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   > A EDUCAÇÃO



Tânia Gabrielli-Pohlmann
      ARTIGOS

A EDUCAÇÃO

A EDUCAÇÃO É REALMENTE RESPONSABILIDADE EXCLUSIVA DO GOVERNO?

Lendo o discurso de posse do atual Ministro da Educação, Cristovam Buarque, que já antes de sua nomeação havia-me enviado muitos artigos a respeito de seus projetos sociais especialmente dedicados à educação, não posso deixar de pensar nas tantas atividades que vêm sendo desenvolvidas no Brasil independente e paralelamente ao setor público. Atividades, inclusive, que não recebem qualquer apoio financeiro externo além da colaboração voluntária de integrantes, sejam eles pertencentes a grupos religiosos ou simplesmente grupos de amigos conscientes de seu papel social.
Se a nossa sociedade tem nos mostrado a urgência de uma reestruturação no sistema de educação, o que se pode fazer de imediato, enquanto o novo governo analisa a própria situação neste período de transição? Não preciso lembrar ao leitor que uma criança de cinco anos, hoje, não poderá esperar três ou quatro anos para começar a freqüentar uma escola. Isto representaria, obviamente, já um atraso curricular.
A iniciativa privada tem feito, e muito, também pela alfabetização, embora numa proporção ainda ínfima, em contraste com o percentual de analfabetismo detectado em nosso País. Há muitas pessoas espalhadas pelos interiores de nossos Estados, que se têm esforçado por fazer sua parte. Tenho acompanhado alguns dessas pessoas e grupos desde meus catorze anos e posso dizer da euforia que sempre presenciei por parte de todos os envolvidos. O que seria necessário, no entanto, em caráter urgente, é o reconhecimento, pelo MEC, de tais cursos informais de alfabetização (de crianças e de adultos).
Outra possibilidade de se intensificar a participação da própria população jovem nesta luta contra o analfabetismo, seria a adoção, no sistema de serviço militar obrigatório que temos aqui na Alemanha. Todo jovem alemão que completa seus dezoito anos tem a obrigação, sim, de prestar um ano de serviço – porém este serviço pode ser militar ou social. O jovem que se recusa a pegar em armas é encaminhado a serviços sociais de toda ordem. Como a criança alemã recebe todo apoio possível e imaginável para cumprir sua obrigatoriedade escolar, a maioria desses jovens prestam serviços de acompanhamento a idosos que vivem sozinhos. Muitos deles passam esse ano prestando serviços voluntários em países “do terceiro mundo”, como é o caso de alguns alunos meus, aqui. No Brasil seria bastante proveitosa a utilização deste contingente em lugarejos onde escolas inexistem, iniciando trabalhos de alfabetização, de captação de material escolar, de orientação a grupos independentes ou mesmo aos ligados às entidades religiosas. Por que não?
Há, ainda, jovens alemães que pretendem estudar Pedagogia, que prestam tais serviços voluntários e obtêm o reconhecimento do mesmo como estágio.
Tenho exemplos de jovens brasileiros que freqüentaram a escola básica sob nossa tutela e que cresceram com a consciência da necessidade de ajudar. Aqueles que conseguem seu primeiro emprego, ainda que ganhando um salário mínimo, sempre acabam participando do projeto, doando o que pode: um caderno ou um lápis, ou, ainda, indicando alguma outra criança para substituí-lo, oferecendo, assim, ele também, a oportunidade a outro.
Nós, escritores, vivemos criticando nosso leitor, afirmando prepotentemente que o brasileiro não gosta de ler, não entende nossa obra. Se hoje vivemos este entrave, o que se pode esperar em dez, vinte anos, se o analfabetismo não for extirpado de nosso País? Por que é que o próprio autor não “investe” em seu leitor potencial? Se a desculpa é de que o mercado editorial anda em crise, então que ele se disponha, pelo menos, a realizar eventos GRATUITOS em escolas de periferia, em bibliotecas públicas ou mesmo em grupos independentes. A experiência me mostrou o quanto o adolescente brasileiro se interessa pela literatura quando ele tem acesso ao autor. Não me convence essa história de o escritor viver isolado de seu público, a não ser quando se trata de ser pago para oferecer palestras e workshops, sem qualquer chance de exceções. E depois, ainda, ficar reclamando... Não, não dá... Se o problema é a falta de tempo, então que cada autor se comprometa a pelo menos possibilitar a uma criança o acesso à escola – material escolar básico, simples, sem grandes exigências econômicas. Se não pelo amor ao brasileiro mesmo, pelo menos como “investimento” em seu próprio trabalho...
Idealismo de minha parte? Não. Parte da educação que recebi: levantar e fazer; não esperar que façam por mim...



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