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   > Ho! Ho! Ho! Feliz Natal?



Suellen Mendes Tavares
      CONTOS

Ho! Ho! Ho! Feliz Natal?

Dizer que não gosto do Natal seria o maior dos eufemismos! Como gostar de uma data em que se vende a ideia de que o impossível pode se tornar real? Aprendi com a vida que esta é uma festa pautada em sonhos que nunca serão realizados. 
Minha primeira desilusão com essa data foi quando pedi ao “Bom-velhinho” que me desse de presente de natal a saúde de minha mãe. Ela estava com leucemia o que, para uma criança de cinco anos de idade, era uma doença completamente desconhecida; porém, acompanhar a forma como mamãe foi definhando gradativamente era triste demais e me fazia reconhecer a seriedade de sua doença. Naquele ano, o tal Papai Noel nada pode fazer por ela; e no dia 26 de dezembro, meu pai, meus irmãos e eu trouxemos a urna com suas cinzas para nossa casa. A sensação de não a ter mais conosco era devastadora, apesar de papai e Rafael, meu irmão - 17 anos mais velho que eu e minha gêmea, Caroline - fazerem de tudo para suprir a ausência dela.
Mesmo com essa triste lembrança, continuei acreditando no “Bom-velhinho”, afinal, sabia que a morte de minha mãe não era culpa dele. Além do mais, três anos após a nossa perda, ele – o Papai Noel - me deu o presente que tanto pedi: uma nova mãe. A Ester e o seu filho, Augusto – Guto, como costumo chamar - entraram em nossas vidas para preencher o espaço que faltava; pois mesmo que o meu pai tentasse tornar a nossa vida mais fácil, com a ida do Rafael para a faculdade, nossa casa ficou triste e vazia. Durante muito tempo, o Rafa foi o que eu e minha irmã tanto precisávamos, uma vez que papai passava muito tempo em viagens e na gestão da empresa de cerâmica. Lembro-me de Rafael levando e pegando a Carol na escola de balé, e preparando os biscoitos de natal que a mamãe costumava fazer e que eu simplesmente amava, quer dizer ainda amo. 
Com a vinda de Augusto para a nossa família, eu ganhei um grande amigo – ou como costumávamos dizer, meu parceiro de crime! – e foi numa de nossas traquinagens que aconteceu minha maior decepção: eu descobri que não existia Papai Noel. No nosso primeiro natal em família, o Guto e eu nos escondemos para esperar o Bom-velhinho; então imagine a nossa surpresa e, principalmente, decepção quando vimos o meu irmão colocando os presentes na árvore durante a madrugada. Passei um bom tempo tentando entender o que estava diante dos meus olhos, até que Augusto me chamou para a realidade: essa história de Papai Noel é uma farsa. 
Recuperando-me desse golpe, já não me considerava uma amante da festividade. Mas a grande decepção aconteceu há quatro anos! Aos dezesseis anos, finalmente aceitei o fato de que meu grande amigo havia se tornado o meu primeiro amor!
Estar apaixonada pelo meu meio irmão foi algo surreal e , acreditem, lutei muito contra este sentimento. No entanto, quando se aproximou o dia de Augusto mudar-se para Natal (Oh, nomezinho infeliz!), a fim de cursar arquitetura, criei coragem e decidi me declarar. Em minha cabeça seria o cenário perfeito: eu iria aproveitar a ceia do dia 24 de dezembro para conversar com ele. A verdade é que inconscientemente desejava que o Espírito do Natal, já que Papai Noel não era mais cogitado como opção, trouxesse-me o amor, assim como me trouxe o irmão. Doce ilusão! É lógico que não foi isso o que aconteceu! Ao invés de um namorado, ganhei de presente mais uma cunhada. Mais uma, porque além da Manuela, esposa do Rafael, a Cíntia entrou para a família, não oficialmente – claro – porque a Ester e o papai iriam pirar se o Guto resolvesse casar aos 18 anos. A então nova namorada do Augusto era absolutamente linda! Uma ruiva natural com os olhos cor de mel e as formas curvilíneas que me deixavam com ódio por estar tão fora de forma. 
