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   > Breve Separação



Maicon da Silva Carlos
      CONTOS

Breve Separação

- Está chorando por que, amor? – Jonatas disse à Lívia, se ajoelhando de frente a ela, que sentada na cama cobria o rosto, mas não escondia as lágrimas que escorregavam por sua face e caíam em seu colo. Jonatas perguntou novamente, Lívia não respondia. – Meu amor, sempre te ouvi. Mesmo quando você dizia que não era nada, e aquele silêncio se bastava entre nós. Não a questionava mais. Sempre respeitei sua intimidade, por mais íntimos que fôssemos. Não posso e nem desejo tirar a liberdade ter o seu momento. Mas eu te amo, e cada lágrima que cai do seu rosto me fere de alguma forma.
 
Lívia secou as lágrimas e o fitou por alguns segundos. Ela sabia que era verdade, ele a amava. Ela não sabia se o amava. Sua confusão acabava confundindo também seu sentimento, mas todo conforto e comodidade que sentia ao lado de Jonatas davam entender que ela o amava também.  Mas dar a entender não é o bastante. O amor não precisa de certezas, mas não pode se resumir a conforto e comodidade.
 
- Eu te amo! – Disse Lívia olhando nos olhos de Jonatas, mas com medo de estar mentindo pra ele e para ela mesma.
 
- Então o que está havendo? Não quero bancar o psicólogo, mas quero te ajudar. – Jonatas sabia que Lívia tinha algum problema, suas crises de choros constantes e o mesmo silêncio, sempre.
 
- A gente tenta sempre lutar por aquilo que desejamos, e tantas vezes desejamos qualquer coisa tola, conseguimos e logo depois desistimos de ter. Como uma criança que vê um brinquedo na televisão, chora pro pai até ele comprar, depois que tem o deixa jogado em qualquer canto. – Jonatas estava com os olhos fixos em Lívia, ouvindo-a, com toda atenção. – Um bom emprego, um carro bacana, uma casa legal, jantar no melhor restaurante da cidade sempre que pode. Qual o sentido disso tudo? Satisfazer um desejo momentâneo ou mostrar aos outros o que na verdade não somos, mas que eles querem que somos? No final tudo acaba. Eu quero mais da vida, mas não consigo ter, não consigo se quer buscar, não consigo ir além. Tenho você, que me entende, mesmo que eu não dê explicações, e você acaba sendo vítima de toda essa minha confusão... – Nesse momento Jonatas a interrompe colocando o dedo em sua boca, como quem pede para se calar.
 
- Não diga isso! Quando eu lhe pedi em casamento há vinte anos não perguntei o que viveríamos, qual eram seus problemas, ou suas privações. Seus segredos, nada! Eu me propus a viver contigo, independente do que viria acontecer, do que teríamos de enfrentar. – Desabafou Jonatas, com lágrimas nos olhos.
 
- Por que está chorando, Jonatas?
 
- Estou com uma má sensação. Algo que nunca senti antes, quando eu lhe via chorando.
 
- Desculpe-me.
 
- Não é culpa sua, a vida se encarrega de nos dar essa má sensação. Lembra-se dos textos positivos que líamos juntos? Jurávamos entre nós que viveríamos da melhor maneira possível. Seria um casamento que fugiria a regra do ser bom só no começo. E fizemos muito do que quisemos, mas muita coisa fugiu do nosso controle, e ficou automático, natural demais. Essas regras do status que persegue a vida social, tudo deve ser normal, senão é errado.
 
- Começamos a entrar no jogo do status quando nos casamos. Por que aceitar essa regra? – Perguntou Lívia.
 
- É, talvez esteja certa. Você deixou diversos planos e projetos de lado, nossa filha, por mais querida que fosse, te ocupou tempo, hoje ocupa nosso tempo, a amamos, mas a realidade é que nossa vida está diferente. Eu deixei vários planos de lado. Quando eu tinha 20 anos não desejava casar, nem ter filhos, hoje eu amo minha esposa e minha filha. Mas sinto falta do que não vivi. Acredito que você também.
 
- Somos tão sensatos, Jonatas, mas no que vacilamos? O casamento, a filha? Acho que deixamos nos levar de verdade, não que as consequências sejam ruins, é que talvez o tempo tenha passado demais... Um dia isso tudo acaba e não sabemos pra onde vamos, quero fazer tanta coisa, você também...
 
- Eu sei aonde quer chegar, eu te amo, mas não quero fazer parte daquilo que não realizou. Talvez haja coisas que não possamos fazer juntos. Minha mãe errou nos conselhos, talvez ela só quisesse meu bem, ou não teve a oportunidade que estamos tendo.
 
- Mas, e nossa filha, Jonatas? – Indagou Lívia.
 
- Ela já tem dezesseis anos, Lívia, saberá entender. Dedicamos esses dezesseis anos de nosso casamento mais a ela do que a nós, não que ela não merecia, nem tinha culpa de nada, por mais que não haja culpa, porém talvez agora seja a hora de fazer o que deixamos escapar mais cedo.
 
- Você vai ficar bem?
 
- Só se eu ter a certeza de que você também vai ficar – Respondeu Jonatas.
 
 
 
 
 
 



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