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   > Sexo e Dança de Salão



Maristela Zamoner
      ARTIGOS

Sexo e Dança de Salão


Quando “fui iniciada” nas artes da dança de salão, no início da década de 1990, percebi algo nebuloso e fortemente relacionado a sexo na atividade. Desde então venho observando, analisando, pesquisando e estudando a natureza desta relação. Precisei de anos para chegar ao ponto de entendê-la.

Por ocasião do meu primeiro contato com a dança de salão, percebi que esta atividade exercia uma influência avassaladora sobre o comportamento sexual das pessoas de qualquer faixa etária. Inicialmente, imaginei que isto se devia ao fato de que a dança de salão é dependente da relação de masculinidade e feminilidade. Esta relação se dá por uma constante comunicação realizada pelos movimentos dos corpos, o que parece ter muito a ver com sexo. Só que não era possível, naquele momento, perceber como. Este sexo, “explícito” na dança de salão, se manifestava de maneira velada. Como se todos soubessem que existia, mas agissem como se fosse outra coisa. A visão era, sem dúvida, misteriosa e certamente atraente.

Na época, como pós adolescente que era, no meio do turbilhão de pensamentos que estas observações causaram, cheguei a ver o mundo da dança de salão de uma maneira um tanto decadente. Um mundo que me pareceu de luxúria e promiscuidade, onde a arte se perdia ou não passava de uma desculpa, uma cortina de fumaça, para a fluência do que de fato se desejava. Esta visão foi reforçada pelo discurso de professores homens que afirmavam ter iniciado na dança de salão motivados pelas possibilidades de “conquistar as mulheres”. Esta idéia é comum entre muitos homens que buscam esta atividade. Para mim, soava como um desrespeito à arte, como se esta fosse rebaixada a mera conseqüência do complexo de ações hormonais e não da articulação sublime de um cérebro tão sofisticado quanto o humano. Em compensação, algumas pesquisas já mostravam que os objetivos das mulheres que buscavam a dança de salão eram diferentes.

Vi o nível mais elaborado da mente humana - a arte - imiscuída com o nível mais instintivamente animal - o sexo - coexistindo em perfeita harmonia, como se um nascesse do outro, para o outro e vice-versa. Mas, o que mais me deslumbrava era a arte que, apesar de tudo, estava presente de maneira inegável em tudo aquilo. Isto me deixava simplesmente fascinada. Minha curiosidade para desvendar esta mixagem era tanta que se seguiram anos na busca de explicações.Bem no início desta caminhada, tive dois professores, homens, cujas idades eram muito próximas da minha, em torno dos vinte e poucos anos. Inevitavelmente, cheguei para um deles e perguntei diretamente:

O quê a dança de salão tem a ver com sexo?

A resposta foi imediata e muito segura:

TUDO.

Sem nenhum acréscimo. Não sei o quê exatamente eu esperava, mas não fiquei satisfeita com a resposta. Na verdade, senti uma certa frustração. A resposta ampla, acabava não esclarecendo muita coisa. Então, recuperei a esperança e depois de alguns dias repeti a pergunta para o outro professor:

O quê a dança de salão tem a ver com sexo?

A resposta foi imediata e muito segura:

NADA.

E nenhum comentário além. Paradoxal. Pelo menos, a frustração não foi tanta. Deu lugar a mais dúvidas, o que foi bom.

Duas respostas antagônicas, ambas resumidas em apenas quatro letras. Claro, também não fiquei satisfeita. Não sabia quem estava certo, nem se ambos estavam certos ou ambos errados. Ou se o correto seria uma mescla das duas respostas.Estava claro que algo mal definido pairava no ar. De lá para cá, tornei-me bióloga e professora. Desde então, ensino Biologia na educação formal e Dança de Salão na educação informal.

Como bióloga, tive o privilégio de entender como o sexo surgiu neste planeta, por que surgiu e o que permitiu que permanecesse. Pude apreciar o porquê do sexo na história biológica da vida e da espécie humana. Entendi também a origem das doenças sexualmente transmissíveis, e a desgraça que a Aids é para a humanidade.

Como professora, compreendi a importância do conhecimento sobre sexo, sexualidade, sensualidade e, principalmente, da educação sexual. Convivi com adolescentes e vi que, sem educação sexual, suas vidas ficam expostas a riscos reais, especialmente quando estão sujeitos a determinados estímulos. Muitas vezes assisti a gravidez não planejada, em certos casos acabando em aborto. Percebi ainda, que nem sempre era “não planejada”, mas sim conseqüência de problemas relacionados à auto-estima, nascidos das mazelas sociais do mundo atual.

Esta experiência é profunda e paradoxal, tanto para um biólogo quanto para um professor de dança de salão que trabalha com sexualidade, quer queira quer não.

A junção dos conhecimentos destas duas áreas favoreceu o aprofundamento em pesquisa e experimentação que permitiu definir precisamente a relação existente entre sexo e dança de salão, bem como as conseqüências de sua ignorância, seja na sala de aula, no salão ou no palco.

Durante o processo de aquisição e articulação destes conhecimentos, foi possível perceber que a dança de salão é a mais espetacular das artes que a humanidade já criou, e como tal, merece ser entendida.

Estas vivências permitiram leituras próprias de TUDO e NADA, que discuto no livro Sexo e Dança de Salão, em lançamento virtual no site da editora Protexto (www.protexto.com.br). Partindo da origem biológica do sexo, o livro aborda o processo de seleção sexual e o surgimento da arte. Discute a natureza sexual da dança de salão como produto biológico e social. Demonstra a visão confusa que as pessoas em geral têm sobre a conexão que há entre sexo e dança de salão. Aborda a educação sexual diante dos riscos de exposição, trazendo experiências reais. O livro é encerrado com uma nova perspectiva para o futuro da dança de salão e sua relação com o sexo.

Texto modificado a partir do primeiro capítulo do livro “Sexo e Dança de Salão”.



Maristela Zamoner– mestre em Ciências Biológicas (UFPR), especialista em educação (IBPEX), licenciada em Ciências Biológicas (UFPR), bióloga atuante na Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba, docente em cursos de graduação e pós-graduação, professora de dança de salão há mais de uma década – publicou mais de 40 trabalhos científicos, muitos na área de dança de salão, autora de 8 livros, dentre eles: "Dança de Salão: a caminho da licenciatura" (2005); “Educação Ambiental na Dança de Salão” (2007) e “Sexo e Dança de Salão” (2007). Os livros podem ser adquiridos pelo site da editora: www.protexto.com.br




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