vez que o princípio da incerteza existe apenas para a consciência. No cérebro, muitos mundos agem formulando cenas e experiências, enquanto na consciência apenas as características menos incertas terão lugar. Isso acontece quando tentamos medir dois operadores que não comutam. O resultado será a maior precisão de um em relação a outro. Por isso a incerteza de posição ou velocidade de uma partícula acontece apenas no limite da consciência. No cérebro, as informações menos precisas ou incertas serão marcadas como tendo menor ímpeto de codificação neural, para serem integradas com os dados mais precisos e produzir memórias complementares. Mundos menos precisos ou de maior incerteza podem ser usados pelo cérebro para ampliar a experiência de uma pessoa. Nesse sentido, as idéias, os pensamentos sobre algo que ainda não aconteceu, as novas expectativas de vida e os planejamentos inteligentes de futuro, constituem alguns dos padrões mentais transitórios derivados de possíveis mundos que se bifurcam no cérebro diante de memórias mais precisas. As informações menos precisas se unem às possibilidades e formam padrões de pensamento. Estes podem ser sobre qual deverá ser a próxima tomada de atitude, sobre como resolver um problema existencial ou quais serão os resultados futuros de uma decisão atual. No cérebro, todas as atitudes, soluções e decisões existem ao mesmo tempo. Mas apenas uma de cada conjunto de possibilidades será posta em prática pelo indivíduo. Desse momento em diante, a pessoa estará vivendo todas as realidades, escolhidas e não escolhidas, ao mesmo tempo. A prática e a aprendizagem mais intensas se darão pela repetição dos atos realizados pela pessoa no dia-a-dia (escolhas e decisões), mas todos os mundos excluídos estarão acontecendo em simultâneo no cérebro como probabilidades potenciais.
 
Os experimentos que ainda deverão ser levados a cabo em Física de Partículas poderão ao menos nos fornecer alguns indicadores de como a teoria da gravidade quântica será comprovada. Mas parece que em escalas tão minúsculas como o tempo e o comprimento de Planck deverão nos revelar apenas micro-partes de energia, não exatamente  cordas vibrando. Pode ser que tais micro-partes instantâneas sejam passagens (ou transições de energia) que acontecem como ação espontânea de cordas para construir as partículas. Porém, a idéia de regressão matemática nos leva ao conceito de “infinito”, sugerindo micro-partes ainda menores. Então, abaixo da escala das cordas deve haver outro tipo de ação pela qual um comportamento evolutivo espontâneo origina dimensões de maneira cíclica. E se o universo pode ser infinito em escalas imensuráveis, uma teoria de tudo poderá somente explicar o “tudo atual”. Descobrimentos posteriores realizados em aceleradores de partículas, de comportamentos de energias absurdamente minúsculas (menores ainda que as cordas) tornarão o panorama aceito até então como apenas um conjunto de dados precursores de uma teoria mais completa. A descoberta do gráviton não comprovará somente a teoria da gravidade quântica, mas também proporcionará a compreensão dos mecanismos quânticos que resultam em processos mentais complexos como a memória de longo prazo e a emergência da consciência.



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