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   > Perdão Tardio



Paulo Ademir de Souza
      CONTOS

Perdão Tardio

 

 

 

 

 

 

          O esforço era imenso para não chorar, mas, a feição contraída e trêmula; o olhar distante e plangente não tardou a receber a umidade lacrimosa que juntou às vistas e escorreu pelo seu rosto deflagrando a tristeza que se instalou em seu coração naquele momento solitário e vazio.

          Um frio cortante desceu pela espinha, a voz murmura algo mas sem som. O coração triste sangrava como se uma flecha sagrada vazasse os sentidos retomando os batimentos imperfeitos. Mente inerte, perna frágil, e o corpo foi ao chão de joelhos. procurou buscar forças para juntas as mãos, e diante da sepultura do filho fazer uma oração.


          Havia brigado com o filho dias antes de inicia uma viagem de negócios ao Chile. A esposa e mãe ainda insistiu para que houvesse a reconciliação antes da viagem, porém ele relutou e não perdoou o filho dizendo que iria pensar no assunto durante a viagem e quando retornasse iria chamá-lo para uma conversa séria. A esposa ainda, numa derradeira tentativa, citou uma passagem bíblica que Jesus ensinava para reconciliar no caminho enquanto estivesse junto. Ele de pronto respondeu que ia ao Chile ganhar dinheiro para pagar o prejuízo causado pelo filho. 

          No dia seguinte, viajou. Tascou um breve beijo na face da  mulher, ignorou o filho que permanecia dormindo em seu quarto. Depois de uma semana, retornou já sabendo da trágica notícia. O filho morrera em um acidente de moto, veículo emprestado por um amigo, já que o pai havia proibido as chaves do carro, no caminho para a faculdade.


          Diante do túmulo, veio um sopro de alento trazido por um anjo bom acalentando a alma. retirou do bolso uma carta escrita pelo filho no dia de sua viagem que dizia: "Pai, os desentendimentos são normais entre as pessoas, no entanto, não podem ser sérios nem eternos. Eu sei errei e não fiz nada por mal, pois estava nervoso e falei besteira além da conta. Quando voltares, abraçar-te-ei com amor porque assim é que tem que ser. Acordei e não te vi, já tinha saído. Te amo, pai."

          Ele pegou a carta pôs junto ao túmulo e passou a chorar copiosamente encharcando o papel pelas lágrimas do arrependimento e do perdão tardio.







Paulo A. Souza



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