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   > Progresso Amargo



Paulo Ademir de Souza
      CONTOS

Progresso Amargo

 Os dias parecem contados nos dedos da mão calejada.

O sol da manhã nem tinha despertado, e Seu José, dona Lurdes e o filho maior, Fabiano, já encaravam mais um dia de trabalho no canavial da fazenda São Luiz, no interior de São Paulo. A primeira parte do dia rendeu à base do esforço concentrado daquela família guerreira.
Na hora de abrir a marmita surrada e fria, o patriarca lembrava os tempos em que fugia da seca castigante nordestina para queimar e cortar cana-de-açúcar “do outro lado do mundo”. Nem o carvão da palha, nem o calor ardido do sol e, nem mesmo, a fumaça sobrada da quentura do fogo – que chegava a tirar o seu fôlego – eram páreos para a bravura amostrada no dia a dia por aquele sertanejo persistente. Mas uma coisa tirava-lhe o sossego: era um bicho grande de muitas toneladas vindo do estrangeiro que arrasava o canavial numa só pancada. Além de arrancar a cana, também separava a palha do resto. Esse tal bicho feio – como dizia Seu Zé – valia mais do que uma ruma de homens. Na fazenda vizinha, o bicho já devorava as canas sem dó. Um só homem o comandava, o restante, Seu Zé não sabia dizer que fim levou. A angústia do homem do campo era muito séria. Ele tinha mais dois barrigudinhos em casa esperando o di cumê. Por baixo de toda aquela roupa esfarrapada, encontrava-se um homem combalido, com o corpo todo coberto e apenas os olhos de fora, estes então marejavam.
A mulher e o filho maior comiam a boia com satisfação. Ao passo que o velho Zé ia digerindo com dificuldade o rango frio da metade do dia.
Após o descanso ligeiro, o podão batia firme e ritmado no rebaixo da cana. Depois de um bando delas cortado, os trabalhadores amarravam e jogavam o fardo por cima do caminhão num esforço medonho, no entanto, o marido de dona Lurdes não praguejava.
O sol da tarde já ia descansar, enquanto Seu José ainda penava finalizando a lavagem da ferramenta e preparava-se para encarar a condução precária. Há tempos, ele vinha notando a subtração dos companheiros de lida. Sentou-se no banco desconfortável assuntando a paisagem passar, e sem saber se amanhã teria cana para cortar.








Paulo A. Souza


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