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   > CONSCIÊNCIA: UM FENÔMENO EMERGENTE DA EVOLUÇÃO SELETIVA DAS CÉLULAS NEURONAIS?



Maicon Santiago
      ARTIGOS

CONSCIÊNCIA: UM FENÔMENO EMERGENTE DA EVOLUÇÃO SELETIVA DAS CÉLULAS NEURONAIS?

 Por Maicon Santiago
 
 
   Partindo de uma visão epistemológica do contexto do desenvolvimento de uma teoria científica, o presente comunicado sugere uma reflexão sobre o problema do Darwininsmo Neural. Na estrutura da Teoria da Seleção de Grupos Neuronais (TSGN) existem pelo menos três limites relacionados com a “liberdade explicativa” decorrente da incompletude do naturalismo epistemológico. O primeiro limite está relacionado com as definições e os “conceitos neurocientíficos” apoiados na idéia de evolução biológica. A fragilidade dos argumentos não está na teoria evolutiva dos grupos neuronais e nem no postulado que “explica” a evolução dos mesmos em três etapas. O modelo em si está apoiado em conceitos cujas bases experimentais nos dão claramente resultados sinônimos em termos de evolução neural. Este tipo de adaptação conceitual é uma atitude possível de se tomar em relação a qualquer teoria científica. Podemos negar que ela descreve um aspecto da realidade e atribuir-lhe outro sentido, com características similares, mas apoiado em argumentos completamente explicativos e pouco ou nada preditivos. Propõe-se um “parâmetro científico” como um modelo que deve apontar que a consciência é decorrente do aparelhamento dos circuitos sinápticos. Este estabeleceu melhores mecanismos de comunicação seletiva entre grupos de neurônios no cérebro (Smoliar, 1989). Obviamente não há problemas na teoria se considerarmos a evolução da inteligência. Mas quando substituímos o termo por “evolução da consciência” as limitações se tornam visíveis. Poderíamos salvar a teoria TSGN atribuindo-lhe o termo “evolução de uma consciência inteligente”, como um modo de nos referirmos ao melhoramento da maquinaria neuronal com a qual o ser humano é capaz de analisar e resolver problemas. Ao incluir a etapa primária do mapeamento no desenvolvimento neurológico como base para experiências futuras, a teoria descreve claramente que existe uma evolução cerebral da consciência cujas tendências comportamentais estão presentes no código genético (Caspi et al., 2004). Assim, temos o fato de que um “potencial para a consciência” deve aparecer antes de um sistema assumir uma configuração neural complexa na filogenia e, consequentemente, na ontogenia. O componente genético da herança de um “repertório primário” requer uma descrição da evolução da parte complexa da consciência, onde estão as atividades mentais elevadas como a análise, o reconhecimento e a linguagem, qualidades cuja presença foi comentada por Rosenfield (Rosenfield, 1989). Portanto, a teoria descreve os padrões evolutivos morfológicos associados com a aprendizagem e a memória, não com a emergência consciência em si. O segundo limite está na maneira como a teoria vincula o desenvolvimento neurológico com a história da evolução humana. O contexto da evolução biológica do trabalho de Charles Darwin retrata o cenário evolutivo que favorece o desenvolvimento especializado das espécies, mesmo em presença dos valores vitais dos menos aptos (Darwin, 1859). Isto é, a seleção natural não é estimulada pela ausência dos padrões de sobrevivência nos grupos menos aptos, mas favorecida pela ineficiência de uns em se adaptar mediante as mesmas habilidades desempenhadas por outros. Por isso, o argumento da teoria TSGN não é completo, uma vez que advoga que a consciência “tem origem” na seleção de grupos neuronais. Para que haja uma evolução da consciência, um agente microscópico potencial, que precede os próprios caminhos tomados por ela, deve estar presente no universo (Hameroff and Penrose, 2014). 

