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   > O Salvamento na BR 316



José Braz Branco de Araújo
      CONTOS

O Salvamento na BR 316

Eu transitava pela BR-316, num trecho de 4 Km entre minha casa e meu trabalho. De repente passou por mim um caminhão de carroceria com a cabine toda virada para a frente, como se estivesse sendo consertado em uma oficina mecânica. Parecia que a trava havia quebrado e a cabine virado toda para a frente encostando no asfalto e com a carro em movimento.
O motorista estava de cabeça para baixo e todos os controles do carro estavam fora do seu alcance.
O caminhão corria perigosamente desgovernado pela rodovia.

Imediatamente encostei meu carro num posto de gasolina à beira da Rodovia e sai correndo atrás daquele veículo sem controle.
Não me pareceu ridículo naquele momento,  mas eu estava de calça,  camisa e sapato sociais.
Quem viu aquela cena inusitada, certamente pensou que eu era louco. Como poderia alguém parar um caminhão desgovernado? E naqueles trajes, impossível!

Mas eu estava determinado. Corri muito até alcançar o veículo e, por puro instinto, agarrei na carroceria  próximo a cabine e puxei com bastante força para que ele subisse no Canteiro central e, talvez assim parasse.
Minha luta parecia inglória. Correndo ao lado do caminhão e puxando com todas as forças que ainda tinha naquele momento crucial.
Foram segundos que pareceram uma eternidade.
Muito pouco conseguia fazer e o veículo continuava o trajeto sem domínio.  O motorista já estava vermelho de tanto sangue concentrado só na cabeça.
Tudo parecia pender para mais uma tragédia. As mesmas que eu assistia todos os dias transitando nesse trecho da Rodovia, só que agora eu estava lá, eu fazia parte, eu era responsável.

Foi quando surgiu, como do nada, assim como eu, outro homem que vendo meu esforço hercúleo,  passou a fazer exatamente o que eu fazia.
Juntos passamos a puxar o caminhão, com bastante força até que o ele finalmente subiu no canteiro central da rodovia forçando o motor a estancar e finalmente parar. Nós estávamos exaustos, muito cansados porém felizes por termos salvado  aquele desconhecido dentro da cabine  de um veículo desgovernado.

Me refiz do cansaço e tentei olhar diretamente para meu companheiro nessa empreita, mas as pessoas já se aglomeravam curiosas e rapidamente me impedindo até de saber quem era o motorista daquele caminhão  cuja vida eu havia acabado de salvar.
Tudo aconteceu muito rápido e todas as minhas reações foram  íntegras, instintivas e solidárias.

Nessa fração de segundo, lembrei-me que tinha deixado meu carro totalmente aberto e com as chaves no contato. Corri, novamente, todo aquele trecho em sentido contrário, agora para salvar meu patrimônio,  esquecendo tudo o que ficou para trás há apenas alguns minutos.
Minha ação heroica, meu esforço supremo, meu instinto solidário e  minha vida colocada em risco por um desconhecido.

 Correndo em trajes sociais, eu proporcionei uma cena singular, e  no mínimo curiosa, para quem me viu cruzar a rodovia pro lado oposto do acidente e da multidão.
Alcancei meu carro e sentei segurando o volante para saber se tudo aquilo tinha sido real. Que eu estava ali, naquele momento, naquela hora, naquele segundo.
Mais tranquilo, dei a partida no motor e quando passei  ao lado do caminhão agora dominado, havia uma multidão em volta do local. Provavelmente enaltecendo a ação do homem desconhecido que havia me ajudado, mesmo que por pouco tempo, a salvar aquele motorista e seu veículo.

Lá estava eu, dentro do meu carro, como um simples cidadão  comum. Sem louros, sem elogios, apenas com a convicção de que eu era um herói para mim mesmo.
Mais que qualquer recompensa, moral ou material, eu estava muito feliz e pensei: “Como Deus é maravilhoso e justo. Tornou-me um herói desconhecido porque tinha uma missão mais importante para mim...salvar uma de suas preciosas  vidas.”  




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