O natal seguinte àquele foi horrível! Eu não suportei ter que assistir aos pombinhos enquanto comíamos o Peru feito pela mamis. Então, assim que entrei no curso de Designer, em Curitiba, comei a criar motivos para evitar passar as festas de final de ano na casa da minha família. Obtive êxito nessa missão por algum tempo, até que fui forçada a comparecer, este ano, devido à saúde debilitada de papai. Contudo, apesar do tempo que não vejo o casalzinho feliz, decidi trazer o meu melhor amigo (bissexual) – Ivan – para me ajudar a encarar tudo com mais leveza; pois, hoje, ninguém me entende tão bem quanto ele.
- Amiga, você tá um arraso! – Ivan comentou analisando com atenção minha calça jeans, a sandália de tiras preta e a blusa de seda ameixa, cujas alças eram tão fininhas que deixavam exposta minha tatuagem no ombro direito. Depois seu foco foi para o meu cabelo que agora não passava de um bagunçado corte repicado, ao estilo Joãozinho; o tom das mechas em um loiro claríssimo ficava perfeito em contraste com o louro escuro natural.
- Obrigada, boy! Você sabe o quanto é importante causar uma boa impressão.
- Sim, eu sei. Até agora eu não acredito que você me fez aceitar participar dessa farsa. Onde já se viu fingir que somos namorados! Não espere beijos na boca nem nada do tipo.
- Eu sei, eu sei. Já concordei com as regras, lembra? Só preciso que você não me deixe passar pela patética-desacompanhada-que-ainda-é-apaixonada-pelo-irmão-de-criação. Isso definitivamente é o fim!
- Se é... 
- Ei! – disse dando um tapinha em seu braço.
- Ai! – reclamou enquanto esfregava o local em que bati, fazendo o maior drama; mas o sorriso em seu rosto me fez reconhecer o traço de brincadeira.
- Oi, Cammy! – a voz que preencheu a sala de estar aqueceu a minha pele, provocando um arrepio involuntário.
Por mais que estivesse me preparando psicologicamente para este momento, nada foi o suficiente para me manter estável quando o vi. O Guto estava um gato (como sempre), mas o tom moreno de sua pele estava ainda mais acentuado pelo sol (o que era o extremo oposto do meu tom clarinho) e os cabelos e olhos pretos destacavam-se em um rosto com traços extremamente masculinos. Quanto ao corpo? Bem, o que falar dos músculos que se pronunciavam sob a camiseta azul? Não havia muito a dizer, a não ser que eu estava louca para tocá-los! 
- Oi, Augusto! Como vai?
A surpresa pela forma fria com que o comprimentei ficou evidente, devido ao modo como suas sobrancelhas se ergueram
- Sério que não vou ganhar nenhum abraço da minha irmãzinha favorita?
Irmãzinha... sempre essa palavra me fazia despertar para a grande porcaria que é estar apaixonada por ele.
- Claro!
Enquanto me dirigia a ele, pude perceber a forma como o Ivan admirava o meu “irmão”. O boy estava impressionado, e o interesse havia ficado estampado em seu rosto. “Beleza, agora só falta esse traira dar bandeira e estragar com o nosso disfarce!”
Sentir o corpo de Augusto de encontro ao meu era muito bom. Então, aproveitei a sensação e me rendi ao momento; foi gostoso observar o quanto ele estava entregue. Dois anos. Dois anos foi o tempo em que passei sem vê-lo, isso sem falar que até mesmo as suas ligações comecei a evitar. Dizer que ele me ligava diariamente não é um exagero, o que tornava minha tarefa de esquecê-lo impossível, então há um mês e quatro dias comecei a evitar suas ligações.
- Nossa, Cammy! Você está linda! 
