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   > O DIA DO CRUZAMENTO ENTRE CHUPETA E DESIRÊ



LEOMAR BARALDI
      CONTOS

O DIA DO CRUZAMENTO ENTRE CHUPETA E DESIRÊ

Chupeta. Chupeta era o nome de um cachorro, um labrador muito dócil pertencente a Heitor. Há muito tempo que Heitor ansiava por ter filhotinhos do seu cachorro. E a oportunidade chegou. Desirê. Uma cadela bassê room cujo dono, Irving, tinha se mudado recentemente para um das casas vizinhas.
Foi numa festa de confraternização que Heitor e Irving haviam chegado num consenso. A cadela Desirê então cruzaria com o Chupeta e os filhotes seriam divididos entre os dois. Até as esposas gostaram da idéia.
-A Desirê nunca namorou antes. –disse Verônica, esposa de Irving.
-Chupeta só namorou almofadas e canelas. –sorriu Fátima, esposa de Heitor.
Parece que o destino, obras do universo intrincado da Via Láctea, ou dá junção de planetas, Saturno alinhado com Jupiter, essas coisas, que colocaram esses dois casais um no caminho do outro.
Marcaram o dia para o cruzamento de Chupeta com Desirê. Tinha de ser um cerimonial à altura da cachorrada, quer dizer, da ocasião. Heitor arrumou um aparelho de som, conseguiu um pen drive com as Quatro Estações de Vivaldi.
-Não está exagerando, querido? Cachorros se acasalando ao som das Quatro Estações!!! Não ficaria estranho???
-Claro que não, querida. Quero marcar esse dia. Vou filmar inclusive.
Fátima fez uma cara de espanto.
Depois de uma espera de dias, depois e uma espera angustiante, aliás Heitor e Irving estavam mais aniosos que os próprios cachorros.
Foi uma longa preparação. Chupeta foi no banho e tosa, Desirê fez até as unhas, ficou cheirosa e sem pulgas para a grande ocasião, para o grande e memorável dia. O Dia do Cruzamento mais esperado do ano.
Foi providenciado um smokey para Chupeta, com direito a gravata borboleta e tudo. No inicio Chupeta quis mastigar a gravata, mas detido a tempo por Heitor.
Duas câmeras montadas em ângulos diferentes para capturar o gran momento.
-A Cópula do Chupeta. –Disse Heitor fazendo um quadrado com a mão como costumam fazer os diretores de cinema para obter uma tomada melhor para a filmagem. –Fátima, como deve ser Cópula do Chupeta em francês?
Fátima ficou um tempo olhando para o marido com um certo estarrecimento pregado em seus olhos.
-Chupeta Junior! –completou ele.
Agora Fátima quase teve uma parada cardiorrespiratória. “Eu não acredito”, pensou ela.
-Você tá pálida, querida.
Chegou o momento, a hora, a tão esperada hora. Jardim da casa de Heitor e Fátima. Irving e Verônica segurando Desirê pela coleira, uma coleira cravejada de diamantes. Sim, pra quem não conhece diamantes diria que eram diamantes, mas na verdade aquelas pedrinhas brilhantes de fundo de aquário, para dar um charme especial.
Fátima segurando Chupeta, que parecia agitado com a aproximação do grande momento. Mas, na verdade, estava agitado devido a uma pulga que surgiu de repente dentro do seu smokey e sem condições de coçá-la com os pés.
Heitor posicionando as câmeras. Chupeta muito agitado, Fátima mal conseguia contê-lo. “Grande garoto, deve estar ansioso pra chegada da grande ocasião.”
-A!! Quase me esqueci. –foi até o aparelho de som. Ligar as Quatro Estações. O aparelho não quis ligar. Heitor entra em pânico, mexe nos botões desesperado. “Era só o que me faltava!”
-O que foi, Heitor? –agora quem estava preocupada era Fátima.
-Miserável!!!
Heitor lutando para fazer ligar o aparelho de som, que não acendia a luz piloto do stand up. Heitor esmurrando o aparelho. Descabelado, sacudia o aparelho de som.
-Imprestável!!!!
Heitor cada vez mais apavorado porque esse aparelho de som não queria ligar. Tapas e mais tapas no aparelho. Ele tinha pego uma grande pedra do jardim para esmagar o aparelho. Quando...
-A tomada! –gritou Irving.
-Ann!!??
Foi que Heitor percebeu que esquecera de por a tomada. Pronto! As Quatro Estações inundava com seus acordes o florido jardim.
As câmeras filmando. Heitor diz pra Irving soltar Desirê. Depois pede pra Fátima soltar Chupeta.
No que Chupeta percebeu-se livre saiu em disparada pro lado de Desirê.
-Pai do Céu! –gritou Verônica.
-Chupeta!!!! –gritou Heitor.
Coitada da Desirê! –pensou Fátima.
Mas Chupeta queria coçar aquela pulga em seu smokey. Se jogou no chão e começou a rolar.
-Chupeta, assim não!!! Vai namorar Desirê!!!
Heitor praticamente pega Chupeta e põe em cima de Desirê.
-É assim, cachorro tonto!! –Heitor segurando Chupeta pela barriga instiga ele a fazer movimentos de cópula em cima de Desirê.
Fátima, Irving e Verônica tapam os olhos de espanto.
-É assim, cachorro besta!!! Cadê o teu bigolim???
Heitor continuava forçando Chupeta contra Desirê.
-Cruza Chupeta!! Cruza Chupeta!!! Cruzaaaaa!!!
Agora todos ficam mais assustados ainda.
Chupeta começou a rosnar.
-Heitor, sai daí! –gritou Fátima.
-Jamais!! Quero um Chupeta Junior!!!
Desirê também rosnou. Heitor procurando o bigolim de Chupeta e o cachorro não achando nada bom.
-Heitor, sai daí!!!
-Nunca! Quero um Chupeta Junior!!!
Fátima, Irving e Verônica correram, agarraram Heitor e praticamente o arrastaram para longe da cópula frustrada dos cachorros.
-Me soltem!! –Heitor tentava fugir pra voltar a estimular o cruzamento dos cachorros.
Foi necessário utilizar a correia da coleira de Chupeta e de Desirê para amarrar os braços e os pés de Heitor, deixando-o imobilizado, para que ele se acalmasse e tirasse aquela idéia de Chupeta Junior da cabeça.


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