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   > A Lenda de Como Os Legendários Pensadores Clássicos Projetavam Um Avatar



JACIEL MARQUES DA SILVA
      CONTOS

A Lenda de Como Os Legendários Pensadores Clássicos Projetavam Um Avatar

Esta lenda traz uma intrigante investigação que faz lembrar a situação dos jovens aspirantes ao mercado de trabalho, nos inúmeros campos profissionais, e que ainda têm como primeiro degrau o chamado “estágio”. Você, que é ou conhece um dinâmico estagiário, confira a seguir todas as dicas sobre como algumas aptidões dos estreantes são muito mais importantes do que aparentemente têm sido aos olhos de uma sociedade ainda sem esclarecimento. 

Poderia um reles escravo ser um co-autor de boa parte do grande legado deixado pelos maiores pensadores da aurora filosófica cujo berço é atribuído às Civilizações Antigas? 

Na Antiguidade Clássica todos os olhos eram voltados para os pensadores, que eram os filósofos e não os assim chamados “seres pensantes”, porque estes últimos tinham (o máximo que fosse) essa designação por não serem da realeza, não podendo evoluir para a primeira categoria - que era a dos pensadores.

Isso mesmo:

- pensantes = qualquer um, cidadão ou escravo;

- realeza = gênero próximo aos deuses;

- filósofos = manifestações das divindades na forma conhecida como "palavra sábia", isto é: tratavam-se de pensadores.

Inéditos achados arqueológicos surgiram e somente agora são revelados ao público leigo, a partir de uma pequena estatueta, desenterrada durante uma escavação próxima ao Colosso, em cuja base circular foi constatada a inscrição NATNA HILCA VALD-ROS, que em tradução mais próxima ficaria assim:

- "registro aqui o franzir do meu cenho pensativo".
  Pipocaram, aqui e ali, outros achados que demonstram ao perscrutador atento que a face horrenda do plágio é mais antiga do que sempre se suspeitou. Manuscritos acabam de ser trazidos ao conhecimento das mais notáveis cabeças pensantes. Novos pergaminhos foram descobertos sobre a lenda intitulada de "Os Doze Trabalhos de Hércules", demonstrando supostamente uma versão assustadora que resumiria o verdadeiro propósito dos deuses do Olimpo. 

Para que o leitor comece a entender, basta analisar o que vem a seguir  –  e comparar o que aí está com as pistas dadas logo acima.

Antes de voltarmos ao valoroso Hércules e seus trabalhos, desejo que leia os próximos parágrafos. 

Novas pesquisas revelaram caracteres gravados em tecidos que eram usados na confecção das vestimentas dos filósofos gregos dos tempos aristotélicos, pelos quais se podem visualizar (na parte de dentro de cada forro) pequenos recados deixados por escravos aos seus amos filósofos, com frases que seguem um padrão que em geral seria:

- "mestre, ninguém viu que elaborei este pensamento e nem mesmo os meus pais saberão que um dia eu fui o autor dessas vossas célebres palavras minhas".

 O que? Como? Será que está mesmo correta essa transcrição?

Neste ponto, meu irmão ou minha irmã, uma névoa de sutil desconfiança pode estar perpassando a mente de quem lê aqui. Poderia um reles escravo ser um co-autor de boa parte do grande legado deixado por um ou outro daqueles maiores pensadores da aurora filosófica cujo berço é atribuído às Civilizações Antigas? Estaríamos prestes a detectar uma pretensa origem para o descaso lançado sobre alguns anônimos gênios auxiliares, de inteligência brilhante, a exemplo da figura predominantemente jovem do trabalhador de nossos tempos (deste Século XXI, d.C) cujas obras intelectuais ou práticas de labor (por vezes extenuantes) são quase sempre denominadas de mera prática acadêmica? 

Estaríamos aqui vendo repetir-se uma inegável omissão de valores e de autorias por trás das alardeadas façanhas de grande produtividade das empresas públicas, ou até mesmo daqueles resultados propagandeados pelo setor privado dos nossos dias, sempre que são atingidos índices fantásticos em gráficos de crescimento?

Sim, amigo leitor, pois o que se tem unanimemente concluído  – a partir da entrega dessas descobertas aos analistas da Organização Mundial do Trabalho – é que esta seria uma  origem milenar filosoficamente aceitável para certas denúncias de apropriação intelectual  (ou de plágio, mesmo!) que vinham alimentando uma investigação  quanto aos recursos humanos representados pela valorosa classe dos formidáveis e engajados calouros conhecidos como Estagiários.

É mesmo raramente conhecida (hoje) uma instituição que tenha primado pelo reconhecimento das valorosas contribuições intelectuais de todo o staff de estagiários responsáveis pelo crescimento de empresas públicas ou de capital privado por todo o planeta. Esses jovens são, de fato, a linha de frente nesse aspecto social relevante resumido no trinômio Inteligência/Criatividade/Empreendedorismo. 

Voltando àqueles mencionados pergaminhos que foram descobertos sobre a lenda intitulada de "Os Doze Trabalhos de Hércules"...

...Suspeita-se que haveria ocorrido uma adulteração e uma ocultação da lenda sobre Hércules, para esconder que os deuses maiores teriam poupado esse herói mitológico de uma estagnação física e uma consequente desmoralização perante o Cosmos, fazendo-o executar somente metade dessas gigantescas tarefas (valendo-se das forças de um mortal na finalização da outra parte – este último agindo como um sósia para confundir as forças ocultas que tentavam dominar os mundos elevados dos imortais)...!  

Seria algo assim, como no filme do azulado Avatar – mas com mérito apenas para quem mostrou a cara ou a ideia na linha de frente da batalha!