- Obrigada, Guto!
- Adorei a tatoo! – disse contornando com os dedos os traços em minha pele. – E o cabelo está perfeito. Ele deixa o seu rosto em evidência, o que sem dúvida é muito agradável de observar.
Ai, meu bom Deus! Como manter erguida as minhas barreiras com ele falando essas coisas? Uma tosse insistente chamou nossa atenção e eu finalmente me lembrei do meu amigo cúmplice. Ivan se aproximou de mim e passou o braço ao redor de minha cintura, aproximando-me de si.
- Não vai me apresentar, amor? – perguntei.
Lutando contra a vontade de rir pela cara que Augusto fez ao ouvir o tratamento de Ivan dirigido a mim, decidi encarar o teatro.
- Claro que sim, amor. Guto este é o meu namorado, Ivan. Querido, este é o meu irmão, Augusto. 
Enquanto os dois trocavam um tenso aperto de mão, Guto tratou de esclarecer.
- Na verdade, sou o meio-irmão. A minha mãe casou com o pai de Cammy.
- Ah, certo. Lembro de Camille comentar algo a respeito.  – Ivan dissimulou.
Augusto voltou sua atenção para mim.
- Por que não atendestes as minhas ligações? Há mais de um mês não falo com você. Já basta não te ver, agora também não posso mais falar contigo?
Sua frustração estava evidente. A transparência era sua marca registrada, eram poucas as coisas que o Augusto conseguia esconder de mim; neste momento, porém, estava tudo ali, diante dos meus olhos. Toda a frustração e mágoa.
- Desculpe, estive envolvida com alguns assuntos...
- Sei. – falou encarando o Ivan - Já entendi.
- Não, você não...
- Foi mal, cara. Mas consegui convencer Camille a me acompanhar em uma viagem de última hora, e você há de convir que a última coisa em que um casal apaixonado consegue pensar é em atender o telefone. – Ivan falou me deixando em choque.
- Sério isso? – Guto parecia indignado.
Oh, droga! O olhar que Guto me lançava era capaz de fazer estremecer até a montanha mais estável.
- Bem, é só que...
O selinho que Ivan me deu foi o golpe final para me deixar atordoada.
- Relaxa, amorzinho. Seu irmão entende o que está acontecendo entre nós. Não é mesmo, meu amigo?
- Ah, claro que entendo!
Só que nos olhos de Augusto estava bem claro o quanto ele estava puto, na verdade eu podia sentir a bomba prestes a explodir, então mudei de assunto.
- E a Cíntia? Ainda não a vi.
- Nem vais ver. Nós terminamos.
Só um momento... Esta é uma informação completamente inesperada.
- Como assim terminaram? Quando foi isso e por quê? Ninguém me falou nada, o que houve?
Guto sorriu. – Respira, Cammy! Terminamos há duas semanas; as coisas estavam estranhas entre nós, sabe. Eu meio que percebi que ela não é a garota de que eu preciso. Não é a ela quem eu amo!
- Como assim você meio que percebeu que ela não é a garota?
- Amor, desculpa te interromper, mas você poderia me acompanhar um momento. 
- Agora? – Deus, eu ia matar o Ivan.
- É. Agora! – o aperto em minha mão me fez ver que era sério, e, por conhecê-lo muito bem, sabia que era melhor ceder.
- Tudo bem, Cammy. Vai lá. A gente continua essa conversa daqui a pouco.
- Ok!
Quando entramos em meu quarto tratei de perguntar ao Ivan: - Que merda você está fazendo? Que história é essa de amor, amorzinho, selinho e me tirar de lá?
- Estou te protegendo de você mesma, sua inconsequente. Bastou ele te falar meia dúzia de elogios para você amolecer, e agora com essa história da separação... Aí mesmo que você estará perdida se eu não te mantiver longe dele.
- Então o que você sugere? Passar a noite aqui no meu quarto?
- Olha, até que não é má ideia.
