Busca: 

Apelido:

Senha:


Esqueci minha senha
 
  Área do autor

Publique seu texto
  Gêneros dos textos  
  Artigos (641)  
  Contos (940)  
  Crônicas (724)  
  Ensaios (169)  
  Entrevistas (35)  
  Infantil (207)  
  Pensamentos (651)  
  Poesias (2525)  
  Resenhas (129)  

 
 
SÓ RIA, mesmo que...
Roberto de Souza
R$ 39,52
(A Vista)
INDISPONÍVEL

O RETORNO DE SORAIA
José Sodré de...
R$ 52,30
(A Vista)






   > Divulgação científica Investigação científica, diferencial do profissional da área ambiental



Maristela Zamoner
      ARTIGOS

Divulgação científica

Investigação científica, diferencial do profissional da área ambiental


Cada vez que se explica a causa de um fenômeno desconhecido de maneira não científica, está se perdendo a chance de ampliar o conhecimento capaz de fundamentar o manejo ambiental sustentável. Está, portanto, sendo dificultado o próprio desenvolvimento sustentável.
Uma das características mais importantes de quem trabalha com as questões ambientais é a capacidade de raciocinar e agir cientificamente. Esta característica vai ajudar a diferenciar o profissional do amador. Para isto, é importante conhecer os fundamentos da metodologia científica.
Basicamente, devemos lembrar de algumas etapas elementares da metodologia científica (método = caminho; metodologia = estudo dos caminhos): 

1. 
Observação - é o momento em que se percebe um fato, um fenômeno, uma característica de um local, de um ser, etc.. Exemplo: as folhas da maioria das plantas são verdes.
2. Questionamento - a própria observação provoca a índole curiosa do ser humano que, imediatamente, questiona. Por exemplo: por que as folhas da maioria das plantas são verdes?
3. Formulação de hipóteses – nesta etapa, respondemos ao questionamento sem saber se nossa resposta está correta. Por exemplo: as folhas da maioria das plantas são verdes porque na chuva há um pigmento verde.
4. Testes – na seqüência, a hipótese é colocada à prova. Por exemplo: coleta-se água de chuva durante um ano e faz-se a analise, buscando pigmento verde.
5. Resultados – os resultados obtidos nos testes devem mostrar se nossa hipótese é certa ou não. Exemplo: o resultado da pesquisa a respeito das plantas serem verdes devido à presença de pigmento na chuva é negativo, pois não há pigmento verde na chuva.
6. Conclusões – é o que se conclui com base nos resultados obtidos por meio dos testes das hipóteses. Por exemplo: as plantas não são verdes devido à presença de pigmentos verdes na chuva.
7. Redação – neste momento, recorre-se a regras como as da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), por exemplo. Geralmente, a redação já é feita de maneira direcionada a um veículo de publicação. Alguns periódicos têm como norma para publicação a ABNT mas outros não. Logo, nunca devemos confundir Metodologia Científica com ABNT. A primeira pode ou não fazer uso da segunda.
8. Publicação – disponibilização de tudo que foi produzido nas etapas anteriores para a comunidade científica, que poderá: ler, questionar, refazer, aprimorar. Sem a publicação, não se completa o método científico. 

Então, o que seria uma comprovação científica? 

Para melhor entender, analise este exemplo simples. Imagine que em um ambiente esteja ocorrendo um aumento numérico de determinada espécie de inseto. Existem inúmeras maneiras de explicar o fenômeno, no entanto, nem todas são necessariamente científicas.
Podemos afirmar que é uma previsão de Nostradamus e por isto teria mesmo que acontecer. Quando entendemos desta forma, nem é preciso pesquisar. Já “sabemos” antecipadamente.
Podemos dizer que é uma praga divina, que Deus está se vingando da humanidade por um motivo qualquer. Se escolhermos esta explicação, também não precisamos pesquisar nada. Já “sabemos” o que é.
P
odemos dizer, ainda, que é um “trabalho” de misticismo feito por um indivíduo com poderes divinos e novamente está acabada a discussão.
Muitas coisas na história da humanidade demoraram a ser descobertas porque explicações como estas eram amplamente aceitas.
Podemos pensar, no entanto, que “pode ser” resultado de um desequilíbrio ambiental e, a partir desta hipótese, iniciar investigações na busca de uma causa que se comprove: criar o inseto em laboratório para conhecer seu ciclo de vida, fazer estudos de campo para descobrir seus inimigos naturais, suas condições físico-químicas ideais para viver. Quando descobrirmos tais características, teremos condições de nos voltar ao ambiente onde ocorre o desequilíbrio e analisar fator por fator, até encontrar qual ou quais deles estão fora do que deveria ser um padrão de normalidade.
Certamente, é mais cômodo olhar para o aumento de insetos como uma praga divina e rezar. No entanto, os tempos atuais nos sugerem que esta metodologia tem pouca ou nenhuma eficiência comprovada. Pelo menos, não há indício e nenhuma comprovação científica da eficiência deste método para o gerenciamento ambiental.
Os cidadãos comuns são livres para escolher as explicações que consideram mais apropriadas para si. Como profissional da área ambiental, no entanto, será sua responsabilidade a postura científica da qual depende a humanidade. 

Este texto é parte do Livro Biologia Ambiental.
____________________
Maristela Zamoner– mestre em Ciências Biológicas (UFPR), especialista em educação (IBPEX), licenciada em Ciências Biológicas (UFPR), bióloga atuante na Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba, docente em cursos de graduação e pós-graduaçã. Publicou dezenas de trabalhos científicos,  autora de 8 livros, todos da Editora Protexto: www.protexto.com.br. 

CADASTRE-SE GRATUITAMENTE
Você poderá votar e deixar sua opinião sobre este texto. Para isso, basta informar seu apelido e sua senha na parte superior esquerda da página. Se você ainda não estiver cadastrado, cadastre-se gratuitamente clicando aqui