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   > AMAR, CURTIR, GOSTAR E BUUUM !



Anna Maria Tagliavini
      CRôNICAS

AMAR, CURTIR, GOSTAR E BUUUM !

Praticamente me restrinjo ao amor aos animais, meu dodói absoluto, mas claro que as considerações valem  para todo e qualquer ser vivo, inclusive o humano.

Sou testemunha, uma vez que observadora, dos mais variados tipos de amores e amantes: uma, compra cão caríssimo, “hit”da moda ( cachorro da estação ), raça pura e  “pedigree” inflando seu peito, o prestígio de sua conta bancária e de sua ascensão social”. Melhor não comprar vira-lata....vai saber de onde vem, se tem doença....” 

Outro se esmera em dar ótima educação a seu rebento: não pode subir no sofá, nem pedir comida enquanto a família almoça, nem latir, nem entrar em casa, não pode, não pode, NÃO PODE! Até que gosta de bicho, mas o animal lá, e ele cá. Cada um em seu lugar. 

Outro, ou melhor, outra, enfeita seu bicho com fitas, laçarotes, festões, roupas de grife. Eternas árvores de Natal ambulantes e atemporais. 

Já o biólogo apregoa que os animais devem passar fome, para que sua população não aumente consideravelmente, não comprometendo assim o equilíbrio  da natureza. Amor científico! 

O fazendeiro, do longínquo infinito de sua varanda enxerga suas vaquinhas no verde pasto como cifrões, cuja cotação no mercado do boi gordo segue com ansiedade em seu “lap-top” última geração. 

O empresário dono de frigorífico, após acionar matança em cadeia de centenas, milhares de rezes, cansado ao fim do dia estafante assiste futebol fazendo cafuné em seu siamezinho de estimação, enrodilhado em seu colo. 

Gostar ou desgostar? Gostar de si mesmo ou gostar do outro? Embaralhar valores? Quais e onde as linhas divisórias? Se todos os caminhos levam a Roma, todos os absurdos conduzem ao caos. Difícil digerir.  

Se tanta incongruência mexe com minha cabeça a ponto de não entender o que faço neste planeta absurdo, nada chega aos pés do que ouvi semana passada, ao conversar por telefone com amiga de infância que há anos mora em “Nüremberg”, histórica cidade dos julgamentos, Alemanha. Contava-me ela sobre as agruras do rigoroso inverno 2010 , provocando óbitos, sobretudo em idosos , destruição. Não resisti e perguntei-lhe : - E os animais? Como fazem?
- Bem, sobrevivem graças aos caçadores.
 
- Cooooomo ? Não entendi. Caçador aí não mata ? 
- Na verdade, os caçadores matam no verão, para que a população não aumente, e no inverno levam bandejas de frutas, ração, alimentos, que colocam em diversos pontos da cidade para que os bichos  não morram de fome.

Após alguns minutos de reflexão sobre como pode funcionar o cérebro de uma pessoa que ora mata, ora injeta vida, ouvi um estouro dentro de minha cabeça : BUUUM !!!! Feliz ou infelizmente não era um AVC não. Era sim o estrepitoso rompimento do último liame que eu ainda mantinha com a humanidade. Agora, nada mais. 

Boa noite senhores.



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