Certamente, terminadas as investigações que estão sendo encaminhadas aos Organismos Internacionais, o Estagiário (com letra maiúscula) será reconhecido como aquele realmente capaz de acender a tocha. E a pira olímpica será dele.

Para esta última afirmativa acima, basta ver os novos postulados éticos e trabalhistas que agora estão condensados numa recente lei já em vigor neste país gloriosamente cravado no continente América do Sul – o Brasil.

Você – meu irmão ou irmã Estagiário(a) – que agora conhece a lenda por trás da lenda, procure saber das novidades.

Você certamente precisará se sentir inserido no contexto dos novos desafios deste milênio.

Vá em frente, porque lá você é gente.

Agora, vá e conte a verdade!

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SEGUNDO CONTO LENDÁRIO ***********O Dia Em Que O Vaticano Investigou A Serotonina - Ciência Ou Religião?Um estranho rebuliço espalhou-se pela primeira vez no Vaticano.

O Papa convocara um concílio extraordinário, uma espécie de Assembléia Constituinte dos santos, desta vez com a finalidade de se votarem novas regras para admissão das pessoas no Céu, quando morressem.

É que a Igreja estava sendo acusada de injustiças na formulação dos seus credos. Ela não havia acompanhado os avanços da Ciência e, assim, as pessoas estavam sendo ensinadas de forma errada sobre pecados e sobre Inferno e Purgatório.

Era necessário, dizia o novo Papa, que fossem revistos os critérios sobre as penas eternas para dois pecados: a gula e o homicídio.Tudo porque o Santo Papa Vráuzio Darela (que tinha sido médico "global" no Brasil) havia formulado um raciocínio espantoso, que tinha deixado a todos assustados com o novo significado que tudo assumiria dali por diante.

Como poderia a Igreja do século XXI sustentar que a gula representava uma culpa suficiente para levar pessoas ao Purgatório, sob risco até de irem parar no próprio Inferno, se a medicina já havia provado que tudo não passava de distúrbios glandulares que levavam a pessoa a comer mais do que precisaria para sobreviver?E os homicidas? Pior, ainda. Como poderiam ser condenados ao fogo eterno, se eles são apenas vítimas de um certo desentendimento com essa tal de serotonina, aquele resíduo que segrega para dentro do cérebro, e cuja ausência acaba tumultuando o senso de equilíbrio deles?

Alegavam os críticos que seria preciso separar melhor as coisas, pois era uma questão de justiça - e de justiça divina!E, levando em consideração que a Igreja tinha a obrigação de mostrar a verdade aos seus fiéis, nada mais justo do que rever certas posições!O melhor mesmo era deixar que a própria lei dos homens cuidasse dessas falhas humanas, dizia Sua Santidade, pois a Justiça de Deus não iria barrar as pobres vítimas das glândulas e de distúrbios da falta de serotonina, quando batessem às portas do Céu.

Que vexame seria... achar que o ser humano poderia ser culpado, se seus atos eram apenas como os atos de um robô, por não poder desobedecer aos comandos das descargas químicas ou por lhe faltar serotonina no cérebro!

A coisa estava se complicando, porque, nesse caso, os portadores de comportamentos homicidas, por exemplo, poderiam pagar por alguns atos aqui na Terra, mas Deus certamente entenderia de outra forma, pois a própria medicina terrestre demonstrava claramente que tais pobres pecadores agiam como robôs sem qualquer poder de escolha entre os pensamentos bons e os ruins!

Corriam até notícias de que o grande Mel Gibson ia refazer o filme da Paixão, para colocar efeitos especiais mostrando as coisas que aconteciam nos cérebros da turba enquanto gritava "crucifiquem-no" – e com isso esse hollywoodiano iria se limpar da acusação que lhe pesava de anti-semitismo. E aquela cena de Pedro cortando a orelha do soldado romano com a espada? Dá até para imaginar aquela imagem de computador mostrando uma ultrassom da cabeça de São Pedro por dentro, com uma coisa azulada piscando, ficando só um pouquinho dentro do cérebro dele, instando-o para que ele puxasse aquela lâmina e a brandisse em direção à cabeça do coitado...!

A questão era que praticamente não se poderia saber se a pessoa tinha ou não condição de escolher pensamentos bons para cultivar! E se o sujeito fosse andando pela rua, despreocupado, contente, assoviando... e... (ZUPT!)... tivesse um vazamento de serotonina, por ter casualmente batido a cabeça?E as pessoas que não vão à Igreja, que não freqüentam as missas, que não rezam... será que elas não são vítimas de uma causa orgânica ainda não descoberta? Será que não há uma substância ainda desconhecida que as obriga a somente pensar em futilidades?

Uma outra idéia ainda mais grave passava-se na cabeça de todos. Não seria melhor que todos os membros do clero fossem escolhidos através de rigorosos exames médicos capazes de detectar os distúrbios glandulares (por causa da gula) e as taxas de serotonina? Assim seria fácil de se saber quem tem (ou não) alta/baixa taxa de serotonina (benigna ou maligna, conforme o caso).

Por via das dúvidas, é melhor rezar um terço  -  pois o beijo da serotonina é úmido demais, mas é melhor do que não ser beijado e ser uma esconjurada cobaia da Ciência!

Ah...! Já ia me esquecendo! O resultado dessa investigação não se soube até hoje. Dizem que a Ciência teria posto de lado seus postulados e que o Papa ficaria convencido de que mexer com o assunto levaria alguns a arder na fogueira das vaidades humanas por estar de posse dessa pedra filosofal dos saberes serotoninosos.

 



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