- Como que não é má ideia, boy? É véspera de Natal e minha família está nos esperando!
- Sim, sim. Eu sei de tudo isso, mas... Sei lá, pode ser só uma impressão, porém... Eu realmente acho que aquele boy tá a fim de você.
- O quê? Como assim a fim de mim? Lógico que não!
- Como falei, pode ser impressão, mas eu realmente acho que a forma como ele te olhou, e o modo como ele me corrigiu a respeito de vocês dois serem irmãos, além do modo como ele me olhou (vamos combinar que o gato me olhava como se fosse arrancar a minha cabeça e servir durante a ceia, fiquei até com medinho!), enfim, tudo isso me fez pensar no quanto ele pode estar interessado, então talvez seja uma boa passarmos um tempinho aqui.
Será que o Ivan estava certo? Eu realmente não queria alimentar falsas esperanças, mas talvez houvesse algo a mais em toda essa história.
- Não sei se você está certo ou errado, mas quero pagar pra ver aonde isso vai dar. 
- Não tinha dúvidas de que quisesse.
- Que tal uma partida de pôquer? – propus.
- Nada disso, meu bem. Jogaremos ao menos três, tenho uma imagem de virilidade a zelar!
Caí na gargalhada. Quase uma hora depois, Ivan e eu voltamos para a sala, todos estavam ali e não gostei de ver o quanto o tempo em que estive em meu quarto foi o suficiente para deixar Augusto em um péssimo estado.
- Vocês demoraram. – Carol disse baixinho ao se aproximar de mim.
- Estávamos jogando. O Ivan achou que seria bom mostrar para o Augusto o quanto estamos apaixonados. Ele acha que talvez isso mexa com o Guto.
- Pode ter certeza de que mexeu. – A Caroline era a única pessoa além do Ivan que sabia sobre os meus sentimentos por Augusto. As vantagens de se ter uma irmã gêmea é poder confiar em alguém com que se tem um laço tão profundo que chega a ser difícil explicar. – Desde que vocês subiram, o Guto não parava de olhar para o segundo andar, cheguei a pensar que ele fosse subir e colocar sua porta abaixo; mas ao invés disso ele se agarrou aquela garrafa de Montilla.
- Aff! – após revirar os olhos, encarei minha irmã. Caroline estava absolutamente linda naquele vestido pêssego. Devido ao balé, minha irmã tinha o corpo mais definido do que o meu, e seus cabelos desciam em ondas perfeitamente esculpidas até a linha da cintura mantendo sua coloração natural. Nenhuma marca, nem mesmo uma cicatriz lhe maculava a pele e ela poderia ser considerada um anjo por sua personalidade dócil, porém havia um segredo que seu coração ansiava por revelar.
- Já contou a eles? – perguntei.
- Ainda não, mas vou contar. Não posso entrar o próximo ano com essa angústia. Já está na hora de começar a viver a minha vida.
- Na verdade, minha irmã, já passou da hora.
Às 23h, demos início ao amigo secreto. Essa era a hora preferida da noite para mim; não pela troca de presentes, mas pelo modo como costumávamos brincar uns com os outros.
- O meu amigo secreto é uma pessoa carrancuda e que se pudesse passaria a vida em uma casa de praia.
- Otávio! – Ester gritou.
- Sim, é o papai. – respondi sorrindo, pois quem o conhecia sabia o quanto era sofrido pra ele ir a uma praia, quem dirá morar em uma; isso sem falar que não existia ninguém mais de bem com a vida do que ele.
Aos poucos a brincadeira foi evoluindo e a noite se tornou mais alegre, o único que não parecia compartilhar do mesmo espírito era o Augusto.
- A minha amiga secreta adora dar uns amassos no quarto, enquanto toda a família está reunida para passar o natal. Mas porque se importar não é mesmo? Essa data é uma merda pra ela! – ele disse do outro lado da sala me encarando ainda com o copo de rum na mão.
- Filho?! – Ester se empertigou.
