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   > O Chato do Botequim



Vanderlei Antônio de Araújo
      CONTOS

O Chato do Botequim


  O rapaz consultou o relógio e constatou que já passavam das sete horas da noite. Estava cansado. Desceu do ônibus e saiu à procura de um hotel. Não demorou muito e encontrou um.  O hotel era pequeno, mas confortável.  Estava ali a trabalho. Por isso não ia ficar muito tempo na cidade. Era um lugar bonito e parecia tranqüilo.

 Acordou cedo. Às seis horas da manhã saiu do hotel e foi procurar um lugar para tomar café. Caminhou errante pela cidade deserta. Tudo estava calmo, apenas um vira-lata revirava um saco de lixo. Era um daqueles dias que parece que nada aconteceria numa cidadezinha turística como aquela. Estava frio. Comentou com seus botões sobre o clima da cidade.

 Encontrou um boteco que estava aberto àquela hora. Dirigiu-se para lá. Quando entrou notou que alguns homens bebiam cachaça, em pé,encostados no balcão. Por um instante, ficou indeciso quando viu tanta gente no interior do bar e o que era pior, tomando cachaça àquela hora. Mesmo assim, encostou no balcão pediu uma média e pão com manteiga.

  Esperava. Um homem de vinte e poucos anos, que tomava cachaça, ao ouvir seu pedido, virou o copo na boca num só gole e, falando alto para todo mundo ouvir, disse:

- Detesto tomar pinga com gente pedindo leite.

Todos os que estavam no botequim, é claro, desataram em gargalhadas e ainda aplaudiram o homem. Alguns começaram a instigá-lo; outros olharam para o rapaz com ar de deboche. De uma forma ou de outra, eles gostaram do que o homem disse. O rapaz quando viu que todos riam e olhavam para ele, aplaudindo o tal sujeito, ficou perturbado. Mas manteve a calma e fez de conta que não ouviu. Continuou esperando para ser atendido.

 O homem fez descer goela abaixo uma segunda dose de pinga. Acendeu um cigarro e antes de pedir outra cachaça, tirou a primeira fumaça. Depois, repetiu:

- Detesto tomar pinga com alguém tomando leite ao meu lado.

Novas gargalhadas, novas caçoadas. O rapaz continua em saliêncio. O clima tornava-se tenso. Sentia vontade de sair dali correndo. Mas continuou firme, fingindo que não era com ele. O dono do botequim observava tudo de longe, enquanto preparava a média e o pão com manteiga. Não tinha pressa. Aqueles minutos de espera pareciam uma eternidade. O rapaz estava doido para sair dali, mesmo acreditando que aquilo não passasse de conversa fiada de bêbado. O homem num gesto brusco atira o cigarro à rua e se dirige diretamente a ele:

- Você ouviu o que eu disse? Não gosto de gente tomando leite, perto de mim, quando bebo minha pinga.

O rapaz ficou embasbacado mas não disse nada. Os outros riram.O homem bebeu mais um trago e continuou com a mesma conversa:

- Eu não gosto de tomar pinga com gente tomando leite perto de mim.

O dono do botequim trouxe a média e o pão com manteiga e colocou a sua frente. Aí, o homem falou:

- Tenho raiva de quem toma leite....

Neste momento, o rapaz viu que o sujeito levava a mão à cintura e alisava o cabo de um revolver que trazia por baixo da camisa. Entrou em pânico....

  O homem nem tinha ainda acabado de falar e ele já havia abandonado a média e o pão com manteiga em cima do balcão e batido em retirada. Nunca mais voltou aquela cidade.

 



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