Busca: 

Apelido:

Senha:


Esqueci minha senha
 
  Área do autor

Publique seu texto
  Gêneros dos textos  
  Artigos (641)  
  Contos (940)  
  Crônicas (724)  
  Ensaios (169)  
  Entrevistas (35)  
  Infantil (207)  
  Pensamentos (651)  
  Poesias (2525)  
  Resenhas (129)  

 
 
Cidades-02-189
Airo Zamoner
R$ 104,00
(A Vista)



KALLS - O ENCONTRO
Diego Lincoln Campos
R$ 45,60
(A Vista)






   > Litania dos loucos



Figueira Valter
      CRôNICAS

Litania dos loucos

Não diante você vir com esse papo de médico especialista em psiquiatria dizendo que sou louco, porque já gritei aos quatros cantos do mundo que não sou louco. Porque será que dizem quatro cantos do mundo sendo que o mundo é redondo? Tá vendo! Loucos são os poetas e escritores que inventam isso e depois ficam por aí ganhando dinheiro com mentiras e não sabem explicar o que  escreveram. Inventam histórias que não viveram e dizem que é ficção. Ficção nada! Todas são que eles queriam ter vivido, para depois ficar contando para um monte de gente que lê e são chamados de leitores. Taí! Loucos são os leitores que ficam nas filas das livrarias comprando livros para ler e depois ficam sonhando com o que leu. É nada, louco é o livreiro que vende livros, vende emoções escritas nos papéis, inventam que quando a gente lê acaba viajando por lugares e mundos desconhecidos. Mas mais loucos ainda são os editores, eles acreditam em tudo que os escritores escrevem e publicam, porque acreditam que os leitores vão comprar. Louco na verdade é esse sistema de compra e venda que deixa todo mundo louco de raiva. Já disse, não adianta vir com esse papo que aqui é um hospital psiquiátrico e que você é um médico de loucos. Loucos são os poetas que ficam fazendo odes a musas distantes cantando amores impossíveis. Eles sim são loucos, ficam por aí contemplando os rostos belos e depois nas madrugadas frias, após uma dose e outra de vinho, fazem poesias, inventando paixões e sofrendo por elas. Eles sim são loucos. Quem? Os poetas aqueles que sofrem ao ler uma poesia que fala de um amor impossível. Sofre ao saber que outro poeta em outro tempo teve a mesma sina que a sua. Quem me dera saber Gregório de Matos. Se é meu amigo? Não, ele é um poeta da antiga que teve uma paixão proibida. Ele sim foi um louco. Apaixonar é coisa de louco. O que? A paixão é que move o mundo? Não, o que move o mundo é a loucura. Só uma pessoa louca é que quer fazer a diferença. Num mundo de iguais os diferentes são loucos. Num mundo de alienados, os não alienados são os loucos modernos. A mesmice está na moda, o copiar é fazer, e quem se aventura pela arte é o louco. A loucura é a arte. Já falei aos quatro cantos do mundo que não sou louco. Aliás porque será que falam quatro cantos do mundo se o mundo é redondo? Tá vendo loucos são os poetas e escritores que inventam isso e depois não sabem explicar. 

Valter Figueira

CADASTRE-SE GRATUITAMENTE
Você poderá votar e deixar sua opinião sobre este texto. Para isso, basta informar seu apelido e sua senha na parte superior esquerda da página. Se você ainda não estiver cadastrado, cadastre-se gratuitamente clicando aqui