A evolução biológica, que se encaixa bem no argumento da seleção do mais apto, favorece a aptidão a partir de um modelo de adaptação pré-existente, ancestral (Darwin, 1859). Por outro lado, o aparecimento da consciência a partir da evolução biológica (de circuitos neuronais) implica em afirmar que o Sistema Nervoso primitivo não era suficiente para que um ser vivo tivesse consciência. Obviamente, a presença de um SNC não é suficiente para que um indivíduo possua inteligência e saiba que possui consciência. Não sabemos quando a consciência apareceu. Sabemos que o cérebro passou por etapas de evolução que o tornou cada vez mais capaz de processar e integrar informações. Por isso o ser humano está mais apto para aprender e reforçar suas experiências, através do mecanismo da neuroplasticidade (Purves, 2004). E para isso acontecer deve existir uma interação rudimentar com o ambiente, ao menos de estimulo e resposta, que atue como mecanismo de adaptação de seres vivos primordiais. Circuitos complexos se desenvolveram a partir do estimulo constante do meio, estabelecendo a especialização da consciência dos sistemas vivos. Ao incrementar a capacidade cerebral de registrar informações, o ser vivo começa a perceber suas próprias necessidades e determinar seus limites territoriais. Mais tarde tornou-se capaz de procurar alimento e preparar-se para a fuga de predadores. Nesse momento aconteceu algo que não se limita à seleção de grupos neuronais. A seleção dos grupos mais aptos agora tem propriedades que superam a resposta rudimentar ao meio. Acontece que a seleção é necessária, mas não é o único recurso fundamental para fazer que os ancestrais primatas tivessem percepção da própria existência. Deve emergir, à medida que os grupos são selecionados, etapas mais especializadas de um editor cerebral profundamente sensível aos estímulos externos, que identifique, processe e analise os padrões sensoriais para poder dar sentido às informações e, através disso, reconhecer as memórias como novas experiências. Uma rede de neurônios selecionados para integrar informações caracteriza os recursos funcionais observáveis da relação da pessoa com o mundo, chamados de Correlatos Neurais da Consciência (Crick and Koch, 1990).

Não é difícil perceber que para explicar completamente a consciência precisamos também de uma teoria com base na mecânica quântica, cujos modelos descrevam processos relacionados com as propriedades dinâmicas e espontâneas de relação com o mundo externo (objetivo) e o mundo interno (subjetivo). A TSGN explica os aspectos de ordem psicofisiológica da consciência. Isto é, não pode estar incumbida de explicar como, onde e porque as memórias se formam; ela não foi formulada para dizer qual é o motivo profundo do reconhecimento automático do significado de uma informação; não tem a função de esclarecer de que modo surgem as questões pessoais relacionadas com a formação de pensamentos e com as experiências subjetivas. Estes aspectos devem ser explicados por uma teoria que descreva as interações mais microscópicas possíveis, com base na física moderna. A teoria da consciência de Edelman está estruturalmente correta, mas substancialmente incompleta. A terceira incompletude está na classificação que a teoria apresenta. As etapas de “seleção no desenvolvimento” e de “seleção na experiência” traduzem a propriedade que o cérebro possui para aprender, que é tanto determinada geneticamente (desenvolvimento) quanto influenciada pelo ambiente (experiência) (Edelman, 1999). A etapa de sinalização reentrante é um processo relacionado com o reforço de memórias, que no cérebro formam padrões sinápticos mais especializados (Edelman, 1993). Cada uma das fases do mapeamento entre grupos selecionados precisa ser reforçada posteriormente (Rosenfield, 1986). Na terceira fase ocorrem as interconexões recíprocas entre grupos paralelos de neurônios, mas a teoria não deixa uma resposta convincente para o motivo deste acontecimento. Porque os grupos neuronais são selecionados como unidades evolutivas? E depois disso, porque são interligados entre si? Os mapas formados no interior do cérebro são padrões de respostas de um “editor de significados que opera em níveis quânticos”. A base subjacente da consciência é responsável pela interpretação das solicitações do meio externo e da vida interior (Hameroff and Penrose, 2014). Este processo não computacional conta com graus de espontaneidade e de autonomia para adaptar-se às modificações ambientais. A consciência recebeu da ciência um correlato neural para explicar sua atividade observável (Gray and Singer, 1989). Agora ela precisa de um correlato quântico para explicar a emergência de uma relação evolutiva, inteligente e perceptual com os mundos externo e interno.       
 

