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   > Antologias de poesia brasileira em Portugal



Aricy Curvello
      RESENHAS

Antologias de poesia brasileira em Portugal

Com uma bela capa de Figueiredo Sobral, não poderia haver título mais sóbrio: Antologia de Poetas Brasileiros. A Casa que publicou e lançou a obra é uma das maiores e mais respeitadas Casas publicadoras em Portugal e na Europa. Trata-se da Universitária Editora, de Lisboa. A seleção e coordenação ficaram por conta de Mariazinha Congílio, com alguma colaboração do grande crítico brasileiro Fábio Lucas.
“Na transição do século e do milênio, esta Antologia vem oferecer um painel da Poesia do Brasil nos últimos cinquenta anos”... principia a Organizadora na apresentação da obra. “ Dentre os melhores poetas de cada um dos vinte e cinco Estados do país, selecionamos os que aqui se reúnem, buscando a necessária abrangência. Dos poetas aqui abrigados, todos atuais e representativos, alguns já não estão entre os vivos (...) Não trouxemos dados biográficos. Os poemas apresentam os poetas (...)... Lendo a Antologia, ouvirão os leitores a Voz do Brasil, em versos.”
A poesia do Brasil nos últimos 50 anos do século XX é o subtítulo dessa obra destinada ao público português e ao mercado europeu, embora também lançada na última Bienal do Livro de São Paulo, em 2000. Pelo seu bom índice de vendas e pelo que as notícias vêm indicando, trata-se de uma coletânea que despertou e continua despertando a atenção dos leitores lusos. Portugal havia ficado bastante tempo sem que se editasse uma antologia atualizada de nossa poesia.
Durante o Encontro Internacional de Poetas, realizado na cidade do Porto, foi a obra em seu gênero mais procurada e adquirida pelos participantes lusos e estrangeiros. Sem dúvida, trata-se de uma recolha canônica, obedecendo às principais linhas de transmissão da tradição poética no Brasil, inclusive algumas rupturas, excetuados apenas os concretistas de São Paulo.
De muitos elementos dispunha essa antologia para marcar época. No entanto apresenta alguns senões. O principal, sem dúvida, é o fato de fazer-se pela ordem alfabética a razão de entrada de cada poeta na obra, quando esta deveria ser feita pela data de nascimento de cada um, como se deve proceder em recolhas desse gênero, em que há várias gerações e tendências diferentes envolvidas. Dever-se-ia principiar com os pré-modernistas como Manuel Bandeira, passando para os modernistas e os modernos como Carlos Drummond de Andrade, Cassiano Ricardo, Menotti del Picchia, bem como Cecília Meireles, Vinicius de Moraes e João Cabral de Melo Neto, até os poetas mais recentes às voltas com uma intensa gama de tendências.
Ao todo são 64 os integrantes da antologia, sendo os demais: Alcides Buss, Antonio Olinto, Alphonsus de Guimaraens Filho, Adélia Prado, Afonso Félix de Sousa, Alberto da Costa e Silva, Aluysio Mendonça Sampaio, Álvaro Alves de Faria, Álvaro Pacheco, Aricy Curvello, Artur Eduardo Benevides, Astrid Cabral, B. de Barros, Betty Vidigal, Carlos Nejar, César Leal, Cyro Pimentel, Domingos Carvalho da Silva, Ferreira Gullar, Francisco Carvalho, Fúlvia Carvalho Lopes, Geraldo Vidigal, Geraldo Pinto Rodrigues, Gilberto Mendonça Teles, Hilda Hiulst, Idelma Ribeiro de Faria, Ildásio Tavares, Ivan Junqueira, Ives Gandra da Silva Martins, João Manuel Simões, Jorge Tufic, João de Jesus Paes Loureiro, Ledo Ivo, Lenilde Freitas, Leonor Scliar Cabral, Lindolf Bell, Magela Colares, Márcia Theophilo, Marcos Leal, Mariazinha Congílio, Mário Chamie, Miguel Jorge, Miguel Reale, Milton de Godoy Campos, Myriam Fraga, Odilon da Costa Manso, Oscar Dias Corrêa, Paulo Bonfim, Paulo Vanzolini, Péricles Eugênio da Silva Ramos, Ruy Espinheira Filho, Samuel Penido, Sérgio de Castro Pinto, Sólon Borges dos Reis, Sônia Queiroz, Stella Leonardos, Yeda Prates Bernis.
Cada poeta comparece com três poemas, o que nos permite apreciar um rico panorama da poesia brasileira da segunda metade do século que findou no ano passado.
As comemorações dos 500 Anos do Descobrimento deixarão em seu rastro algumas realizações e referências duradouras, como as duas antologias de nossa poesia estampadas nos números 3 e 6 da revista Anto, editada pelo poeta e historiador António José Queirós, com subsídios do Ministério da Cultura de Portugal, Instituto Português do Livro e das Bibliotecas, bem como da Câmara de Amarante. A Universitária Editora não só contribuiu com a Antologia de Poetas Brasileiros como também com a monumental obra bilingüe (Português/Francês) que é Reflexos da Poesia Contemporânea do Brasil, França, Itália e Portugal , com coordenação e organização do poeta francês (professor aposentado da Sorbonne) Jean-Paul Mestas, em que doze poetas brasileiros contemporâneos foram defrontados com doze franceses, doze italianos e treze portugueses (entre os quais o maior deles, Eugénio de Andrade).
Surpreendente neste ano de 2001 é a publicação de “Um Mundo no Coração/ Un Monde au Coeur”, uma coletânea-monumento da poesia contemporânea, com 87 autores de 54 países, em edição Português/Francês, pela Universitária. Outra vez o organizador é Jean-Paul Mestas, que mobilizou uma excelente equipe de tradutores franceses, em vista do grande número de idiomas envolvidos. Foram incluídos cinco brasileiros, a saber: Alice Spíndola, Geraldo Vidigal (da Academia Paulista de Letras), Rosani Abou Adal (editora do jornal literário Linguagem Viva), o carioca Selmo Vasconcellos e o autor destas mal traçadas linhas. O lançamento está marcado para acontecer a 27 de Setembro , a partir dos 18 horas, no Mosteiro dos Jerônimos, com a presença de vários poetas portugueses e estrangeiros, com movimentação de escritores, jornalistas e público.



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Aricy Curvello é poeta, ensaísta e tradutor. Seu livro mais recente (Uilcon Pereira no coração dos boatos), que foi coeditado em 2000 pela Giordano (São Paulo) e a AGE (Porto Alegre), recebeu recentemente da União Brasileira de Escritores, do Rio de Janeiro, o Prêmio Joaquim Norberto (Ensaios Editados/Biografia).


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