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   > Abraço natalino



Elisabeth Silva de Almeida Amorim
      CONTOS

Abraço natalino

 De repente me via empurrada pela multidão ensandecida. Querendo o melhor preço  daquela suposta promoção “compre um e leve dois”.  Coração palpitava mais alto que o barulho das lojas. Estava na expectativa, de uma hora para outra você surgiria na minha frente, fazendo-se carne. Arrepiei-me.
          Sabia que o sonho seria até durar o estoque. Natal?! Passaria tão rapidinho que não daria tempo... Não daria tempo concretizá-lo.  Ainda mais quando se depende de outro que talvez também dependa de mais e  mais outros.  São muitos outros no caminho de um sonho tão pequenino...
      Finjo olhar as vitrines, assim o brilho ostensivo das luzes natalinas serviria de um bom disfarce. Essas lâmpadas pequeninas tem o dom de camuflar as nossas dores. Por quê?  Porque as pessoas deixam tudo para o Natal.  E o resultado é esse, lojas lotadas, pessoas apressadas,  e incrivelmente invisíveis.  Esbarram umas nas outras e seguem adiante. Comigo não foi diferente, pisaram em meu pé. Para que se desculpar, se é apenas mais um pé que  estava no caminho de alguém?
        Canso de andar de lá para cá, de cá para lá. Sou notada no meio da multidão sem rosto, sem nome, só com os  desejos natalinos aflorados.  Já havia perdido as esperanças, mas naturalmente a marca que tinha comigo ficou visível aos seus olhos.
         Não foi preciso dizer nada.  Os olhos diziam tudo. Sabíamos que um dia seria assim, num local qualquer, a minha estrela brilharia em cheio em seus olhos, e atraído como um imã você chegaria até mim. Coincidência ou não, aconteceu na véspera de natal. 
          O tempo parou, não tinha mais nenhuma multidão, apenas alguns empurrões por estarmos obstruindo a passagem... Eu, você e os nossos sonhos de dias melhores, sonho de um abraço... E um sonho compartilhado é bem melhor! Para que adiar? Daqui a pouco o Natal passaria e perderíamos a única, a nossa única chance... E não resistimos por mais tempo, nos abraçamos...
_ Feliz Natal!
Após aquele caloroso abraço seguimos  apressados e invisíveis  em direção oposta.

                                       Elisabeth Amorim
 


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