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   > Encerra-se a primeira turma de pós-graduação em dança de salão com magnífica produção científica.



Maristela Zamoner
      ARTIGOS

Encerra-se a primeira turma de pós-graduação em dança de salão com magnífica produção científica.


Para a dança de salão brasileira, o ano de 2005 é um divisor de águas. A partir desta data, começa a educação formal na área, o que se deve à abertura da primeira turma de pós-graduação em dança de salão, na Faculdade Metropolitana de Curitiba - FAMEC. O curso tem duas coordenadoras, uma das quais, conhecida por fazer parte do âmbito da dança há muito tempo: Gracinha Araújo. Devido a uma vida dedicada à dança clássica, enfrentou os preconceitos vigentes no meio da dança de salão, superando as dificuldades. Com Abigail Carneiro, tornou realidade, de maneira pioneira, o que muitos só sonharam.

O resultado é de saldo muito positivo. Os primeiros profissionais formados passam a dispor diferenciais para seus alunos, desde o conhecimento para prevenção de lesões até teoria e prática da própria dança de salão.

Outro prêmio desta jornada é a produção científica que dela resultou. Um total de 18 monografias foram defendidas em seções públicas, entre os dias 24 de novembro de 2006 e 17 de março de 2007. Todas as apresentações foram assistidas e analisadas, permitindo constatar a qualidade da maioria das monografias. Os que concluíram seus trabalhos e foram aprovados estão de parabéns. Destes, 13 merecem destaque especial, por revelarem pesquisas muito bem conduzidas do ponto de vista metodológico, ético e por constituírem produções especialmente relevantes para o contexto atual da dança de salão. A qualidade destes 13 trabalhos, se reflete, também, na média de notas acima de 9,0.

Analisando o momento emergente em que vivemos, quando caminhamos no sentido de trazer benefícios e eliminar possíveis prejuízos para toda a gama de praticantes da atividade, as questões de saúde são prioritárias. A relevância da construção de conhecimentos relacionando dança de salão e saúde, certamente é destacada pelos trabalhos brilhantes de Grazianni Branco da Costa e Eurídes Maria de Santana.

Neste contexto, Grazianni Branco da Costa, que tem sua vida dedicada à dança clássica, como por coincidência, também é o caso da coordenadora do curso, apresentou um trabalho extraordinário, referindo-se a uma significativa amplitude de lesões verificadas em praticantes de dança de salão. O autor relacionou lesões que abrangem desde bolhas nos pés, até uma variedade de problemas de coluna. Segundo Grazianni, a prática da dança de salão está relacionada a estas lesões. O preciosismo do trabalho chega a abordar o impacto da assimetria da terceira posição (abraço), sobre a coluna vertebral. Observou, ainda, que a falta de aquecimento, alongamento e até mesmo de vestimenta e calçados adequados figuram entre os principais responsáveis por esta gama diversificada de lesões. Estas falhas, por sua vez, sabemos que dizem respeito à formação dos professores.

Outro trabalho importantíssimo foi o da autora Eurídes Maria de Santana, também com expressiva experiência na área de dança clássica, incluiu por um ano a dança de salão na educação formal, em uma turma de terceira série do ensino fundamental. Realizou um trabalho muito bem conduzido e fundamentado, seriíssimo, tanto de preparo corporal e educação para a cidadania, quanto de educação sexual. Lembramos que este último assunto é ignorado na maioria das práticas de dança de salão com crianças, adolescentes e terceira idade – grupos vulneráveis, que sofrem as conseqüências do despreparo dos professores da área.

Com alunos originários de diversas cidades e estados brasileiros, do ponto de vista da construção do conhecimento em relação ao ensino de dança de salão, destacam-se os trabalhos de Sandra Elena Ruthes, Ana Maria Caliman Filadelfi, Sheila dos Santos, Pricila Delonê Pereira e Elaine Pereira Gonçalves.

