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   > A rua Onze



Figueira Valter
      CRôNICAS

A rua Onze

Trilhos e caminhos suaves são brutalmente trocados por verdadeiros degraus onde a enxurrada das impiedosas chuvas é o moderno engenheiro. Se houve encanto não saberei dizer, mas ouviam-se cantos vindo de lugares que não eram misteriosos, mas que em muitos metiam medo.  O tempo não foi mais forte que o vento mas fazer esquecer seria tentar realizar o impossível. Ouve-se do vácuo incorrigível dos sons, que outrora poderiam ser ruídos, um choro sem lágrimas.  Encontram-se na falta dos suaves caminhos e além das esculturas naturais, ossos sendo corroídos. Ossos que não são do ofício e nem do barão, mas que, sem dúvida, poderiam ser de um amigo fiel. O que foi um sonhado progresso, hoje se realiza sem progresso, e o sonho, um sonho frustado. Lamentar que ontem sonhamos alto demais é desistir de sonhar por um ideal hoje. Mentiras foram ditas através das cortinas de água e poeira. Quando a verdade se estampava e caminhava na frente dos enganados que se imaginavam espertos.        Invisível não era, pois estava ali e desfilava com um sorriso de vitória fácil. Morrer, ainda não morreu, continua ali resistindo. Sobreviver é preciso, já ouvi esta frase antes, e mais ainda progredir. Parou. O tempo não parou, mas ela sim. Algum dia alguém perguntará porque ela é tão medieval.

         O que houve com a rua Onze?

         Onde estão os seus freqüentadores indecentes e depois decentes, que eram diferentes e hoje mostram os mesmos semblantes tristes e caminham cabisbaixos?



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