Busca: 

Apelido:

Senha:


Esqueci minha senha
 
  Área do autor

Publique seu texto
  Gêneros dos textos  
  Artigos (641)  
  Contos (940)  
  Crônicas (724)  
  Ensaios (169)  
  Entrevistas (35)  
  Infantil (207)  
  Pensamentos (651)  
  Poesias (2525)  
  Resenhas (129)  

 
 
Contradições
Marcos de Sena Pereira
R$ 30,50
(A Vista)



Veículos-03-202
Airo Zamoner
R$ 104,00
(A Vista)






   > UMA VOZ QUE SE CALOU PRA SEMPRE



Marilena Orsoni
      CONTOS

UMA VOZ QUE SE CALOU PRA SEMPRE

Pai. Você se foi. Eu fiquei sem o meu melhor amigo e meu meu melhor conselheiro. E a sua voz, não posso ouvir mais. O senhor não imagina a falta que sinto das nossas conversas. Das nossas brigas. Das nossas diferenças. E como eu gostava de ouvir as músicas sertanejas que o senhor cantava -com seu vozeirão- eu até arriscava fazer a segunda voz, mas o senhor sabia o quanto eu mais atrapalhava do que somava na canção. E o senhor e não dizia nada, simplesmente, curtia, com muita alegria, aquele momento só nosso. Era muito engraçado. Nós ríamos um bocado, lembra? Ah, se eu pudesse voltar o tempo, para ouvir mais uma vez o senhor chamar de pelo meu nome! Como eu ficaria feliz. Lembra, pai, quantas vezes o senhor tentou me ensinar como era a vida? O senhor costumava dizer que, era muito perigoso olhar o mundo somente com íris da cor do mar, porque nem tudo era azul., e também, nem tudo era cor-de-rosa. Quanto o senhor lutou tentando me fazer enxergar que, nem todas as pessoas eram boas,e muitas delas, eram como Camaleão: camufladas da verdade. E, apesar de eu saber que o sol sempre vai nascer a cada manhã, o senhor me fez ver que, ele vai continuar brilhando e iluminando o caminho das pessoas boas. E das ruins. Me fez acreditar que o sol sempre iluminará os dias dos meus filhos, dos meus netos,e assim por diante. Mesmo quando eu não existir mais. Como aconteceu com o senhor. Porque a vida continua. Sabe, pai, nós nos amávamos,mas a gente sempre discutiu muito, era engraçado. Eu lembro que chegou uma época que,eu não entendia o senhor e o senhor não me entendia. Éramos de geração diferente e o mundo estava passando por sérias transformações e muitas delas de comportamento, atitudes, de conquistas...Tudo estava acontecendo muito rápido, e sei que isso chocava o senhor e a minha mãe.O ciúmes que o senhor tinha de mim, naquela época, me perdoa, eu não entendia, ele me irritava. Eu não conseguia ver as coisas da maneira que o senhor via. Com a sua ótica. Eu via um mundo cheio de oportunidades e eu queria acompanhar esse tempo me dedicando aos estudos. E o senhor sempre me dizia que cautela e canja de galinha nunca fizeram mal a ninguém, lembra? E hoje, quando lembro, vejo que tudo aquilo era amor.Era cuidado de um pai zeloso que só queria o bem da sua filha. Mas, dentro deste texto, quero deixar minha saudade. E o quanto sinto sua falta. Se pudesse voltar ao tempo de criança, ao tempo da minha mocidade, e novamente poder olhar dentro dos seus olhos, eu diria o quanto certo, o senhor estava. A vida tem me provado isso. Fim

CADASTRE-SE GRATUITAMENTE
Você poderá votar e deixar sua opinião sobre este texto. Para isso, basta informar seu apelido e sua senha na parte superior esquerda da página. Se você ainda não estiver cadastrado, cadastre-se gratuitamente clicando aqui