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   > Utopia



Ana Julia
      CONTOS

Utopia

Nunca se sentira tão sozinha como nos últimos meses. A pequena cidade melancólica contribuía para a obscuridade de sua alma, afinal, ela vivia ou sobrevivia? A linha era bem tênue. Tentava tirar aquilo da cabeça, pegava um livro, uma xícara de café, inútil. Deitava na cama, ligava a tv, inútil. Nada que fizesse tiraria aquela mágoa do peito, um vazio tenebroso, indescritível. Já estava cansada de tudo, de todos, mas era misteriosa. Na verdade, ela era como um texto daqueles bem complexos sabe? A maioria desiste, boa parte não se interessa, e quando alguém entendia, queria um pouco mais. Difícil. Mas pra ela pouco se importava novos amores, novos lugares, novas flores, pra ela tanto faz. A ausência daquela pessoa sim, ah, pra ela aquilo era crucial. E ela se confundia toda, por que raios aquilo a incomodava tanto? Se tudo pra ela era tão indiferente? Sim, isso a deixava louca. (como se já não fosse o suficiente)
 
Não tinha nada que tiraria aquele tédio medíocre dela, já era rotineiro. Nada interessava, ela não tava nem aí para o que as pessoas tinham pra dizer. O descontrole era o mesmo, tudo girava em torno daquela maldita ausência. O que teria ocasionado tudo aquilo? Falta de sorte? Não, era bem mais complicado. Aquilo queimava suas retinas, incandescia sua mente, gelava seu estômago, infelizes borboletas. Como tirar tudo aquilo dali? Parecia impossível, e era.
 
Abriu a janela, já era fim de tarde, (não, ela não vai se jogar) e ao menos que o fizesse, não ralaria nem o joelho, aquilo era muito baixo. Começou a olhar o sol se pôr, e percebeu que sua vida era como aquele fim de tarde, inconstante. Ela já estava quase anoréxica, não comia, só bebia café. Será que toda aquela magreza era pra tentar caber em um amor de n° 36? É, talvez deveríamos concordar com nosso querido amigo Zack M. Mas ela não concordaria, jamais, negaria sempre que sua fraqueza viria do mesmo lugar de sua força.
 
Na faculdade ela já não ia há dias, estava cansada de tudo e de todos. A falta de princípios era seu maior princípio, sua virtude. Se ela fosse diagnosticada no momento, com certeza estaria com diversos problemas visíveis e não-visíveis. Parecia impossível consertar aquele desajuste. Não conseguia ao menos conversar aquilo com ninguém, faltavam palavras e sobravam pensamentos. Como era possível sentir tanto a falta de uma pessoa que nunca foi sua? Sentir saudade de momentos que nunca aconteceram? Sentir se perdida sem ao menos sair daquele bendito quarto? Era utópico e real ao mesmo tempo. Ela era feita disso, de altos e baixos. Se equilibrando entre fúrias e afetos. 8 ou 80. Frio e quente. Amor e ódio. Era como uma onda que por onde passasse arrastaria tudo.
 
Nem beber ela queria mais, os problemas apareciam ao invés de sumir. Que vazio era aquele? Desamor...  Sentia falta dela mesma.
 
 Na verdade, esse mesmo vazio infinito era ela mesma. Que não cabia nem nela, quem diria em outra pessoa.
Já tinha passado uma semana, o efeito ainda era o mesmo, não mudava. Ela estava enlouquecendo aos poucos, afundando nas próprias mágoas. Perdia um pedaço dela todos os dias, inevitável... E até as leis da física eram a favor da sua própria desgraça. Ela sabia que por mais rápida que a luz viajasse, a escuridão chegaria primeiro. O pior de tudo é que ela sabia que não deveria ter se metido nisso antes, que não valeria o incômodo. Que não valeria o choro. Que não valeria a saudade. Mas ela se meteu. E faria tudo de novo.  
Mas essa pessoa entrou na vida dela e não soube lidar com o caos. Afinal, quem saberia? Se tivesse ficado, ela contaria os caos e teria feito dela o seu cais. 
 
Tarde demais.


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