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Referencias
 
Caspi A, Moffit TE, Morgan J, Rutter M, Taylor A, Arseneault L, Tully L, Jacobs C, Kim-Cohen J, Polo Tomas M. Maternal expressed emotion predicts children`s antisocial behaviour problems: using monozygotic twin differences to identify environmental effects on behavioural development. Develomental Psychology 2004;40(2):149-161.
 
Crick, F, Koch, C. Towards a neurobiological theory of consciousness. Sem Neurosci 1990;2:263-75.
 
Darwin, C. (1859). On the Origin of Species by Means of Natural Selection, or the Preservation of Favoured Races in the Struggle for Life. S. Murray, J, London; modern reprint Charles Darwin, Huxley, J. The Origin of Species. Signed Classics, 2003. ISBN 0-451-52906-5.
 
Edelman, G.M. (1993). Neural Darwinism: Select and Reentrant Signaling in Higher Brain Function. Neuron, 10(2):115-125.
 
Edelman, G.M. (1999). Building a Picture of the Brain. Annals of the New York Academy of Sciences, 882:68-89.
 
Gray, C.; Singer, W. Stimulus-specific neuronal oscillations columns of cat visual cortex. Proc Natl AcadSci USA 1989;86:1698-702.
 
Hameroff, S.; Penrose, R. Consciousness in the universe. A review of the ´Orch OR` Theory. Phys Life Rev, 11(1)(2014), pp 39-78.
 
Purves, D. et al. Neuroscience. Sinauer Associates, Inc. 3ed ad. 4,7(2004).
 
Rosenfield, I. (1986). Neural Darwinism: A New Approach to Memory and Perception. The New York Review of Books, 33(15) (October 9, 1986):21-27.
 
Smoliar, S.W. (1989). Book Review: Neural Darwinism: The Theory of Neuronal Group Selection. Gerald Edelman. Basic Books, New York, 1987. Artificial Inteligence, 39(1):121-139.
 
 

 

 
Sobre o autor:
 

Dr. Maicon Santiago é cientista multidisciplinar, físico teórico, neurocientista, fisiologista, matemático, astrônomo e astrofísico. Também atua como escritor, divulgador científico, ensino de ciência e trabalha no melhoramento dos métodos da comunicação do conhecimento científico. É especialista em Neurociência e Biologia Celular e Doutor em Astronomia e Astrofísica, além de professor, artista plástico, teólogo e filósofo. Possui especialização em Fisiologia por UCC (Cuba), especialização e doutorado em Física na Europa (Espanha) e cursos em Ciência da Computação e Mecânica Quântica por Stanford University, Estados Unidos, entre outros lugares do mundo, incluindo o Brasil (uma especialização e dois doutorados). É o criador de várias teorias científicas, estando entre elas as mais contundentes como A Origem do Universo a partir de um Potencial Cosmológico, a Teoria do Potencial Evocativo de Memórias, a Teoria da Emergência da Consciência a partir da Mecânica Quântica (conhecida como Correlato Quântico da Consciência - QCC), o Modelo Randômico do Campo Probabilístico (conhecido como Modelo IBF – Information Bifurcates Fields) e uma teoria sobre a evolução mecânica do Sistema Solar (conhecida como Teoria da Ressonância Periférica Protoplanetária - RPP). Atualmente realiza trabalhos em Medicina, Neurofisiologia, Mecânica Quântica, Tecnologia da Informação e Astronomia.



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