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   > A outra face do capitalismo



Amauri Marcos dos Santos
      ENSAIOS

A outra face do capitalismo

As crianças de hoje deixaram de acreditar em super heróis hollywoodianos, mas não qualquer criança. A criança da qual me refiro é aquela onde a fantasia é um bom dia de trabalho. Claro que nem tudo é trabalho. Assim como todos nós, elas também experimentam pequenos momentos de felicidade em meio a tudo isso. O que muda é que elas não desejam ter uma super força ou sair por aí voando. Não querem correr mais rápido. Elas, desde cedo, já sabem o que querem. Parece estranho dizer isso pois são crianças, e como tal, nunca sabem o que realmente querem, mas elas não são crianças normais, já disse.

Elas querem três refeições ao dia. Preferem, ao invés de correrem mais rápido, ficarem secas quando chove. A visão de raio-x foi substituída pela esperança. Pobre criança. Mal sabe ela que a esperança é a pior parte disso tudo. A esperança é pautada na incerteza. Vida incerta. Futuro Incerto. Se ela eliminasse a espera de algo melhor, talvez entendesse que o mundo dela é assim mesmo. As coisas são como são e pronto. Sofreria menos. Ouviu criança? Largue esse livro e vá trabalhar.

Ela até ouve falar de Cunha, Dilma e Levy mas estão todos muito longe, muito distantes. O que lhe soa familiar é o seu Jair da "padoca" ou a Dona Maria da farmácia, onde ela pega os remédios da mãe.

- Seu Jair, o que é impeachment?

Coitado do seu Jair. Como explicar para aquela criança que mal sabe pronunciar a palavra "impeachment", quanto mais escrevê-la ?

- Impeachment é o processo que vai mudar o Brasil, garoto.

Seu Jair não sabe explicar em detalhes, só sabe que esse tal de impeachment é bom.

Hummmm..."mudar o Brasil", mas a criança já sabe, sempre soube na verdade. Ao contrário do seu Jair, que demora a entender. Ela, que acorda as 5 da manhã para brincar de trabalhar, para servir a esse sistema majestoso, onde quem fica para trás é quem fez pouco, é preguiçoso.
Essa criança, que brinca após um dia de trabalho na rua em meio ao esgoto a céu aberto, que das poucas vezes que vai à escola está sempre com fome, deixou de esperar algo. Ela encontrou um fim em si mesma.

Políticos visitam sua comunidade, mas claro, só em época de eleição. É
nessa época que o garoto ouve sua mãe dizer com mais frequência:

- Esses políticos não valem nada, são tudo ladrão !

Mas a criança não entende ao certo a reclamação da mãe, pois todos se vestem muito bem.

Ela até tenta prestar atenção no discurso do moço, mas moço, por que fala tão complicado? Saneamento básico, infraestrutura e superávit nas contas públicas.

- Mãããe, olha lá o seu Jair no meio da multidão sorrindo. Esse impeachment deve ser bom mesmo !

É meu amigo, o espírito das crianças que serviram de base para a revolução industrial nos assombram até hoje. Então CUIDADO! Não se ganha eleição em um país cheio de criança pobre e burra...ou ganha?

Já nem sei mais.



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