Sandra Elena Ruthes desenvolveu um sistema de classificação de músicas, via internet, que certamente contribuirá para aperfeiçoar a qualidade das aulas de muitos professores. A doutora Ana Maria Caliman Filadelfi procedeu uma avaliação extremamente bem conduzida do trabalho de música para dança de salão. Sheila dos Santos arriscou, de maneira muito interessante e polêmica, um comparativo de movimentos de dança clássica e dança de salão, sugerindo o uso da primeira em aulas da segunda. Pricila Delonê Pereira, abordou a questão do improviso na prática e no ensino de dança da salão. A autora tem alguns outros trabalhos já publicados na área de dança de salão. Elaine Pereira Gonçalves, analisou diversos aspectos da qualidade de vida proporcionada aos seus alunos pela dança de salão.

Um trabalho encantador, digno de reconhecimento e admiração, foi o de Maria Regina Monticelli, a respeito de educação inclusiva. Sua prática ocorreu no Instituto dos Cegos em Curitiba, tornando-se uma referência em técnicas de ensino de tango para esta modalidade de necessidade especial. Por extensão, seu trabalho torna-se uma referência para toda a dança de salão.

Lúcia Lima Pinto Coelho apresenta a dança de salão como dinâmica de capacitação em outras áreas do conhecimento, como favorecedora das relações interpessoais nos ambientes comuns de trabalho. Rafael Lima Lorenz, abordou a questão dos motivos que levam as pessoas a buscar a dança de salão.A preocupação com a terceira idade teve seu espaço na produção científica do curso, graças ao trabalho de Juliana Regina Crestani. A autora foi ao Rio de Janeiro para realizar sua pesquisa, trazendo dados relevantes sobre a prática da dança de salão nesta faixa etária.

Outro trabalho de qualidade indiscutível foi apresentado por Ricardo Baciquet Vasques. O autor, que tem outros trabalhos publicados na área de dança de salão, inova ao apresentar a trajetória de eventos de dança de salão, relatando de maneira muito aprofundada a caminhada do “Baila Floripa”, ano a ano. O relato destaca uma diversidade de aspectos, desde a angariação de patrocínios até seu importantíssimo papel de estímulo à produção científica na área. É a descrição de uma metamorfose que vem afirmando a qualidade do Baila Floripa. Além de tudo, um trabalho indiscutivelmente bem elaborado.

As questões legais foram abordadas pelo advogado Sandro Augusto Haise, que evidenciou diversos aspectos cujo conhecimento é indispensável para professores de dança de salão. O trabalho destaca-se ainda nos aspectos metodológicos.

O temor é que estes trabalhos maravilhosos e tão importantes para a dança de salão ganhem teias de aranhas na biblioteca, ou pior, nas gavetas de seus autores.

O ideal seria que cada uma destas obras atingisse o merecido status de livro, fazendo seu papel de democratizar o conhecimento produzido. Este pensamento resultou em uma proposta feita para a editora Protexto, responsável pelo livro "Dança de salão: a caminho da licenciatura”. Trata-se de uma estratégia de publicação, especialmente direcionada para monografias. Assim, foi criado o Projeto “Fazendo Ciência”. O Juri Acadêmico que avaliará as monografias deste projeto é composto exclusivamente por participantes com titulação mínima de mestrado. É uma participação de fato pequena, diante da grande empreitada de pioneirismo da coordenação do curso e da FAMEC. Entretanto, a necessidade imperiosa de democratizar todo este conhecimento ora produzido é mais uma etapa para elevar a dança de salão ao patamar que merece.




– mestre em Ciências Biológicas (UFPR), especialista em educação (IBPEX), licenciada em Ciências Biológicas (UFPR), bióloga atuante na Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba, docente em cursos de graduação e pós-graduação, professora de dança de salão há mais de uma década - autora de 6 livros, dentre eles o livro ") e de diversos trabalhos científicos nas áreas de biologia, educação e dança de salão.






Este artigo foi enviado para diversos sites e jornais, estando autorizado para cópia pela autora, desde que respeitada a autoria.








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