- Tudo bem, Mamis. – disse aproximando-me dele enquanto todos nós olhavam.
Peguei o embrulho de sua mão e então o encarei. – Vai a merda, Augusto! O que eu faço ou deixo de fazer no quarto com o meu namorado não é problema seu. Você fez o que bem quis com a Cíntia e nunca ninguém disse nada, então por que se incomodar comigo?
- Porque é diferente, Cammy!
- Diferente em quê?
- Você está se comportando como uma vadia!
Minha mão voou em seu rosto, deixando uma marca vermelha ali.
- E você como um cretino idiota!
- Ok vocês dois, já chega! – disse meu pai, tirando-me de perto do Augusto antes que eu o matasse!
- E você é melhor parar de beber! – disse Rafael, segurando-o.
- Me larga, Rafa! – Guto se empertigou e saiu cambaleando pela porta da casa, mas não sem antes pegar outra garrafa e socar a parede da cozinha. Vi quando ele se dirigiu até o anexo na piscina, onde ficava o seu quarto; mas resisti à tentação de segui-lo e continuar aquela briga de onde paramos.
- Parece que nosso plano deu certo.
Ao ouvir o comentário de Ivan, um pequeno traço de sorriso surgiu em meu rosto. – Sim, parece que sim.
 
Augusto não compareceu à ceia. E minha recente satisfação por vê-lo com ciúmes foi substituída pela preocupação. Aos poucos minha família começou a se retirar. Agora só sobravam Ivan, Caroline e Lara, a amiga de Carol. Decidi deixá-los e ir verificar como Augusto estava. Retirei a chave que ele deixava sob o capacho e destranquei a porta. Olhei na pequena sala e na cozinha, mas não vi ninguém, então decidi subir até a suíte. Assim que abri a porta, o cheiro de rum me impregnou. Encontrei Augusto sentado em sua poltrona, com os braços apoiados nos joelhos e a cabeça reclinada. Os cabelos estavam molhados e a toalha era a única coisa que o cobria. 
- O que você quer, Cammy? – perguntou sem me encarar.
- Eu precisava saber se você estava bem.
- Como pode ver, estou melhor.
- Não, você não está. Olha como ficou a sua mão! – repreendi ao me ajoelhar diante dele e tocar com cuidado a pele machucada. 
- Não é nada demais.
- É lógico que é! Augusto, olha pra mim. – o tom em minha voz não deixava margem para negociação e eu reforcei o meu pedido erguendo-lhe a face com uma de minhas mãos. – Qual o problema?
Pude ver que ele havia chorado, e essa constatação me matou.
- O problema, Cammy, é que não dá mais. Eu não consigo mais fingir. – segurando meu rosto com as duas mãos, Augusto levantou-se e me fez acompanha-lo. – Você tem ideia do que é ser apaixonado por alguém que é proibido pra você? Alguém que nunca poderá ser seu! Você sabe o que é viver uma vida de aparência para não decepcionar a sua família, porque acha que não seriam capaz de entender o que você sente? Ou ainda, consegues imaginar a angústia de saber que os seus sentimentos podem causar repulsa na pessoa a quem você ama? É assim que me sinto, Cammy. Na verdade, é assim que sempre me senti com relação a você, com relação a nós dois. Eu te amo, Camille! Mas eu sei que não devo amar.
Enquanto Augusto falava não consegui conter minha emoção, a cada declaração uma nova lágrima banhava o meu rosto por reconhecer nele os mesmos questionamentos que existiam em mim.
- Sim, Guto, eu sei. Pois sinto exatamente o mesmo em relação a você. – ao me ouvir, Augusto pareceu acordar de um confuso sonho.
- O que você está dizendo?
- Estou dizendo que também te amo, Augusto. E sei exatamente o que é sentir medo das consequências desse amor!
Sem mais controlar nosso desejo, tomamos a boca um do outro. Não sei por quanto tempo ficamos ali, apenas adorando os lábios um do outro.
