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   > EMOÇÂO



Isis Berlinck Renault
      CRôNICAS

EMOÇÂO

Foi um dia de intensa emoção. Estava triste, sem saber o que fazer. Alguém aconselhou. “Quebra o bloqueio. Põe tudo que sente pra fora”.
Depois do conselho, pensou. “Talvez escrevendo eu consiga. É isso. Ponho no papel. Assim não amolo ninguém”.
Agora, sentada frente à máquina, não sabe como dar início. Como pôr pra fora o que sente? Não sabia... Passou a vida toda segurando suas emoções, só extravasadas em lágrimas, a única coisa que não sabia guardar. Uma simples vontade depois de um conselho. Conseguiria fazê-las saírem?
Na verdade, não era uma simples vontade. Era uma profunda vontade. Pensou que talvez fosse mais feliz, mais liberta, se conseguisse algum dia, de alguma forma, “botar pra fora”, nem que fosse um pouquinho só, toda aquela emoção que tinha guardada, proibida de sair. Por isso, tão dolorosa... Nunca fora de se queixar, de reclamar, de se abrir. Tinha receio de ser enfadonha. Afinal, ninguém se importa com ninguém mesmo... Era perda de tempo. Além do que, se livrava de ser “chata”. Foi sempre assim durante toda a vida – preocupada em não ser chata. Não perturbar as pessoas com seus problemas. Antes ouvir muito e falar pouco.
Agora, frente ao papel, sente que não é tão fácil assim. Aliás, não é nada fácil. Como colocar em palavras o que sente a alma? Que palavra seria a imagem dessa dor que sente no peito? Esse aperto no coração? Talvez o pintor ou o músico, com sua arte, consiga... Um pincel na mão, correndo em cores sobre uma tela – a emoção explodindo em cores, talvez... Mãos que tocam um instrumento, chorando na música, talvez... Mas na escrita, as palavras precisam “dizer”. E como dizer por palavras escritas o que nunca soube dizer por palavras faladas? É difícil... Para ela é muito difícil...
Fica pensando: “...e se conseguir?” Se conseguisse colocar no papel um pouquinho que fosse da emoção que sente, não iria lhe fazer bem? Ou iria ficar lá guardada, como sempre ficara em seu coração, durante toda uma vida?... Quantas palavras precisaria! Não conseguiria... Talvez um pouco, sim. Mas seria o bastante? Um “trailer” de um filme que não seria visto por ninguém? De que vale para ela o “trailer” de um filme a que assiste todos os dias na memória?
Voltou a se lembrar: “...bota pra fora”. Percebe que, de alguma forma, alguma coisa foi posta pra fora. Pensamentos soltos... Talvez... Reflexões somente... Talvez...
Valeu? Acha que sim. A máquina foi boa ouvinte.


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