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   > Divulgação científica Educação Ambiental para crianças e adolescentes: a contribuição da dança de salão



Maristela Zamoner
      ARTIGOS

Divulgação científica

Educação Ambiental para crianças e adolescentes: a contribuição da dança de salão


Esta experiência foi realizada em turmas de dança de salão formadas para atender alunos provenientes de famílias de baixa renda. A faixa etária encontrou-se entre 5 e 20 anos, e o trabalho foi desenvolvido na Região Metropolitana Norte de Curitiba. O regime foi de educação informal, mas as aulas ocorreram no espaço de uma escola estadual.
         Durante as aulas de dança de salão, foram abordadas diversas problemáticas sociais. Uma das que mais interessou aos alunos foi a questão do lixo. Os alunos foram despertados para averiguar, na comunidade, o nível de conscientização sobre a separação do lixo. Conteúdos das diversas disciplinas foram necessários. Os resultados da pesquisa foram expressos em forma de gráficos e textos, mostrando que a comunidade não estava consciente sobre a importância da segregação dos resíduos sólidos, o lixo.
         Este é um grande problema ambiental, como vimos. Todos os métodos de tratamento acarretam algum tipo de dano ao ambiente. Diante das perspectivas de esgotamento dos aterros e das dificuldades associadas à queima do lixo, as medidas de controle dos dejetos urbanos apontam para três estratégias: reduzir, reutilizar e reciclar. A reciclagem poupa recursos naturais, economiza energia, auxilia a reduzir a poluição atmosférica e cria empregos. Grande parte do lixo contém materiais que podem ser reciclados.
Os dados levantados pela pesquisa dos alunos mostraram que o lixo não era separado em 40% das residências dos entrevistados na comunidade e aproximadamente 47% admitiu que, se não tem lixeira, joga o lixo no chão. Os alunos discutiram o problema, apontando e aplicando campanhas de sensibilização como solução. Nesta época, a empresa de águas Ouro Fino desenvolveu um belíssimo trabalho intitulado “Reciclar é Preciso”. Neste projeto, eram enviados para as escolas públicas Kits com materiais ilustrativos, referentes a estratégias de reciclagem. Acompanhava este material um CD com uma música, em ritmo de swing/soltinho chamada “Reciclar é Preciso”.

Referências da música (dados do folheto do CD):

Letra: autor não identificado

Composição e voz: Marah

Teclados: Clayton Carneiro

Arranjos: Clayton Carneiro e Elison Torres

Segunda voz: Gabriela Bonini

Gravação inicial: Julio Rocha

Capa: Davi Leonard e Allan Homenhuck

Ilustrações: Eliana Brandão

Produção Executiva: Empresa de Águas Ouro Fino Ltda.

Gravado no estúdio Oribes Produções Fonográficas

Curitiba/PR 2002

Trechos da letra:

"Vamos todos reciclar

as garrafas PET

(...)

O mundo todo vai ganhar

não jogue o PET no lixo

antes de pensar em reciclar

(...)

A natureza agradece

porque o PET pode se transformar

em vassouras e caixa d´água

e constrói até uma casa

(...)

Moletons, camisetas, mantas e luvas vão virar

(...)

para aquecer nossos amigos"

O kit contribuiu muito para o trabalho que já estava sendo desenvolvido. A música foi utilizada nas aulas de dança de salão, para a prática do ritmo swing/soltinho.

Muitas foram as idéias para a sensibilização. Uma delas, por exemplo: gincana, em que o lixo reciclável foi encaminhado para famílias que vivem da venda do lixo e oficinas de produção de produtos recicláveis, visando a venda e melhoria da qualidade de vida local.


Educação Ambiental no palco

Dentro do projeto explanado anteriormente, foi produzida uma coreografia com a música “Reciclar é Preciso”. O ritmo era adequado para o trabalho que já vinha sendo desenvolvido. O objetivo da coreografia foi despertar no público o questionamento sobre a responsabilidade de cada um sobre o problema do lixo na sociedade. Participaram desta coreografia alunos de 5 a 20 anos de idade.

A avaliação pedagógica foi contínua, mas também foi submetida à avaliação externa, participando de concursos de cunho pedagógico específicos, um deles proposto pela própria empresa Ouro Fino, coordenado por especialistas da área educacional.

É importante frisar que, por mais que estejamos somando à dança de salão componentes educacionais, devemos manter a seriedade com os conteúdos específicos desta arte. Embora não tenhamos eventos próprios para realizar uma avaliação concreta sobre este aspecto, existem festivais de dança que oferecem algum tipo de avaliação baseada em critérios válidos para dança no palco em geral. Por este motivo, uma iniciativa como esta não pode deixar de passar por alguma avaliação qualitativa, específica da dança. Atendendo a esta necessidade de qualidade do projeto, a coreografia foi inscrita no 9º Festival de Danças do Mercosul, na cidade de Bento Gonçalves/RS.

Com esta proposta, certamente os figurinos deveriam ser produzidos com a utilização de material reciclável. Centenas de garrafas PET verdes e transparentes foram cortadas em forma de quadradinhos de dois por dois centímetros e furados ao meio com furador. Estas peças de garrafas PET foram bordadas como se fossem lantejoulas sobre os aproximadamente 30 figurinos dos dançarinos. O trabalho de bordado foi realizado pelos alunos, auxiliados por mães e outras mulheres da comunidade. Alguns alunos meninos também participaram. As tarefas tomaram muito tempo, porque o bordado cobria toda a extensão das saias das damas e quase toda a extensão das camisas dos cavalheiros. Cada figurino consumiu aproximadamente 20 garrafas PET de dois litros. No palco, o visual foi bastante interessante, produzindo um brilho muito adequado para o espetáculo. A maioria das pessoas não conseguiu identificar o material utilizado.

A coreografia, que levou alguns meses para ficar pronta, foi apresentada em diversos eventos.

Foi referência para o projeto educacional “Reciclar é Preciso”, da empresa Ouro Fino, sendo premiada também com Mérito Educacional pelo Governo do Estado do Paraná.

Em relação à qualidade da dança, foi premiada também no 9º Festival de Danças do Mercosul: Bento em Dança.

Os resultados do projeto como um todo foram publicados cientificamente.

Texto baseado no livro “Educação ambiental na dança de salão”.

______________________

Maristela Zamoner– mestre em Ciências Biológicas (UFPR), especialista em educação (IBPEX), licenciada em Ciências Biológicas (UFPR), bióloga atuante na Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba, docente em cursos de graduação e pós-graduação, professora de dança de salão há mais de uma década – publicou mais de 40 trabalhos científicos, muitos na área de dança de salão, autora de 8 livros, dentre eles: "Dança de Salão: a caminho da licenciatura" (2005); “Educação Ambiental na Dança de Salão” (2007) e “Sexo e Dança de Salão” (2007). Os livros podem ser adquiridos pelo site da editora: www.protexto.com.br.



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