- Mas e o seu namorado? – após um tempo, ele se forçou a perguntar.
- Não tenho nenhum namorado, Guto. Pra ser franca nunca tive. – pude ver a confusão em seu rosto – Eu já sai com alguns caras, mas nunca namorei nenhum. O Ivan é o meu melhor amigo, e definitivamente seria mais fácil ele se interessar por você do que por mim. Ele estava fingindo ser meu namorado para me proteger, eu estava com medo de encarar você e a Cíntia, foi por isso que evitei todas as datas comemorativas dos últimos dois anos.
- Que droga, Cammy! É uma merda saber que te afastei de sua família.
- Não foi sua culpa, esse apenas foi meu jeito de lidar com o problema.
- E começar a namorar a Cíntia foi o meu.
- Jeito de merda esse seu!
- O seu não foi muito melhor. – criticou.
- É não foi. – tive que concordar.
- Mas me tira uma dúvida, o que vocês ficaram fazendo no seu quarto todo aquele tempo? Eu estava surtando lá embaixo.
- Jogando pôquer. – disse simplesmente.
Augusto riu. – E quem ganhou?
- Quem você acha? – perguntei erguendo a sobrancelha por saber exatamente o que Guto pensava.
- Ele não teria a menor chance.
- Não. Ele definitivamente não teve a menor chance.
- Você não imagina o quanto te acho sexy jogando.
Sorri. – Podemos jogar depois, mas agora tenho uma ideia melhor sobre como podemos passar o tempo.
- Acho que vou gostar disso!
- Tenho certeza que sim. – disse retirando-lhe a toalha.
Sem esperar mais, nos rendemos a nossa paixão. Aquela era a primeira  vez que estava intimamente com um homem, mas apesar do que minhas amigas me contaram a respeito do dia em que perderam a virgindade, naquele momento não havia espaço para inseguranças e eu apenas me entreguei a emoção de finalmente estar no braços de Augusto. Com extremo cuidado e adoração, Guto ajudou-me a me despir. A cada pedaço de pele revelado ele me beijava, causando frenesi em minha pele exposta. Delicadamente, ajudou-me a deitar e tomou meus lábios para si. Nem percebi o momento em que ele pegou uma camisinha de sua cômoda, apenas o vi rasgar o plástico da embalagem e tomei o preservativo de sua mão, ajudando-o a vesti-lo. 
- Vou tentar ser gentil. – disse depositando beijos em meus olhos, nariz, bochechas e demorando-se em minha boca.
Senti uma pontada de dor e cravei minhas unhas em suas costas. Augusto ficou imóvel aguardando enquanto eu me acostumava a ele, já recuperada começamos uma dança sincronizada, na qual nossos corpos eram os mais perfeitos bailarinos. Ao ser tomada por uma sensação avassaladora de prazer, senti Augusto se retrair e em seguida relaxar sobre mim. Seu corpo era um paraíso suado e caloroso, assim como o meu. Senti seu corpo me abandonar por um momento, mas em poucos minutos Augusto estava de volta abraçando-me por trás enquanto passava com delicadeza uma toalha úmida entre minhas pernas. Ao achar que estava suficientemente limpa, ele a deixou de lado e me puxou para mais junto de si, fazendo-me virar de frente para ele.
- Por que não me disse que ainda era virgem?
- Porque não achei que fosse importante. – confessei.
- É lógico que é importante, eu poderia ter te machucado.
- Mas não machucou. Foi perfeito!
- Você que é perfeita, Cammy!
Sorri e lhe dei um beijo, em seguida repousei minha cabeça em seu peito.
- Cammy, você já pode acreditar em Papai Noel.
- Por que você diz isso?
- Porque agora eu acredito, ele finalmente me deu o presente que tanto desejava.
Eu o encarei com a felicidade estampada em meu rosto. – Sim, esta noite ele também me deu o meu!
 
 
 
 
 
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