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   > O taxista



MARCOS DAVID BITTENCOURT LEAL
      CONTOS

O taxista

 

Habitualmente os taxistas reúnem-se em fileiras nos pontos autorizados para aguardar os clientes. Com o preço exorbitante da gasolina seria impossível circular pela cidade. O interessante é que o nosso país é um grande produtor mundial de petróleo e inexplicavelmente temos nos combustíveis o terceiro maior preço do planeta. Entenda essa baderna!

Bom voltando aos heróicos taxistas, que para defender sua profissão sofrem bastante, da perseguição da fiscalização a contínuos assaltos diários.

      Num certo dia, estacionados num terminal em frente a um grande shoping da cidade, no aguardo da chegada da sua vez, com a mala do carro aberta três taxistas jogavam cartas pacientemente matando o tempo da espera. Após alguns minutos.

-          Zé puxa teu carro o da frente já saiu.

-          Ok, não vai roubar ai, aguarde que é minha vez de jogar.

-          Vá lá.

O taxista puxou seu carro para a ponta da fila, e retornou com as cartas na mão.

-          Pronto vamos lá.

E deram continuidade ao jogo de cartas alegremente.

Estava tão envolvido que não perceberam a chegada de um senhor para apanhar o táxi.

-          Pessoal, quem é o motorista?

-          Opa, pois não senhor, estou indo.

E jogando as cartas sobre a tampa da mala falou:

-          Volto logo, deixa-me levar este boneco ali.

-          Vá lá.

Falou seu colega sorrindo.

O cliente entrou e sentou no banco traseiro do carro.

-          Boa tarde! Para onde.

-          Dendezeiro.

Deu macha ao carro e seguiram para o destino, sem conversarem em todo o trajeto.

Nas imediações do local solicitado o taxista voltou-se para traz e perguntou:

-          Qual o local no dendezeiro?

-          Vila militar.

Responde o cliente vagamente.

Após alguns minutos no portão da vila um policial aproxima-se e notando no banco traseiro do táxi prosta-se em forma e bate continência levantando o mastro de contenção imediatamente.

-          Aqui esta ótima.

O carro para em frente a um prédio no pátio militar.

O Senhor desceu e foi cumprimentado militarmente por um grupo de soldados que se exercitavam no largo do pátio. E um deles aproximou-se.

-          Precisa de alguma coisa Coronel.

-          Sim, encaminhe este senhor para o auditório, que já estarei indo até lá.

-          Sim Senhor.

Respondeu o militar batendo continência, e seguindo com o taxista para a entrada do prédio.

Vinte minutos depois. O taxista impaciente sentado em uma cadeira na sala de auditório levanta-se e segue para a porta abre e encontra um policial parado em frente da mesma.

-          Será que o senhor se esqueceu de mim?

-          Não, ele esta vindo.

Ele voltou e sentou-se a esperar.

De repente a porta se abre e o senhor entra e caminha para frente do auditório e senta-se na mesa em frente.

-          Bom quanto foi sua corrida?

-          Vinte e dois reais.

Respondeu o taxista levantando e seguindo para próximo da mesa.

-          Sente-se, por favor.

-          Então e senhor tem por habito chamar seus clientes de boneco?

O taxista esboçou um sorriso pálido e tentou justificar.

-          O senhor sabe que seus clientes são sua fonte de renda, sem clientes sem dinheiro, não é isso? Então o senhor tem a obrigação de tratá-los com respeito, certo?

-          Sim, mais!

-          Espere não diga nada, vou passar aqui uma pequena tarefa para que nunca mais se esqueça que seus clientes merecem respeito.

-          O Senhor escreverá duas mil e duzentas vezes neste papel esta frase.

Levantou e escreveu na lousa à suas costas. “NÃO DEVO CHAMAR MEUS CLIENTES DE BONECO

-          E quero que enumere todas as frases, até completar a última. Quando o senhor terminar pode chamar o guarda que ai fora, entregue a ele que saberá o que fazer.

Saiu, e fechou a porta calmamente.



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