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   > Trinta Contos



MARCOS DAVID BITTENCOURT LEAL
      CONTOS

Trinta Contos

Trinta Contos

                                                                                        "Marcos David"   

Num cair de tarde, um caminhão embarcava alguns animais descartados num haras da região.

Um cavaleiro sobre sua montaria observava a via crucies das infelizes criaturas.

-          Dia!

Cumprimentou o senhor parado observando o embarque dos animais, um após outro cabisbaixos como se adivinhasse seus fúnebre destino.

-          Bom dia.

Respondeu sem tirar as vistas dos míseros condenados.

-          Inda que má lhe pergunte, esses bicho vai pra onde mesmo, patrão?

Ele voltou-se desinteressado para o cavaleiro parado sobre a montaria em sua frente.

-          Isso ai!

Aponta para os animais em fileira sobre a rampa.

-          É sim senhor!

-          Vão para algum abatedouro por ai. Serão sacrificados.

-          Mortos?

-          Esses cavalos não têm nenhuma serventia para a gente aqui.

Comenta o senhor batendo levemente com o rebengue no bico da bota.

O rapaz sobre a cela observa cada animal do grupo, fixa atentamente para um magnífico puro sangue.

-          O patrão não quer me vender aquele ali.

O homem o fitou calmamente.

-          Mas para que o cidadão quer este animal, ele não vai lhe servir para nada, é.

-           Completamente cego.

O argumento do cavaleiro o sensibilizou.

-          Ö Néco!

-          Inho!

-          Tira este cavalo ai, o traz aqui.

O peão passou uma corda sobre o pescoço do animal trazendo imediatamente.

-          Ta aqui patrão.

Entregando o cavalo retirou-se para seus afazeres.

Segurando o animal pela corda, olhou atentamente para o interessado:

-          Pronto o senhor me convenceu com seus argumentos de bondade.

Prosseguiu:

-          Pode levá-lo é seu, para mim ele nada vale, sou criador, não posso me dá ao luxo de cuidar de um animal improdutivo.

O cigano pegou a corda, agradeceu, e saiu maquinando alguma artimanha.

   

Meses depois...

 

Habituado à labuta do campo e a barganha de todas as espécies, o cigano dedicou-se um bom período deste tempo para alimentar, e treinar o cavalo a seu modo, para mais tarde tirar algum proveito.

Foi num sábado, final de feira, o cigano desfilava garboso sobre um puro sangue fantasticamente cuidado, seu pelo brilhava chamando a atenção de todos que admirava o esporte.

Parou à frente dum bar onde em sua frente estavam vários cavalos enfileirados.

Entrou tilintando as esporas no chão.

-          O Gajão bota uma pinga aqui!

Neste mesmo instante, um rapaz entra no estabelecimento, bem vestido no estilo cowboy, aproxima-se do balcão.

-          Uma cerveja.

Vira-se para o cigano.

-          Aquele manga larga é seu?

-          É meu patrão! Gostou?

-          Ele é muito bonito!

-          Realmente é um animal fantástico.

Responde o Cigano virando o copo à boca.

O rapaz toma a cerveja silenciosamente observando para o animal parado na área externa do bar.

-          O bicho tem rolo, Gajao!...

O rapaz virou-se.

-          Você vende?

-          Faço qualquer negocio.

O rapaz pestanejou.

Realmente o animal fascinava com sua beleza. O cigano conhecedor nato da situação aproveita da inocência do nobre rapaz.

-          Olha patrão, vou fazer um negocio de pai para filho com você.

-          Como estou precisando fazer dinheiro, tenho um filho com problemas de saúde internado no hospital.

Fez um gesto de sofrimento, até passou a barra da camisa sobre os olhos simulando emoção e sensibilidade.

-          Dou-te meu cavalo com sela e tudo pelo teu e o patrão me volta cinqüenta conto.

-          Olha estou com este cavalo desde que nasceu só vou desfazer dele por que estou precisando do dinheiro para pagar o hospital.

O rapaz virou o resto do copo na boca, enchendo-o novamente e levando-o aos lábios solvendo todo o conteúdo.

-          Moço cobra aqui as pingas!

Pagou a conta apresadamente pressionando psicologicamente a decisão do rapaz.

-          Olha patrão, tem um senhor aqui perto que esta interessado no bicho, diz que ele é criador ele está me esperando.

-          Espere vamos conversar.

Diz o rapaz visivelmente interessado no negocio.

-          Então diga lá Patrão?

-          Dou-te vinte contos de volta!

Falou o rapaz.

O Cigano argumenta usando toda sua habilidade na arte de negociar, e após alguns entraves chegam a um denominador comum.

-          Pronto nem eu nem você, dou trinta contos.

E alguns segundos pensando...

-          Fechado!

Falou o cigano decidido.

O rapaz imediatamente mete a mão no bolso, conta às cédulas e passa para o cigano.

Ele recebe a quantia coloca no alforje, apanha sobre o balcão algumas moedas do troco e saiu, subindo na sua nova montaria partindo em disparada... 



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