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   > NUM AMASSADO COMEÇOU E NOUTRO AMASSADO ACABOU



LEOMAR BARALDI
      CONTOS

NUM AMASSADO COMEÇOU E NOUTRO AMASSADO ACABOU

Funilaria do Botuca. Auréola, moça distinta, advogada, chega com o seu veículo Corola, com um amassado na traseira.
Valdemar chega também na mesma funilaria com o seu veículo Santana, com um amassado na traseira também.
Botuca vai atender a moça, que obviamente, chegou primeiro.
-Botuca, meu velho.
Cumprimenta Valdemar. Botuca retribui. A moça nem olha para ele, parece observar o amassado em seu carro.
Valdemar pede a Botuca pra ver o amassado em seu carro. Botuca, responde, polidamente, que a moça chegou primeiro, então a preferencia é dela.
-Mas, Botuca, onde está a nossa amizade?! Estudamos juntos na quinta série!!
O velho amigo Botuca dá um sorrisinho Colgate. Mas a moça Auréola, fala:
-O meu amassado primeiro.
Valdemar arregala dois olhos em direção à moça:
-Minha querida manceba, meu amassado requer mais atenção. –diz Valdemar entredentes.
-Manceba??? E olhe aqui, raparigo. –fala a moça com certo nervosismo, -O meu amassado é mais importante.
-O meu amassado é mais importante.
-O meu!!
-O meu!!!
Botuca tem que intervir:
-Gente, vamos resolver isso numa boa.
-Botuca, -apela Valdemar, -Depois de tantos anos, você vai desprezar meu amassado??!!
-Valdemar, não é isso. Mas as damas primeiro. Quer dizer, o amassado das damas primeiro.
-Nossa, Botuca, depois de tantos anos de amizade, o meu amassado perdeu a importância?!!
-Valdemar, não é isso.
Era tarde, Valdemar entrou em seu carro, deu partida, e foi embora.
Na cidade havia uma ponte, era quase pôr do sol. Um veículo Santana estacionado poucos metros a frente da ponte. Valdemar contempla o sol se pondo num avermelhado exuberante. Um por do sol dos quais poucas vezes se viu na cidade. Mas Valdemar é todo amassado, quer dizer, seu pensamento voltado para o amassado do carro.
Seu celular toca. Sem muita decisão apanha o celular e verifica o número. Não faz idéia de quem seja, é um número desconhecido para ele. Resolve atender. Uma voz feminina:
-Valdemar?
-Sim.
-Como que está o teu amassado?
-Ann?
-Sou Auréola, a moça do amassado. Lembra? Funilaria do Botuca.
Valdemar não disse nada. A moça continuou:
-Achei injusto não te dar uma satisfação. Fui sem educação. Não sabia que o teu amassado era mais importante que o meu.
-É o seu primeiro amassado? –pergunta Valdemar.
-Sim. –responde Auréola, depois conclui, –Você deve ter mais experiência em amassados que eu. Desculpe, fui uma egoísta, pensei somente no meu amassado.
-Deixa pra lá.
-Não posso fazer isso. Eu percebi que o teu amassado era maior. Eu sou sócia de uma pizzaria. Hoje tem rodízio. Você tá convidado, é por minha conta.
-Vai ter rodízio de amassados? –riu ele.
Ela também riu.
Valdemar foi até a pizzaria. Depois da pizza, os olhos de um amassado encontrou o outro. Houve uma sintonia. “No seu amassado ou no meu?. Passaram a noite juntos.
Duas semanas depois:
-Valdemar, não olhe mais na minha cara!
-Que que eu fiz?
-Vi que você estava olhando para outro amassado. Pensa que não vi!
-Au (Vademar, chamava carinhosamente Auréola de “Au”). Au, o amassado mais importante na minha vida é o seu! Au, não faz isso!
O que começou num amassado, terminou em outro amassado.
 
 
  


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