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   > Conversa no ônibus



Figueira Valter
      CRôNICAS

Conversa no ônibus

 Boa noite moço! Vou sentar um pouco de seu lado, não vai incomodar nadinha. Sabe! Eu desço logo ali na próxima cidade. Venho do casamento de meus filhos. É isso aí, imagine só! Meu filho e minha filha resolveram casar no mesmo dia, aproveitamos e fizemos uma festa só. Assim economiza. O tempo de agora não dá para ficar gastando com festa né? Mas como o tempo passa, não?  Minha filha que outro dia era um garotinha que corria alegremente pelos quintais, hoje já é moça feita, ou melhor uma senhora casada. Ah! lembro bem o dia de seu nascimento, aquele dia foi tão engraçado que nunca esquecerei, engraçado agora que já passou tanto tempo, quando aconteceu não foi nada engraçado. Imagine você moço, a gente morava num loteamento de chácaras e muitos parentes moravam por ali perto, coisa pouca. Eu, minha esposa grávida, meu guri de dois anos, a gente morava numa chácara. Meu sogro com a família morava próximo, uns 2 quilômetros e pouco diante o compadre João. Foi então, nos dias que Maria, minha mulher, estava sentindo as dores. Mas não é que as coisas acontece tudo de uma vez só. Em casa, no chiqueiro, tinha um porca que tava nas horas de dar cria. Escutava o gemido da porca no chiqueiro e escutava os gemidos de Maria no quarto. Eu estava ficando louco, não sabia qual acudia. Fui até o chiqueiro, e a mulher gritava que tinha que ir para o hospital. O que fazer? Bem, o que fazer eu já sabia e até tinha combinado  com o compadre João de pegar o seu carro emprestado. Corri com os afazeres no chiqueiro, cobri o local em que  porca estava deitado com palha de milho e adentrei em casa esbaforido gritando para Maria se aprontar para irmos ao hospital. Pequei o guri no colo, montei na bicicleta e rumei para a casa do sogro. Chegando lá eles já pressentiam o que estava acontecendo. Deixei o guri aos cuidados do sogro, porque a sogra teimou em ir junto. Rumei em debalada para a casa do compadre João. Chegando lá é que foi o Benedito. O compadre tinha uns cachorros bravos. Eu nunca liguei porque estive ali várias vezes e os cachorros me conheciam bem. Mas naquele dia parece que eles queriam me atrasar a vida. Não é que eles avançaram em mim bem quando eu já tinha passado o portão. Aí eu tive que usar de astúcia e subir num goiabeira, senão os danados atacavam minhas batatas das pernas. Gritei  o compadre e ele como já esperava foi tirando os cachorros e rumando o carro para que eu fizesse  corrida até o hospital. E lá fomos nós, eu no volante, minha sogra reclamando da minha falta de atenção com a filha e de minha barberagem e minha mulher reclamando das dores. Chegando ao hospital o médico examinou e disse que seguisse já para  sala  de parto, pois o bebê estava querendo vir ao mundo. Quando Maria estava lá pronta para dar a luz, não é que o azar tocou de novo e faltou energia. Aí foi o desespero em providenciar velas para o médico realizar o parto. Rumaram três velas, uma ficou no batente da porta, outra na minha mão e outra na mão de minha sogra. Ficamos eu e minha sogra, um em cada lado para iluminar melhor o ambiente. A enfermeira colocou um tolha embebida em álcool no busto de Maria para utilizar mais tarde, não é que minha sogra com o objetivo de acomodar melhor a toalha chegou tão perto que incendiou. Aí foi outro desespero para apagar aquele fogo. O fogo foi apagado e o médico conseguiu fazer o parto com sucesso e nasceu uma linda menina que nesta semana se casou. Veja só como é a vida moço. E como o tempo passa. Hoje lembro disso e dou risadas. Chegou no ponto onde desço moço. Até mais moço.

-         ZZZZZZZZZZZZ

Valter Figueira 



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