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   > Alguém dá notícia das tabelinhas da Copa?



Vicência Jaguaribe
      CRôNICAS

Alguém dá notícia das tabelinhas da Copa?


 

 

 

(Vicência Jaguaribe)

 

 

 

 

Não importa que este seja o enésimo texto escrito sobre a Copa do Mundo. Não importa que ele não apresente nada de novo sobre o assunto. Não importa a cara que o leitor fará ao perceber que é mais um. Nada disso me preocupa neste momento. Daí que vocês poderão perguntar: Então, por que e para que escrevê-lo? E minha resposta será a mais prosaica do mundo, mas também a mais forte e convincente: Porque quero. Porque me deu vontade. Pois é, irmãos, não existe melhor razão para que um texto seja escrito do que a vontade de seu autor.

            Bem, com esta justificativa para lá de coerente com o pretenso liberalismo das sociedades do nosso tempo, comecemos.

            A festa de abertura da Copa se aproxima, e eu – torcedora de Copa do Mundo, aquela torcedora bissexta, que só se manifesta de quatro em quatro anos – estou meio inquieta, por uma razão muito simples: ainda não vi aquelas famosas tabelinhas que se distribuíam nas copas anteriores. Nem uma para remédio. Por onde andam aquelas tabelinhas de papel que os jornais traziam como encartes, para que pudéssemos acompanhar o desenrolar dos jogos? Para que pudéssemos, a cada fim de jogo, pegar uma caneta ou um lápis e registrar os resultados? Já perguntei isso a muita gente e ninguém parece dar importância à minha preocupação. Alguns fazem cara de pouco caso, como se eu estivesse preocupada em saber a cor da cueca que o Dunga usará no primeiro jogo do Brasil. Ou em ter certeza do modelo de brinco que gostariam de usar em cada jogo os fashions Robinho, Luís Fabiano, Adriano e Daniel Alves. Sim, que gostariam, porque usar mesmo não vão poder. O que é uma pena! Como ficam bonitinhos de brinco!

Mas como é que a gente vai acompanhar a Copa, saber quem foi eliminado, quem vai para as quartas de final, para as semifinais e, finalmente, quem vai disputar la grande finale sem ter nas mãos uma tabela? Uma amiga me disse que talvez as tabelas sejam virtuais, e a gente tenha que acessá-las via Internet. Pronto, perdeu a graça. Nunca vai ser a mesma coisa. A tabelinha de papel ou de papelão, a gente punha dentro do bolso ou da bolsa e, quando em uma roda de discussão – sobre a Copa, naturalmente, pois durante esses dias a gente só fala na Copa –, se tinha alguma dúvida sobre o resultado de um jogo, sobre a possibilidade de classificação de um país de nome esquisito, perdido nos confins da África ou da Ásia, era só puxar a tabelinha e ficava tudo esclarecido. E agora? A gente vai ter que se levantar da roda, ligar o computador, acessar a Internet, para procurar a tabelinha? Quando voltar, a roda já se desfez ou está todo mundo discutindo outro jogo ou outro resultado. Isso, se a Internet não estiver fora do ar.

Talvez seja por causa da falta das tabelinhas que sinto algo estranho no brasileiro ar da Copa do Mundo da África do Sul. Talvez um certo desânimo, um certo pudor de enfeitar o carro com as bandeirinhas do Brasil, um certo mau pressentimento de que a Azzurra e não a Canarinha levará a taça este ano, o que fará a Itália alcançar o Brasil no número de campeonatos conquistados – que Deus nos livre de tal infortúnio!

Não sou nenhuma pitonisa, não presido nenhum oráculo, mas não sou de dar as costas a indícios ou sinais. Assim sendo, peço às autoridades competentes – e às incompetentes também – que mandem confeccionar as tradicionais tabelas para que se possa acompanhar a Copa. Coisinha barata, sem pretensão. De papel reciclado, mesmo. Ainda dá tempo. Depois, não digam que não avisei.



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